Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

A Ministra da Agricultura fumou alguma coisa, ou é impressão minha?

Através de Assunção Cristas, o Governo quer aprovar uma nova lei para evitar promoções inesperadas.

Pergunto: mas a Ministra da Agricultura está agora ao serviço do tão aclamado “rumo ao Socialismo”?! Como é que alguém pode acusar este Governo de liberalismo ou sequer neo-liberalismo?!

Parece que afinal, este Governo segue mais a Escola de Moscovo do que a Escola de Chicago...

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 18:37
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Uma vergonha.

 

A propósito do “questionário histórico cultural” que a TVI fez durante as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República impõem-se os seguintes comentários, ou melhor, desabafos:

Primeiro, um desinteresse e uma falta de conhecimento da História contemporânea de Portugal. Facto absolutamente assustador e vergonhoso para alguém que é Deputado da Nação;

Segundo, uma facilidade em sortear desculpas pela miserável cultura (ou mesmo falta dela, em todos os aspectos) que têm. Respondem de forma politicamente correcta, circular e para “bom ouvinte” gostar, mas, não saberem quem foi o último “Primeiro Ministro” (na altura Presidente do Conselho de Ministros) antes do 25 de Abril não honra sobretudo o lugar de destaque que ocupam;

Terceiro, os “percursos” daquelas amostras de políticos miniatura, não lhes dão mérito algum para se poderem sentar numa das 230 cadeiras da AR. Ou será que fazer carreira numa “jota” lhes dá esse estatuto?!

Mais, como é que se pode exigir uma educação e um ensino de excelência quando os próprios “representantes” jovens, dizem que o primeiro Primeiro Ministro de Portugal depois do 25 de Abril foi Vasco Lourenço?!

É triste e insultuoso tudo isto.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 03:32
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

"um político assume-se", por Mário Soares.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 20:16
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito

O 25 de Abril: entre o valor da “Política”, e o desvalor do “político”.

 

38 anos depois do fim da ditadura que teimava em não ter fim, e 36 anos depois de ter sido lançada a primeira pedra do Estado de Direito Democrático, com a aprovação da CRP de 1976, (independentemente do cunho demasiadamente socialista), fundado no respeito pela liberdade, pela dignidade da pessoa humana, pela pluralidade, pela propriedade privada, pela legalidade, pelo respeito pelos órgãos e instituições democraticamente eleitos, e pela soberania popular, encontramo-nos hoje à beira do desaire, desalentados, desconfiados, e sob um paradigma de um quase fatalismo social, indissociável daquilo que é ser português.

Confesso que tenho dificuldade em aceitar qualquer tipo de fatalismo, pois acredito no Homem que faz escolhas conscientes.

Se para alguns a “Política” é uma ciência (social – com tudo o que isso comporta de pouco científico), para mim é uma arte, a mais nobre de todas elas. A “Política” é a arte de pensar, de contrapor pontos de vista, de reflectir, de debater, de governar.

A “Política” confunde-se ela mesma com o Homem, e com o ser social que necessariamente este é. A “Política” não tem idade, e confunde-se ela mesma com a própria ideia de Humanidade. A “Política” é o prazer dos cultos e eruditos, que fazem dela o seu palco da vida. Mas a “Política” não se coaduna com aqueles que dela se servem exclusivamente em proveito próprio, movidos por propósitos fúteis, e que em nada dignificam a “Política”, antes a desacreditam perante as pessoas. Esses são os parasitas políticos, os micróbios do sistema, a razão do coma da “Política” lusa.

É um cliché afirmar que “os políticos não são todos os iguais”, e não. Mas estas maçãs podres do sistema, acompanhadas de uma retórica contagiante, de uma demagogia, e um populismo de “fazer chorar as pedras da calçada”, estão a corroer o sistema de tal modo, que se torna difícil distinguir o bom do mau. E, como um dia afirmou José Gil, “se não afastarmos agora o nevoeiro que ameaça novamente toldar o nosso olhar, poderá ser demasiado tarde quando nos apercebermos que, sem dar por isso, nos encurralaram num beco, por um período indeterminado”.

A culpa é nossa. A culpa é nossa porque em Democracia a escolha é nossa. Fomos nós que permitimos este estado de coisas. Contudo, há sempre tempo para mudar este paradigma, afinal não há fatalismo que vença a vontade humana.

Durante 38 anos, a “Política” portuguesa conviveu lado a lado com políticos, que numa ânsia e numa obsessão, muito para lá de maquiavélica, tudo fizeram para a manutenção do poder. E nós, não dissemos basta; optámos antes, por (con)viver com este mundo escorregadio de uma imoralidade assustadora.

Para aqueles, que tão bem Gil Vicente definiu, é a “lei do vale tudo”: desde chantagear, desde corromper, desde falsificar votos e alterar resultados eleitorais, desde agredir, desde mentir deliberada e reiteradamente, desde perseguir. Muitos estarão a pensar, “mas em que mundo é que este vive?”. Pois bem, este é o admirável mundo dos partidos políticos. E, como todos sabem, as ementas eleitorais são cozinhadas nos seio destas pequenas máfias, para que, as pessoas em dia de eleições vão lá votar. No seio desta gente pouco esclarecida, onde o conhecimento está condicionado às vontades dos dias, se vai escrevendo a “Política” lusa.

Há quem diga que “o poder corrompe”. Ora, o primeiro passo para combater e contrariar isso é, ter consciência disso, e rejeitar qualquer fatalismo a esse respeito.

Apesar da falta de idoneidade política e moral que caracteriza as Juventudes Partidárias, essas tão conhecidas “escolas de crime”, esses tão conhecidos “partidos políticos dos pequenitos”, ainda há esperança, que aqueles que se venham a dedicar à arte da “Política” num futuro não muito distante, façam melhor.

