Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

O 25 de Abril de hoje.

(Só para lembrar os mais esquecidos que em Agosto de 1975, o tão conhecido "Verão Quente", estivemos à beira de nos assemelharmos a regimes como o da Coreia do Norte ou de Cuba, onde a liberdade não existia nem existe.)

 

 

 

Já é típico, já não vivemos sem ele, já é clássico (se não mesmo conservador): o simbolismo político à volta das comemorações do 25 de Abril, e dos seus convidados “de Estado”.

Mário Soares, Manuel Alegre, e alguns ilustres da Associação 25 de Abril anunciaram que não vão participar nas comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução que derrubou o Estado Novo.

Os mesmos afirmam que este Governo e esta maioria (com todos os defeitos que tenha, e não são poucos: em crónicas anteriores já fui bastante crítico da política fiscal seguida pelo Governo de PPC, por exemplo), são contra os “valores de Abril”, que estão a seguir uma política contrária aos objectivos daqueles que levaram a Revolução a cabo, que os propósitos que este Governo e esta maioria preconizam, revelam um modelo de sociedade diferente daquela que aqueles defendem. Ora, e para relembrar os mais esquecidos como o Dr. Mário Soares, os três principais propósitos do 25 de Abril foram “D”emocratizar, “D”escolonizar e “D”esenvolver Portugal. Pergunto então: não vivemos numa Democracia? Não descolonizámos? Não estamos mais desenvolvidos do que há 38 anos? As respostas, mesmo para os mais esquecidos, são todas positivas: somos um Estado de Direito Democrático, sem colónias, e bem mais desenvolvido do que em 1974.

Este comportamento do ex-Presidente da República, Mário Soares, demonstra sobretudo duas coisas: por um lado um total desrespeito pela vontade popular, e pela soberania dos eleitores (aquilo por que ele tanto lutou!). Afinal, esta maioria foi sufragada, e eleita universal e livremente por todos os portugueses. Esta vontade maioritária, expressa no boletim de voto pode não ser a mesma de Mário Soares, mas foi a vontade esclarecida daqueles que votaram, e, como o próprio Soares sabe, a Democracia não vale só quando a esquerda ganha. Por outro lado, Mário Soares, (esse grande pai do socialismo português), envergonha o PS quando se demarca do acordo que os socialistas, (pela mão do seu “Grande Líder” José Sócrates), assinaram em Maio passado.

Finalmente, uma última nota sobre os comentários de alguns ilustres sobre o actual desrespeito pela Constituição. Meus senhores, uma Constituição, mais do que qualquer outra lei, não é, nem pode ser estática, inflexível e/ou agarrada a conceitos (ultra)passados. Uma Constituição deve ser antes sim, o reflexo do modelo de sociedade que, a sociedade de hoje pretende e anseia, e não a que sociedade dos anos 70 programou e detalhou ao pormenor. Agarrarmo-nos a este tipo de conceitos formais, é matarmos a própria ideia de Constituição e, sobretudo, perdermos mais uma geração. 25 de Abril e 25 de Novembro sempre, facismo nem quase comunismo, NUNCA MAIS!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 23:06
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

O PS: entre a saudade e a deriva.

O Partido Socialista está saudoso de poder, e à deriva na oposição. Desta vez, as notícias vêm de lá longe: de Trás-os-Montes.

Se, formalmente, os parlamentares socialistas estão reunidos em Bragança para discutirem e debaterem o crescimento económico e o emprego; verdadeiramente, o Grupo Parlamentar do PS está reunido (qual missa de sétimo dia) para lembrar o legado do seu “querido líder”, José Sócrates.

Não pensem que estou a ser irónico, porque não é esse o meu propósito; mas, para um espectador atento e sedento de informação como eu, a verdade é que aquilo que se pode retirar destas jornadas parlamentares, são as saudades de Sócrates, os Xutos e Pontapés, e o “escritório de contabilidade” do Primeiro-Ministro. Interessante de facto. Aliás, eu não me lembraria de temas melhores para prolongar um fim de semana no campo, claro, e, como sempre, à custa dos dinheiros públicos e dos contribuintes.

O Partido Socialista está em profunda depressão. Depois de mais de uma década quase ininterruptamente no poder, os socialistas foram derrotados democraticamente e, claro está, já não se lembravam do que é ser (e fazer!) oposição.

António José Seguro é o elo mais fraco entre os actuais protagonistas partidários e, contra isso, prefere responder a comentários de comentadores políticos, do que propor alternativas políticas às propostas do actual Governo, como se espera do maior partido da oposição. Tudo isto claro, a bem da Democracia.

