Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

A Europa e o caminho para o “Estado de Sítio”.

 

Esta semana foi rica em acontecimentos ditos, europeus. Destaco dois em particular: por um lado a continuação da odisseia sobre a crise da dívida soberana grega, e, por outro lado, a tomada de posição de Mariano Rajoy em suavizar e renegociar as metas para o deficit espanhol em 2012.

Comecemos pela primeira questão. A Grécia entrou num ponto de não retorno económica, orçamental e socialmente. A dívida grega é assustadora e não será reduzida com mais dinheiro ou mais empréstimos internacionais. Estes bálsamos não retardarão aquilo que para muitos já é o desfecho desta novela. A Grécia já entrou tecnicamente em incumprimento tout court e, obviamente, os credores não tolerarão mais isto. Ora, a solução para o problema grego passa sobretudo pela vontade e concretização dos compromissos assumidos por Atenas. Mas uma concretização de facto! E, em boa verdade, a Grécia e os gregos têm sido irresponsáveis nesta matéria. A solução para o problema grego não passa só pela UE, pela CE, pelo FMI, etc., etc.. Senão vejamos: cobrar impostos na Grécia é anedótico, pois simplesmente não existe! Enquanto a Grécia não perceber que se não fizer por si não sairá do "buraco" em que está, não haverá solução alguma.

Mais, a escalada de violência nas ruas de Atenas está próxima de uma batalha campal entre civis e autoridades. A descrença no ideário europeu tal como existe hoje em dia, e, sobretudo na forma como o eixo Paris-Berlim tem liderado e conduzido esta crise poderá levar a médio prazo a uma situação de catástrofe política com consequências irreparáveis. E, francamente, mais vale deixar cair da Grécia (mesmo que temporariamente) do que deixar cair o projecto de uma Europa livre, democrática, próspera e em paz.

Quanto à segunda questão, ou seja, quanto ao caso espanhol. Bastaram dois meses para que o novo Governo de direita espanhol percebesse que a solução para as suas contas públicas não passava exclusivamente por austeridade atrás de austeridade. E bem. Ora, pergunto, em Portugal será que ninguém da maioria que suporta o actual Governo ainda não percebeu que não será só assim que resolveremos o problema do país? Não nego, muito pelo contrário, subscrevo que os acordos são para ser cumpridos. Mas, cumprir um acordo só porque foi assinado para que no fim o resultado seja totalmente diferente do pretendido é no mínimo masoquista. Já que temos por hábito aproveitar a “boleia” espanhola em muitas matérias, porque não aproveitar esta também e, não pedir mais dinheiro mas pedir mais tempo?

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:13
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Será um problema de altura?! De visão certamente.

 

Nunca tive em muito má conta Nicolas Sarkosy, mas, para quem diz ser o Presidente do "quinto país mais importante do Mundo", e de que não se pode ser candidato presidencial e Presidente em simultâneo, não deixa de recorrer à mais escandalosa demagogia quando cria a taxa "Robin Hood". Não passa de pura demagogia pré-eleitoral.

O irónico de tudo isto, é que o irónico Cameron saberá aproveitar muitíssimo bem esta triste e populista medida do governo francês.

Enquanto os iluminados franceses e alemães não perceberem que o ataque fiscal às empresas, o saque aos lucros empresariais, além de mais e mais barreiras fiscais às transacções financeiras, serão sinónimo de uma autêntica ruína económica que destruirá com o Euro.

A excessiva carga fiscal de alguns países europeus (como de resto, Portugal!) apenas afasta possíveis investimentos estrangeiros. Ora, é com o aumento e com a criação de mais impostos que o duo "Merkosy" pretende tornar o Euro, e a União Europeia um espaço económico atractivo e competitivo?

 

A resposta é simples: assim, não.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:42
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
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