Eu acredito, que um dia consigamos contrariar a análise certeira e realista, que Jacques Amaury (sociólogo e filósofo francês, Professor na Universidade de Estrasburgo) fez recentemente a propósito da “Política” portuguesa, onde afirmou que, “a política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário”.

Àqueles que me poderão acusar de um qualquer tipo de idealismo, eu relembro Mark Twain, quando afirmou um dia: “Não abandones as tuas ilusões. Sem elas podes continuar a existir, mas deixas de viver.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:35
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

O 25 de Abril de hoje.

(Só para lembrar os mais esquecidos que em Agosto de 1975, o tão conhecido "Verão Quente", estivemos à beira de nos assemelharmos a regimes como o da Coreia do Norte ou de Cuba, onde a liberdade não existia nem existe.)

 

 

 

Já é típico, já não vivemos sem ele, já é clássico (se não mesmo conservador): o simbolismo político à volta das comemorações do 25 de Abril, e dos seus convidados “de Estado”.

Mário Soares, Manuel Alegre, e alguns ilustres da Associação 25 de Abril anunciaram que não vão participar nas comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução que derrubou o Estado Novo.

Os mesmos afirmam que este Governo e esta maioria (com todos os defeitos que tenha, e não são poucos: em crónicas anteriores já fui bastante crítico da política fiscal seguida pelo Governo de PPC, por exemplo), são contra os “valores de Abril”, que estão a seguir uma política contrária aos objectivos daqueles que levaram a Revolução a cabo, que os propósitos que este Governo e esta maioria preconizam, revelam um modelo de sociedade diferente daquela que aqueles defendem. Ora, e para relembrar os mais esquecidos como o Dr. Mário Soares, os três principais propósitos do 25 de Abril foram “D”emocratizar, “D”escolonizar e “D”esenvolver Portugal. Pergunto então: não vivemos numa Democracia? Não descolonizámos? Não estamos mais desenvolvidos do que há 38 anos? As respostas, mesmo para os mais esquecidos, são todas positivas: somos um Estado de Direito Democrático, sem colónias, e bem mais desenvolvido do que em 1974.

Este comportamento do ex-Presidente da República, Mário Soares, demonstra sobretudo duas coisas: por um lado um total desrespeito pela vontade popular, e pela soberania dos eleitores (aquilo por que ele tanto lutou!). Afinal, esta maioria foi sufragada, e eleita universal e livremente por todos os portugueses. Esta vontade maioritária, expressa no boletim de voto pode não ser a mesma de Mário Soares, mas foi a vontade esclarecida daqueles que votaram, e, como o próprio Soares sabe, a Democracia não vale só quando a esquerda ganha. Por outro lado, Mário Soares, (esse grande pai do socialismo português), envergonha o PS quando se demarca do acordo que os socialistas, (pela mão do seu “Grande Líder” José Sócrates), assinaram em Maio passado.

Finalmente, uma última nota sobre os comentários de alguns ilustres sobre o actual desrespeito pela Constituição. Meus senhores, uma Constituição, mais do que qualquer outra lei, não é, nem pode ser estática, inflexível e/ou agarrada a conceitos (ultra)passados. Uma Constituição deve ser antes sim, o reflexo do modelo de sociedade que, a sociedade de hoje pretende e anseia, e não a que sociedade dos anos 70 programou e detalhou ao pormenor. Agarrarmo-nos a este tipo de conceitos formais, é matarmos a própria ideia de Constituição e, sobretudo, perdermos mais uma geração. 25 de Abril e 25 de Novembro sempre, facismo nem quase comunismo, NUNCA MAIS!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 23:06
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

O PS: entre a saudade e a deriva.

O Partido Socialista está saudoso de poder, e à deriva na oposição. Desta vez, as notícias vêm de lá longe: de Trás-os-Montes.

Se, formalmente, os parlamentares socialistas estão reunidos em Bragança para discutirem e debaterem o crescimento económico e o emprego; verdadeiramente, o Grupo Parlamentar do PS está reunido (qual missa de sétimo dia) para lembrar o legado do seu “querido líder”, José Sócrates.

Não pensem que estou a ser irónico, porque não é esse o meu propósito; mas, para um espectador atento e sedento de informação como eu, a verdade é que aquilo que se pode retirar destas jornadas parlamentares, são as saudades de Sócrates, os Xutos e Pontapés, e o “escritório de contabilidade” do Primeiro-Ministro. Interessante de facto. Aliás, eu não me lembraria de temas melhores para prolongar um fim de semana no campo, claro, e, como sempre, à custa dos dinheiros públicos e dos contribuintes.

O Partido Socialista está em profunda depressão. Depois de mais de uma década quase ininterruptamente no poder, os socialistas foram derrotados democraticamente e, claro está, já não se lembravam do que é ser (e fazer!) oposição.

António José Seguro é o elo mais fraco entre os actuais protagonistas partidários e, contra isso, prefere responder a comentários de comentadores políticos, do que propor alternativas políticas às propostas do actual Governo, como se espera do maior partido da oposição. Tudo isto claro, a bem da Democracia.

Na verdade, não são nem o Governo, nem o PSD ou o CDS-PP, nem mesmo o memorando de entendimento (que o PS assinou!) os maiores inimigos de Seguro, mas antes Sócrates e a sua “sombra”.

Para a História do Socialismo Português, António José Seguro será visto como um verdadeiro erro de casting, e sobretudo, como o pior Secretário-Geral da História do PS.

As saudades socialistas do poder, confundem-se com as saudades socialistas de José Sócrates, e isso, Seguro não consegue combater.

