Terça-feira, 3 de Julho de 2012

Que ando eu a fazer?

 

Antes de vos passar a mensagem que me trouxe hoje aqui devo fazer uma ressalva. Pensei bastante se haveria de escrever este artigo. Pensei porque corro o sério risco de cair no autoelogio. No entanto, acredito que a mensagem que pretendo partilhar convosco é mais importante que a minha cara lavada de pseudo-humildade, por isso, aqui vai:

 

Estou a um mês de terminar o meu doutoramento em Engenharia Civil mas como menino responsável fui enviando uns currículos. Mentira, enviei muitos… Em grosso modo enviei currículos para a totalidade do parque empresarial direta ou indiretamente ligado à construção civil (acreditem que é muita empresa). O desespero foi de tal forma grande que me levou a candidatar a empresas em insolvência (claro que sou um idiota). Juntamente com o doutoramento em Engenharia Civil seguem o mestrado e licenciatura na mesma área, um MBA em gestão de empresas, cursos em diversas instituições como a Universidade de Bauhaus, Universidade de Waterloo e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porque nem só de cursos vive o Homem, acompanham-me nas competências Académicas a experiência na indústria em infraestruturas de transporte, barragens e investigação avaliada e reconhecida por instituições internacionais de prestígio. Como se não bastasse, guardo experiência na gestão de projetos, conceção de produto, inovação tecnológica e Marketing. E a partir de agora acaba o autoelogio…

 

Os currículos que enviei estavam cuidados com cartas de apresentação personalizadas que descreviam o que a empresa poderia ganhar com a minha contratação (como deve ser…). Na mesma carta explicava (dava a entender) que não exigia remuneração adicional, ou seja, aceitava as mesmas condições que um recém-licenciado assumindo que ainda tinha muito que aprender. Sabem qual foi o resultado da minha campanha? ZERO, NADA, um vazio absoluto. Para além das empresas que nem sequer responderam (que foram a maioria):

  • Umas disseram-me que não estavam a contratar (o que me parece legítimo);
  • Outras disseram que não tinha a experiência necessária (justificação que não me agrada mas que aceito);
  • Outras disseram que a minha formação não perfaz os requisitos mínimos traçados pela empresa (justificação que começo a não aceitar de ânimo leve);
  • Outras empresas houve, que me disseram que já era VELHO!!! Sim sim, VELHO! Pessoal, eu tenho 26 anos, como posso ser velho?

 

A justificação foi: “Não queremos órgãos de chefia mais novos que subordinados”. Mas e então…: “a progressão baseada no mérito?” “eu não me importo!”, “que ponham os miúdos a mandar nos velhotes como eu!”. A argumentação de nada me serviu.

 

Não me levem a mal mas tive de desistir de Portugal. Comecei então, desanimadamente, a enviar currículos para empresas lá fora. Passada uma semana, entraram em contacto comigo uma empresa Holandesa e outra Alemã. A Holandesa estava muito entusiasmada porque fui escuteiro e pratiquei desportos de equipa. Já a empresa Alemã perguntou-me quando poderia começar a trabalhar referindo que não podem dispensar alguém que trabalhe tão bem em equipa e que toque guitarra. É caso para perguntar o que ando eu fazer.

 

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 12:12
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

A obsessão da imagem, e o vício do “like”.

 

O poder da imagem e a influência desta, na sociedade ocidental, tem-se tornado numa verdadeira obsessão.

Vivemos hoje, na ditadura dos “likes”.

Construímos uma aparência de imagem em torno de círculos sociais virtuais, e já não conseguimos viver doutra maneira, já que o tempo diário no Facebook, ocupa hoje um lugar cimeiro nos quotidianos de qualquer pessoa, em qualquer parte do Mundo.

Desta aparência de imagem, decorre uma aparência de conhecimento e de cultura, e isto sim, é preocupante.

Adoptamos o estilo “barba de um mês”, e vestimos uma camisola de gola alta preta, e já parecemos um intelectual de esquerda, discípulo do Louça. No entanto, nunca lemos Habermas ou Proudhon. Adoptamos o estilo “suíças/patilhas em triângulo até a boca”, e vestimos um blazer azul escuro, e já parecemos um brasonado falido. No entanto, não sabemos a ordem dos Reis de Portugal.

Este totalitarismos da imagem, tornou a actual geração jovem na mais bacoca dos últimos anos. Uma geração sem causas fundamentadas, sem propósitos maiores, sem rumo por vontade própria, mas sim, inconsciente.

Optámos pela embalagem o conteúdo, “fazemos porque os outros fazem”. Hoje, o medo na “exclusão do círculo social”, já não reside na ignorância intelectual e cultural, mas no medo em perder posição social em razão da imagem.

Triste, é o povo que nunca ouviu, leu, ou viu, os maiores da sua cultura.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 15:06
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Uma análise (sociológica) da geração que se diz “à rasca”.

 

Como dizia com frequência Margaret Thatcher, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. Sem dúvida.

Para fazer uma análise crítica da geração que se diz “à rasca” cumpre que façamos a distinção de alguns conceitos iniciais. Uma sociedade em geral, e uma geração em particular têm por lado, características culturais “estruturais”, e, por outro lado, características culturais “conjunturais”.

O caso português não será excepção a esta distinção.

A geração que se diz “à rasca” é a verdadeira geração da informação e da comunicação sem filtros e fronteiras. Claro, com tudo o que isso tem de bom e mau. É a geração “Morangos com Açúcar”, é a geração das redes sociais, é a geração Erasmus, é a geração low cost, é geração que não sabe o que é uma guerra. É a geração que encara a TV como uma porta para fugir à desgraça, é a geração dos “canudos superiores”, é a geração dos smartphones, é a geração do botellon, é a geração que não conhece outro sistema político que não a democracia, é a geração que procura a fama fácil, e das drogas (pseudo) legais (...).

Somos a geração que cresceu alheia ao rigor, à cultura geral, ao conhecimento, ao mérito, à sabedoria. Somos o reflexo de um país pós-Salazar e não soubemos potenciar ao máximo as nossas circunstâncias. Urge a típica pergunta: de quem é a culpa? Pois bem, a culpa é inteiramente nossa e de um “sistema” que nunca ninguém quis contrariar. Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa. Ou pelo menos, não pensa criticamente. Assume o comportamento típico de ouvir e agir, sem reflectir.

Somos uma geração estrutural e culturalmente desenrascada, mas muito pouco preparada para um mundo globalizado. Terá sido por falta de condições? Certamente que não. Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa. Rimo-nos quando há gente que não sabe localizar o continente africano no Globo, ou quando não há ninguém que saiba quem é Manoel de Oliveira ou José Saramago. É tristemente cómico, e, sobretudo, é tragicamente cómico.

Somos uma geração que gosta de pensar que está a mudar o Mundo quando participa em manifestações mas não propomos alternativas, preferimos em vez disso, debater-mos quantos litros de álcool é que vamos beber, ou quem é que dormiu com quem na noite anterior. Não que seja criticável, longe de mim.

Somos uma geração que usa orgulhosamente terroristas ao peito, e que se diz de esquerda, mas não deixamos de consumir os grandes filhos do capital norte-americano em Domingos de ressaca.

Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa coerentemente.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:01
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
democraciadasfalacias@sapo.pt

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