Na verdade, não são nem o Governo, nem o PSD ou o CDS-PP, nem mesmo o memorando de entendimento (que o PS assinou!) os maiores inimigos de Seguro, mas antes Sócrates e a sua “sombra”.

Para a História do Socialismo Português, António José Seguro será visto como um verdadeiro erro de casting, e sobretudo, como o pior Secretário-Geral da História do PS.

As saudades socialistas do poder, confundem-se com as saudades socialistas de José Sócrates, e isso, Seguro não consegue combater.

Em política, a avaliação dos governantes depende em primeira mão, da avaliação das oposições. E, as oposições em Portugal praticamente não existem. Portanto, tem este Governo que agradecer (também!) o seu nível de popularidade ao demérito das oposições. Ora, perante isto, encontro dois motivos óbvios: primeiro, a saturação partidária, isto é, há décadas que os partidos políticos são sempre os mesmos, para não falar de que aquilo que defendem e propõem para o país pouco tem mudado, e pouco se tem adaptado à actual conjuntura; segundo, os protagonistas fazem lembrar mais figuras de um qualquer museu de cera do que líderes partidários que são.

Contudo, e não querendo fazer um análise injusta, o Socialismo português está a sofrer as mesmas patologias que um certo Socialismo europeu, nomeadamente o espanhol, o francês e/ou o alemão. Esta deriva tem, quanto a mim, motivos claros e bastante particulares: primeiro, fazer oposição às medidas “contabilísticas” de combate à dívida pública criada pelo próprio Socialismo, é certamente uma tarefa difícil; segundo, o tempo das grandes figuras do Socialismo europeu acabou, e claro, deixar as lideranças dos partidos socialistas e sociais democratas, tout court, às pequenas figuras desses partidos, torna estas oposições muito fracas, e sobretudo, enfraquece a própria qualidade da Democracia europeia. Afinal o Socialismo faz falta, mas na oposição.

Se hoje o Socialismo critica aqueles a quem erradamente apelida de “neo-liberais de casino”, por estarem a reduzir o peso e a dimensão do Estado (Social), a verdade é que a causa da morte do “Estado Social”, foi o próprio Socialismo e a sua falta de rigor “contabilístico”, a sua falta de respeito e de visão no uso dos dinheiro dos contribuintes. Mais, esta arrogância cultural, (desde logo, muito típica da esquerda), que assume que o “Estado Social” (stricto sensu) é a única e melhor opção, e que tudo o que tente reduzir o papel do Estado na vida das pessoas e das empresas é obra de um “anticristo”, é algo que qualquer democrata liberal não pode admitir, nem pode aceitar sem debate.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:25
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

The Iron Lady.

 

Poderia ser um grande filme, mas não tem qualidade e originalidade técnicas suficientes para isso, em particular quando comparado com outros "biópicos". Vale sobretudo pela soberba interpretação Meryl Streep, que nos agarra o tempo inteiro a parte da história da Primeira-Ministra. Não é por isso um “filme da minha vida”, mas retrata a vida de uma das mulheres que mais admiro.

Como o disse Teresa de Sousa, não é um filme sobre a política tout court, não é um filme sobre o capitalismo, o liberalismo ou sequer sobre o tatcherismo; é sobretudo um filme sobre o carácter. Ora, não podia estar mais de acordo.

Margaret Thatcher foi, enquanto mulher na vida pública e na vida política, um exemplo de carácter, de convicção, de vontade de mudar para melhor, de insurreição contra o status quo confortavelmente instalado. M.T. mostrou o que é ter carácter, e como este pode moldar a forma de fazer política.

Thatcher mudou o mundo como o conhecemos: fez parte do fim da Guerra Fria, do declínio (e do fim) do comunismo enquanto modelo de regulação da vida das pessoas. Thatcher viu cedo aquilo que mais ninguém viu. De uma filha de merceeiro para um exemplo de liderança mundial.

A Dama de Ferro, como um dia um general soviético lhe chamou, percebeu cedo que o socialismo era terrível para a economia e para o desenvolvimento económico, combatendo-o desde sempre. Um verdadeiro modelo de como fazer política: premiando o valor, o trabalho e o mérito das ideias, e nunca dos “amiguismos”. Um exemplo ainda nos dias que correm de coragem e rectidão em como nunca nos devemos desviar daquilo que defendemos e acreditamos. Um exemplo para a dita direita não socialista, que, infelizmente no caso português, e, no que à forma de fazer política diz respeito, se distingue muito pouco dos ditos socialistas.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:46
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
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