Em política, a avaliação dos governantes depende em primeira mão, da avaliação das oposições. E, as oposições em Portugal praticamente não existem. Portanto, tem este Governo que agradecer (também!) o seu nível de popularidade ao demérito das oposições. Ora, perante isto, encontro dois motivos óbvios: primeiro, a saturação partidária, isto é, há décadas que os partidos políticos são sempre os mesmos, para não falar de que aquilo que defendem e propõem para o país pouco tem mudado, e pouco se tem adaptado à actual conjuntura; segundo, os protagonistas fazem lembrar mais figuras de um qualquer museu de cera do que líderes partidários que são.

Contudo, e não querendo fazer um análise injusta, o Socialismo português está a sofrer as mesmas patologias que um certo Socialismo europeu, nomeadamente o espanhol, o francês e/ou o alemão. Esta deriva tem, quanto a mim, motivos claros e bastante particulares: primeiro, fazer oposição às medidas “contabilísticas” de combate à dívida pública criada pelo próprio Socialismo, é certamente uma tarefa difícil; segundo, o tempo das grandes figuras do Socialismo europeu acabou, e claro, deixar as lideranças dos partidos socialistas e sociais democratas, tout court, às pequenas figuras desses partidos, torna estas oposições muito fracas, e sobretudo, enfraquece a própria qualidade da Democracia europeia. Afinal o Socialismo faz falta, mas na oposição.

Se hoje o Socialismo critica aqueles a quem erradamente apelida de “neo-liberais de casino”, por estarem a reduzir o peso e a dimensão do Estado (Social), a verdade é que a causa da morte do “Estado Social”, foi o próprio Socialismo e a sua falta de rigor “contabilístico”, a sua falta de respeito e de visão no uso dos dinheiro dos contribuintes. Mais, esta arrogância cultural, (desde logo, muito típica da esquerda), que assume que o “Estado Social” (stricto sensu) é a única e melhor opção, e que tudo o que tente reduzir o papel do Estado na vida das pessoas e das empresas é obra de um “anticristo”, é algo que qualquer democrata liberal não pode admitir, nem pode aceitar sem debate.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:25
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 14 de Março de 2012

A Cultura não ficou nem mais barata, nem mais cara.

 

Em Julho de 2011, aquando da formação e tomada de posse do actual Governo português, (sem surpresas), vimos a Cultura descer o seu estatuto governamental, passando de Ministério para Secretaria de Estado. O Governo justificou tal facto por razões de controlo e redução orçamentais.

Hoje, Geroulanos, Ministro da Cultura da Grécia, pronunciou-se sobre tal “descida de divisão” que a Cultura sofreu no Governo de Portugal.

Posto isto, cumpre destacar alguns factos. Primeiro facto: tanto Portugal como a Grécia estão sob a intervenção externa da IMF;  segundo facto: tanto Portugal como a Grécia estão de “má saúde”, economicamente falando; terceiro facto: tanto Portugal como a Grécia assinaram acordos com organismos internacionais e europeus no sentido de redução das suas dívidas soberanas; quarto facto: Portugal não tem um Ministério da Cultura, contrariamente à Grécia.

Perguntamo-nos portanto, serão os gregos simplesmente irresponsáveis, ou mesmo loucos, em manterem um Ministério da Cultura quando o País está à beira da falência?! Claro que não.

A Cultura não passa a ser mais barata aos cofres do Estado só porque deixa de estar sob a tutela ministerial para passar a estar sob a tutela de uma Secretaria de Estado. É uma pura ficção, é uma verdadeira falácia dizer ou pensar isso. Ora, esta mudança formal é isso mesmo: uma mudança formal, ou seja, a Cultura não passou a gastar menos só porque agora está sob a tutela de um Secretário de Estado. O orçamento para a Cultura é definido na lei do Orçamento de Estado, tanto que há Secretarias de Estado que são mais caras aos contribuintes do que alguns Ministérios, portanto, repito, foi uma “descida de divisão” meramente formal.

Mais, esta alteração fora meramente simbólica, embelezada por um populismo gritante de uma suposta redução da despesa pública. Associar a existência de um Ministério da Cultura à “subsidio dependência” dos artistas e outros agentes culturais em relação ao Estado é um erro. Afinal, isso depende apenas da política cultural de um Governo e não se esse Governo tem ou não um Ministério da Cultura. A alteração não ocorreu de todo por razões económicas ou orçamentais, mas sim, por uma visão diferente da Cultura e que a Cultura deve ter num Governo.

É importante que se diga isto: este Governo, aprendeu muito com o Sócrates no que ao marketing político, e à gestão da imagem diz respeito: reduziram o número de Ministros e de Ministérios, fundiram algumas fundações, juntaram pastas num só Ministério, etc., etc. Contudo são meras reduções e extinções formais, porque ainda ninguém me explicou como é que um motorista de um Ministro ganha tanto como um Deputado...

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:12
link do post | comentar | favorito
Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Os impostos mais uma vez.

Últimos números:
  • As receitas do IRS e do IRC baixaram face a períodos anteriores (tendo o Governo aumentado os ditos impostos);
  • As receitas da Segurança Social seguiram o mesmo rumo do IRS e do IRC;
  • A despesa da Segurança Social aumentou.

 

Será possível que o Governo ainda não percebeu que tem que baixar os impostos?

A conta é simples, e, por mais estranho que pareça, temos que baixar os impostos para que os lucros destes aumentem. Não é preciso inventar muito.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:51
link do post | comentar | favorito

A Europa e o caminho para o “Estado de Sítio”.

 

Esta semana foi rica em acontecimentos ditos, europeus. Destaco dois em particular: por um lado a continuação da odisseia sobre a crise da dívida soberana grega, e, por outro lado, a tomada de posição de Mariano Rajoy em suavizar e renegociar as metas para o deficit espanhol em 2012.

Comecemos pela primeira questão. A Grécia entrou num ponto de não retorno económica, orçamental e socialmente. A dívida grega é assustadora e não será reduzida com mais dinheiro ou mais empréstimos internacionais. Estes bálsamos não retardarão aquilo que para muitos já é o desfecho desta novela. A Grécia já entrou tecnicamente em incumprimento tout court e, obviamente, os credores não tolerarão mais isto. Ora, a solução para o problema grego passa sobretudo pela vontade e concretização dos compromissos assumidos por Atenas. Mas uma concretização de facto! E, em boa verdade, a Grécia e os gregos têm sido irresponsáveis nesta matéria. A solução para o problema grego não passa só pela UE, pela CE, pelo FMI, etc., etc.. Senão vejamos: cobrar impostos na Grécia é anedótico, pois simplesmente não existe! Enquanto a Grécia não perceber que se não fizer por si não sairá do "buraco" em que está, não haverá solução alguma.

Mais, a escalada de violência nas ruas de Atenas está próxima de uma batalha campal entre civis e autoridades. A descrença no ideário europeu tal como existe hoje em dia, e, sobretudo na forma como o eixo Paris-Berlim tem liderado e conduzido esta crise poderá levar a médio prazo a uma situação de catástrofe política com consequências irreparáveis. E, francamente, mais vale deixar cair da Grécia (mesmo que temporariamente) do que deixar cair o projecto de uma Europa livre, democrática, próspera e em paz.

Quanto à segunda questão, ou seja, quanto ao caso espanhol. Bastaram dois meses para que o novo Governo de direita espanhol percebesse que a solução para as suas contas públicas não passava exclusivamente por austeridade atrás de austeridade. E bem. Ora, pergunto, em Portugal será que ninguém da maioria que suporta o actual Governo ainda não percebeu que não será só assim que resolveremos o problema do país? Não nego, muito pelo contrário, subscrevo que os acordos são para ser cumpridos. Mas, cumprir um acordo só porque foi assinado para que no fim o resultado seja totalmente diferente do pretendido é no mínimo masoquista. Já que temos por hábito aproveitar a “boleia” espanhola em muitas matérias, porque não aproveitar esta também e, não pedir mais dinheiro mas pedir mais tempo?

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:13
link do post | comentar | favorito
Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Na ressaca da votação de ontem na AR: em defesa do AMN.

 

Em crónicas anteriores, certamente já perceberam que sou, por natureza, um crítico permanente e atento às “classes políticas” em geral, e à classe política portuguesa em particular.

Hoje, na ressaca da votação da AR à proposta de lei do BE relativa à adopção por casais homossexuais, escrevo em defesa do deputado do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes, o qual votou a favor da dita proposta de lei. Faço-o sobretudo por uma questão de honestidade intelectual: não quanto à matéria de facto em si (deixarei para outro momento), mas, quanto à coerência do seu voto.

Não têm faltado vozes inquisitórias dentro do CDS-PP quanto ao voto do ADM. Ora, para aqueles que apontam incoerência nas suas posições, eu chamo coragem; para aqueles que o acusam de se sentar na bancada errada, eu chamo acto de liberdade.

Impor disciplina de voto nestas matérias seria uma escandalosa violação da liberdade de consciência, assemelhando-se apenas às ditaduras do voto, típicas das bancadas comunistas.

Mais, todos estes velhos do Restelo, estes militantes e dirigentes de confessionário, estas beatas de primeira fila, são os primeiros a (re)lembrar o acervo ideológico do dito partido. Pergunto portanto: será que alguns destes já leram alguma referência filosófica conservadora, democrata-cristã ou liberal? Certamente que não.

O curioso deste falso seguidismo ideológico, é que parece apenas incomodar aqueles que se dizem a “maioria”, já que, pelo menos, aparentemente o deputado AMN não parece incomodado por ser o único “lá no meio”, ou seja, nunca o ouvi insurgir-se ou sequer criticar aqueles que não aderem às suas posições.

Aqueles que agora “pedem a sua cabeça”, por ter agido de acordo com a sua consciência, esquecem-se que o deputado AMN (como qualquer outro) fora sufragado partidariamente, e, segundo sei, nem uma ponta de crítica houve. Ora, este é certamente um problema de estilo e, sobretudo de entendimento daquilo que é e deve ser a coerência ideológica de um político.

Mais, o deputado AMN é o único da bancada parlamentar do CDS-PP, que, dizendo-se liberal, é coerente e consequente com isso. Isto é, outros há na dita bancada, que, dizendo-se ou fingindo-se de liberais, na hora de votar preferem afrontar as suas consciências a afrontar o status quo mais que instalado. Possivelmente, está na hora de nascer um espaço de tipo partidário liberal em Portugal, para que políticos como o Adolfo Mesquita Nunes não sejam queimados vivos pelas “santas inquisições”.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:24
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

"Europe’s Failed Course".

Portugal has met every demand from the European Union and the International Monetary Fund. It has cut wages and pensions, slashed public spending and raised taxes. Those steps have deepened its recession, making it even less able to repay its debts. When it received a bailout last May, Portugal’s ratio of debt to gross domestic product was 107 percent. By next year, it is expected to rise to 118 percent. That ratio will continue to rise so long as the economy shrinks. That is, indeed, the very definition of a vicious circle.

Meanwhile, shrinking demand and fears of a contagious collapse keep pushing more European countries toward the danger zone of unsustainable debt.

Why are Europe’s leaders so determined to deny reality? Chancellor Angela Merkel of Germany and President Nicolas Sarkozy of France, in particular, seem unable to admit that they got this wrong. They are still captivated by the illogical but seductive notion that every country can emulate Germany’s export-driven model without the decades of public investment and artificially low exchange rates that are crucial to Germany’s success.

 

 

Excelente. Vale a pena ler o Editorial de hoje do The New York Times.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:50
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Uma análise (sociológica) da geração que se diz “à rasca”.

 

Como dizia com frequência Margaret Thatcher, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. Sem dúvida.

Para fazer uma análise crítica da geração que se diz “à rasca” cumpre que façamos a distinção de alguns conceitos iniciais. Uma sociedade em geral, e uma geração em particular têm por lado, características culturais “estruturais”, e, por outro lado, características culturais “conjunturais”.

O caso português não será excepção a esta distinção.

A geração que se diz “à rasca” é a verdadeira geração da informação e da comunicação sem filtros e fronteiras. Claro, com tudo o que isso tem de bom e mau. É a geração “Morangos com Açúcar”, é a geração das redes sociais, é a geração Erasmus, é a geração low cost, é geração que não sabe o que é uma guerra. É a geração que encara a TV como uma porta para fugir à desgraça, é a geração dos “canudos superiores”, é a geração dos smartphones, é a geração do botellon, é a geração que não conhece outro sistema político que não a democracia, é a geração que procura a fama fácil, e das drogas (pseudo) legais (...).

Somos a geração que cresceu alheia ao rigor, à cultura geral, ao conhecimento, ao mérito, à sabedoria. Somos o reflexo de um país pós-Salazar e não soubemos potenciar ao máximo as nossas circunstâncias. Urge a típica pergunta: de quem é a culpa? Pois bem, a culpa é inteiramente nossa e de um “sistema” que nunca ninguém quis contrariar. Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa. Ou pelo menos, não pensa criticamente. Assume o comportamento típico de ouvir e agir, sem reflectir.

Somos uma geração estrutural e culturalmente desenrascada, mas muito pouco preparada para um mundo globalizado. Terá sido por falta de condições? Certamente que não. Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa. Rimo-nos quando há gente que não sabe localizar o continente africano no Globo, ou quando não há ninguém que saiba quem é Manoel de Oliveira ou José Saramago. É tristemente cómico, e, sobretudo, é tragicamente cómico.

Somos uma geração que gosta de pensar que está a mudar o Mundo quando participa em manifestações mas não propomos alternativas, preferimos em vez disso, debater-mos quantos litros de álcool é que vamos beber, ou quem é que dormiu com quem na noite anterior. Não que seja criticável, longe de mim.

Somos uma geração que usa orgulhosamente terroristas ao peito, e que se diz de esquerda, mas não deixamos de consumir os grandes filhos do capital norte-americano em Domingos de ressaca.

Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa coerentemente.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:01
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

OS IMPOSTOS SÃO UM ROUBO!

 

Se um dia Proudhon afirmou que "a propriedade é um roubo" eu afirmo que os impostos são um roubo.

Tentarei nesta crónica diagnosticar o porquê da actual situação económica e financeira de Portugal e propor uma solução.

Comecemos pelo início. O Estado não tem dinheiro próprio, e o dinheiro que gasta não é seu, mas sim nosso. O Estado tem gasto como se não houvesse amanhã, hipotecando as gerações futuras. O Estado tem hoje um tamanho de níveis e valores pornográficos. O Estado endividou-se de forma assustadora. O Estado só sobrevive de duas formas: ou pedindo dinheiro emprestado ou criando mais e/ou aumentando mais impostos. O Estado endividou-se em nome de pessoas que ainda nem nasceram. Ora, tais factos levam à espiral em que nos encontramos hoje: ao declínio e à ruína.

O mito de que a despesa pública estimula o crescimento económico real é uma ilusão. Mais despesa pública implica mais dinheiro, e, como se sabe, esse dinheiro é nosso. Ora, se as pessoas, em razão da despesa pública ficam com menos dinheiro, significa que ficarão mais pobres.

O Estado Robin Hood é uma falácia completa. Servindo apenas para justificar os níveis absurdamente elevados de impostos.

Os Governos assumiram que podiam gastar e gastar mais dinheiro, sem na verdade o terem. Os Governos assumiram que podiam pedir dinheiro emprestado em nome de pessoas que ainda nem nasceram para manter os nossos estilos de vida contemporâneos. Ora, além de profundamente inaceitável, não estaremos já no campo da imoralidade?

Claro que sim. Mais, a imoralidade de tudo isto é tão escandalosa, que concluímos que as dívidas contraídas em nome de pessoas que ainda nem nasceram só acontece porque estas “pessoas futuras” não votam. Sob o mito de que as gerações futuras viverão num mundo melhor, o Estado está a atolá-los em dívidas de proporções incalculáveis, e a condená-los a uma vida de escravidão moderna.

De resto, e, além da imoralidade óbvia em tudo isto, os valores da dívida nacional são também extremamente perigosos do ponto de vista da coesão nacional e, sobretudo, da segurança interna. Os acontecimentos dos últimos dias na Grécia são precisamente resultado desta irresponsabilidade colectiva.

Não devemos nunca esquecer que foi a política do crédito ao desbarato que originou a actual crise financeira. E porquê? Porque (foi e) é uma política que premeia os empréstimos e castiga as poupanças.

Por outro lado, a solução para ganhar eleições é sempre a mesma: prometer o “paraíso”. Ora, e, metaforicamente falando, mesmo para construir o “paraíso” é preciso dinheiro, e, de onde é que vem o dinheiro? Do bolso dos contribuintes.

Outro grande problema nacional é o elevadíssimo número de funcionários públicos. Não nos esqueçamos que estes não criam riqueza alguma, só a consomem. É o sector privado que cria riqueza para que o Estado se venha alimentar tributando-o. Temos portanto a seguinte relação: do lado do sector privado encontramos os “produtores de impostos”, e, do lado do sector público encontramos os “consumidores de impostos”. Conclusão fácil de retirar: há demasiados “papões” do dinheiro das pessoas que não entram às 9h (atrasados) e saem as 17h (em ponto!).

O Estado “amigo do contribuinte” que, um dos partidos do actual Governo tanto repetiu na campanha eleitoral não existe. No fundo, é aquilo a que em ciência política se chama de “fraude eleitoral”.

Infelizmente, em Portugal, da esquerda à direita, não há partidos políticos com coragem para dizer tudo isto. Certamente o medo de ficarem associados com o “neo-liberalismo” dos Chicago Boys torna a classe política portuguesa como um laboratório de experiências socialistas, socialistas mitigadas ou sociais democratas. Os ditos “liberais amigos do contribuinte” do PSD e do CDS-PP, são-no apenas do discurso de púlpito, pois, uma vez no poder distinguem-se pouco das “rosas da esquerda”. Ora, quando oiço um comentador ou a oposição acusar este Governo de “neo-liberal”, pergunto-me sempre, será que esta gente sabe do que é está a falar?! Confundir aumento de impostos e a austeridade com o liberalismo é tão errático, absurdo e sobretudo inculto, como associar a Democracia a Rosseau.

Tirar dinheiro do sector privado onde é gerada a riqueza, para engordar e alimentar o sector público que a consome, é uma ideia catastrófica. O Estado não pode continuar a tirar dinheiro às pessoas tributando a riqueza que produzem, só e apenas para sustentar o número absurdo de funcionários públicos. Basta! Quanto maior for o sector público e o peso do Estado na vida da pessoas e na Economia, menor será o crescimento real da economia. Ora, esta mentira de que a despesa pública estimulará o crescimento económico está ao nível da ideia de que o comunismo traz felicidade às pessoas. São puras mentiras, que foram provadas nos últimos cem anos.

A ideia é simples: para manter o actual número de funcionários públicos, o Estado precisa de cobrar mais impostos, e, mais impostos significam menos lucros. Ora, e vontade para mudar este paradigma? O problema reside precisamente neste ponto: há demasiados grupos de interesses que se alimentam do sector público e que nunca sobreviveriam no sector privado; há todo um sistema que vive e sobrevive disto, há toda uma entourage político-partidária que só consegue pôr "pão na mesa" alimentando-se do sector público (basta lembrarmos o caso do vereador do CDS-PP da CMPorto que quando actuou no sector privado faliu!).

Não se iludam, os níveis de corrupção e tráfico de influências são os que são, porque há um sector público estupidamente grande, pouco eficaz e demasiado incompetente. Senão vejamos: se formos uma empresa privada e empregarmos um grande número de pessoas que passam o dia a preencher papéis, e que existem no sector público sem razão aparente, ficamos sem negócio, pois, outra empresa conseguirá produzir o memo produto mais barato, por não perder tempo com burocracias e formulários disto e daquilo.

Muitos estarão a pensar o pior da minha falta de sensibilidade social, em particular com os mais pobres, mas, tal relação de causa efeito não passa de pura demagogia.

Em vez de diminuir a pobreza, o Estado só consegue aumentá-la ainda mais, quando paga, a pessoas capazes de trabalhar, para ficarem em casa sem fazerem absolutamente nada, a não ser consumir dinheiro dos contribuintes que trabalham. É uma loucura pagar a adultos saudáveis para estarem desocupados a tempo inteiro.

Urgem mudanças rápidas, estruturais e, sobretudo de mentalidade na forma como qualquer pessoa se deve relacionar com o Estado e vice-versa.

Na linha de A Riqueza das Nações, o melhor que o Estado tem a fazer, é fazer o menos possível. Os impostos são um roubo e um enorme obstáculo ao crescimento. Ora, se existirem impostos mais baixos (a rondar os 15% como em Hong Kong), haverá um incentivo maior para que as pessoas façam mais dinheiro, para que a economia seja mais próspera.

Ao tributarmos as pessoas estamos a castrar o sucesso. Quanto mais altos são os impostos maior será a punição do sucesso.

Mais, para perceberem que não falo sem fundamentos, vejamos o caso dos países Bálticos. Nos anos 90 introduziram as chamadas Low Flat Taxes e viram o seu crescimento disparar para os 12% ao ano.

Se baixarmos os impostos, tornamo-nos mais atractivos do ponto de vista do investimento económico, sendo mais fácil produzir, sendo mais fácil criar emprego. Em Hong Kong não há IVA, impostos sobre mais valias, ou impostos sucessórios, e, os resultados são tão óbvios de que é este o caminho do sucesso e da prosperidade que, Hong Kong é o símbolo da prosperidade, da pobreza zero, da liberdade e da iniciativa privadas.

A conta é simples, e, por mais estranho que pareça, se baixarmos os impostos, os lucros destes aumentarão. Se reduzirmos a carga fiscal dos níveis mais elevados, teremos mais crescimento económico e maiores receitas desses mesmos impostos. Se dermos mais liberdade ao mercado, veremos o crescimento aumentar, o investimos aumentar, o emprego aumentar...

A lição a tirar é que, quanto maior for o Estado, menor será o nível e a taxa de crescimento económico nacional. O tempo dos grandes Estados morreu. A prosperidade económica não tem grande segredo; só precisamos de sabedoria e de coragem para fazer o que é preciso. Os resultados não tardariam e, em menos de um ano teríamos resultados muito positivos.

Não é a Troika, não é o FMI, não é o BCE ou a UE, é a falta de vontade e coragem políticas que nos levaram para este buraco. É o medo do “bicho papão” do mercado e do capitalismo que tem de acabar. É este socialismo mitigado que há mais de 30 anos governa Portugal que tem de acabar. Custará, mas teremos que recuar até Adam Smith para recomeçar tudo de novo.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 15:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Onde é que posso tirar a senha para burro de carga?!

 

"Motorista do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares ganha um vencimento mensal de 2448,22 euros.", Expresso.

 

Além dos boys, agora também os burros de carga são pagos a peso de ouro. A contar com o "peso político" do Relvas, é possível que até seja mal pago...

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 20:41
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Um Problema da Modernidade: Androfobia

Ser um Homem é ser diferente. A priori, ser um Homem engloba, entre outras coisas, não ser uma Mulher. O mesmo se passa para as senhoras - ser uma Mulher engloba, entre outras coisas, não ser um Homem. Pode parecer simples, mas nem todas as pessoas hoje em dia estão aptas para ver a diferença. Não há nada de igualitário ou democrático na virilidade. De facto, a virilidade é absolutamente anti-democrática - quando a definimos como o conjunto de qualidades que regem uma sociedade moral, sustentada no vigor, na coragem, na honra e na honestidade, vemos que não há espaço suficiente (pode tirar um ou dois fins-de-semana, no máximo), no homem viril, para a actividade masturbatória conhecida actualmente como angariação de votos. A democracia é, além de analfabetizante, (assinar com uma cruz as nossas preferências políticas é quase tão humilhante como um exame rectal) uma perversão do elemento feminino social. O concerto generelizado e compromissório é coisa que se aceita na gentil e descomplexada natureza das mulheres, aquela fábrica moral com que se mantém a paz nas sociedades e a harmonia nas famílias. Tomado em exagero, como no caso da sociedade democrática, desvirtua tanto o papel masculino como o feminino. O sufrágio universal tem apenas um efeito possível sobre os valores de bravura e virilidade que criaram a nossa civilização cristã e europeia - murcham-na. E de facto, não há paneleirice económica ou "causa social" que valha ao empreendedorismo do membro viril. O Homem.

 

(não fique o leitor mal impressionado, sou um democrata convicto, activo lutador contra a abstenção: nas últimas eleições votei em todos os partidos na lista de voto)

 

Então, se a própria política está contra aquilo que significa ser um Homem - sim, porque não basta nascer-se Homem, é preciso Ser um Homem - que dizer da Sociedade? É igualmente Androfóbica. A sociedade viril tem por fundações a relação pai-filho. Todo o jovem mancebo estremece quando pensa que vai ter de ouvir um ralhete do pai. Muitas vezes, o didático ralhete converte-se, num ataque de pia iluminação sacra, num bom par de estalos. O pior para a educação do mancebo é que a punição venha às prestações - o famoso "fizeste asneiras, meu menino, ficas de castigo no teu quarto". O jovem garboso não quer ficar no seu dormitório, onde não pode andar ao soco sujo com os colegas, ou dar beliscões nas perninhas das amigas - coisas que faz numa inocência quase cristã. Ele sabe que vai sofrer pela sua maldade, e vai sofrer a pronto - como um Homem. No entanto, a ética bancária de alguma burguesia - e mais uma vez, disfarçada de conselhos de psicólogos modernaços, a principal inimiga da virilidade, a paneleirice- parece ter convertido a Família, recinto mágico onde se endoutrina o Homem, numa sucursal do BES.

 

Sejamos justos com as crianças, e connosco - temos um quarto das habilidades técnicas que têm os nossos pais. Muitos de nós não sabem mudar uma lâmpada, fazer uma instalação eléctrica, desmontar uma árvore de Natal. A perda das habilidades técnicas, que são salutares ao espírito, devem-se à perda de contacto físico entre Pai e Filho. Separados na Galheta, afastados na Bricolage. Mas nem todas as famílias são o mesmo caso, nem o mal se prende apenas à acção maricas de alguns dos nossos pais modernos. A Televisão, a vida urbana, as delícias da vida dita "civilizada", têm um efeito terrível na produção de virilidade. Há dias um amigo queixava-se que o pai, de desconfiar dos jeitos citadinos dele, nem se sentia confortável para lhe ensinar a podar. E quem pode culpar os progenitores de se sentirem assim? Vejamos a postura de muita mancebia que por aí anda: costas curvadas, ombros descaídos, cabelo desgrunhado e figura desleixada propositada!!! (o que é, vejamos, o máximo de anti-virilidade possível) composição óssea a lembrar Auschwitz, sempre ao colo da namoradita ou a circular numa entourage de outros sodomitas iguais a ele. Os piores androfóbicos, senhores, somos nós. Se não reagirmos contra os abusos da nossa geração, seremos os últimos de uma orgulhosa raça de gente bem-humorada.

 

A Causa pela Virilidade: temos aliados políticos?

 

Não. O actual governo, apesar de se dizer de Direita ("direitinha") é contrário à virilidade. Ser viril é reagir de forma positiva às consequências dos seus actos. Este governo nunca terá coragem política para enfrentar cobardias sociais, como o aborto ou a discriminalização das drogas, ou o casamento homossexual, porque este governo é, para todos os efeitos, efeminizado.

O ataque ao tabaco é a típica coisa abichanada que um governo "direitinha" teria a ideia atrevida de apoiar. Já não falo da prometida proibição de venda de tabaco a retalho (não fora a democracia a castrar este outrora orgulhoso povo, e bastaria essa lei herética aos hábitos da comunidade para justificar um assalto ao parlamento, seguido de empalamento geral dos deputados - especialmente os da "direitinha", possivelmente mais acostumados à ideia do empalamento). Falo daquele promo publicitário em que aparecem criancinhas a falarem dos seus hábitos tabágicos com voz de gente crescida. A ideia, à primeira vista, é alertar para o facto de os putos, estando por perto, consomem fumo.

 

E o verdadeiro propósito? O verdadeiro propósito é androfóbico. O que a classe hermafrodita de pessoas que controlam a moral (ou imoral) pública quer é retroceder o Homem ao estado em que ele está mais facilmente susceptível - os seus anos de Rapaz.

São os hermafroditas os principais inimigos da sociedade viril. Trataram de pegar numa sociedade de Homens e Mulheres, e tranformaram-na numa Sociedade Comercial. Já não existe diferença oficial entre o macho e a fêmea na sociedade humana ocidental - ambos são caixas registadoras que copulam. Uma caixa registadora não educa filhos. A relação pai e filho foi a que mais sofreu com a desvirilização democrática da sociedade. Que será que um Homem pode falar com um projecto de Homem? Sobre partidos políticos? Nem pensar, se houver pudor cristão. Sobre o activismo na Amnistia Internacional, ou num movimento LGBT? Eles ainda não são a maioria de nós, e para falar em mariquices mais vale estar calado à mesa.

 

Três coisas restam a um pai que chegue cansado do trabalho, e a um filho que aguarde ansiosamente a vinda do seu mentor e amigo: Fátima (Deus e a Religião), Futebol (ou qualquer outro desporto que os una) e Fado (ou o Rancho, ou a Confraria, etc.). Exactamente o tipo de coisas consideradas pela paneleirice que nos governa desde 1974 como mesquinhices de Estado Novo. Sejam de Estado Novo ou Estado Velho, ao ritmo a que desaparecem, aí sim veremos a falta que nos fazia, num jantar cansado entre um pai e um filho, uma típica conversa de Homem.

publicado por Manuel Pinto de Rezende às 13:34
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Cavaco, leite quente e bolachas de água e sal. Até mete pena.

Cavaco Silva é o que é. Goste-se ou não, se há dom que o Sr. tem é em falar de improviso aos abutres famintos dos jornalistas que comem as bananas e deixam as cascas para o Sr. cair.

Rejeito qualquer tipo de demagogia que diz que o Sr. é rico, logo é um ladrão, e outras que tais. Mas Cavaco, será que tinhas mesmo que falar? É que quando não tens a cábula do discurso, nunca te corre bem...

Ora, o grave destas declarações não têm que ver com o facto de o Sr. ganhar muito ou pouco, já que legitimamente decorre dos descontos que ele e a sua Maria fizeram ao longo de uma vida. O grave está na ausência de qualquer sensibilidade político-social com aquelas declarações. Bastava que nada dissesse e o Acordo Social não tinha passado o fim de semana à sombra desta nódoa.

Cavaco Silva é a personificação daquele provincianismo bafiento, daquele resquício de salazarismo ultrapassado, da “poupançazinha”, mas diz que não sabe se dará conta das despesas. Mas o Sr. gasta o dinheiro em quê? Onde?!!

O coitado até tem um ar simpático, mas não pode fazer aquelas declarações. Aliás é melhor nem sequer se aproximar dos jornalistas.

Já o estou a imaginar a beber leite quente e comer bolachas de água e sal com a Maria, enquanto se arrepende e pensa, porque é que só digo gafes?

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 12:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Órfão de Sócrates

Era tão bom: passar o dia enervado, ligar a televisão e quase arremessar o comando, ouvir aquela semi-voz no parlamento Manso é a tua tia, pá!..., pensar nas proezas de uma licenciatura de domingo, ver os juros ali a flutuar nos 7% e comentar «quando é que ele cai?», assistir às andanças dos indianos do Martim Moniz de trás para a frente na campanha; enfim, embalar muito bem aquele ódio de estimação – mas sem o deixar adormecer. Agora o sujeito foi para Paris e deixou-nos o país tal como ele está, mais naufragado do que o Costa Concordia, e o Passos Coelho, desgraçado, lá terá que lidar com a operação de resgate. No meio disto quem se lixa são os passageiros.

 


PS. Desejo a todos excelentes falácias e uma longa vida ao blog.

publicado por Afonso Reis Cabral às 08:02
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
democraciadasfalacias@sapo.pt

.Gente falaciosa

 

.Últimos decretos

. A Ministra da Agricultura...

. Uma vergonha.

. "um político assume-se", ...

. O 25 de Abril: entre o va...

. O 25 de Abril de hoje.

. O PS: entre a saudade e a...

. A Cultura não ficou nem m...

. Os impostos mais uma vez.

. A Europa e o caminho para...

. Na ressaca da votação de ...

.Últimos comentários

Putz! Salariões, hein?Muito mais altos do que na E...
Este artigo é pura ignorância. Dar aulas é uma peq...
Uma coisa que os acordistas não sabem (ou não quer...
Lamento tanta asneira e desconhecimento... o que p...
É pena tanta ignorância e demagogia ... O autor de...
D.Cecília peço desculpa mas não concordo consigo. ...
Olá! Sou brasileiro e, até então, contra ao Acordo...
Estive a reler o artigo que originou esses folheto...
http://www.facebook.com/groups/367844474926/?fref=...
Razão n.º 1 – O novo acordo ortográfico NÃO promov...

.Mais comentados

.Pastas

. todas as tags

.Arquivo

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

.Setembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.Ligações