Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

A responsabilidade de Juan Carlos.

 

A diferença essencial entre as figuras públicas e as figuras não públicas é que as segundas podem fazer tudo, e as primeiras não. Mais, há figuras públicas que não podendo fazer tudo, podem fazer mais do que outras figuras públicas. É nestas últimas que se enquadra o Rei Juan Carlos de Espanha.

A última polémica que envolve o monarca, tem que ver, como é sabido, com a sua última caçada ao Botswana, durante a qual partiu a bacia. Até aqui nada parece hostilizar muito as massas. Contudo, Juan Carlos é Presidente Honorário do World Wilde Fund for Nature, em português, Fundo Mundial da Natureza. E é aqui que tudo se complica, já que nem é um caso de viagens de lazer pagas pelos contribuintes espanhóis como avançou o El Mundo (a factura, essa, foi paga por Mohamed Eyad Kayali).

Ora, não será no mínimo estranho o Presidente do WWFFN, uma associação de defesa da Natureza, ir caçar elefantes para África?! Pelo menos exótico é, não há dúvida.

Exposto que está o caso, Juan Carlos encerra esta polémica com um “Lo siento mucho.”

Ora, Juan Carlos ou actua como um adolescente irresponsável que acha que basta um pedido de desculpas para encerrar a polémica, ou então, não tem de todo noção da posição que ocupa, o que para alguém com a sua idade só poderá revelar demência mental.

Na República um caso destes levaria no mínimo à demissão do seu titular, na Monarquia é mais um faits divers que se limita a preencher páginas da Hola. Resta uma última questão: será que Juan Carlos prefere que digam God save the King, or the elephants?

 

 

Nota de rodapé: não é de todo a protecção dos animais (afinal, eu sou um verdadeiro aficionado) o que está aqui em causa, mas a incoerência de El Rey.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:39
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Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

A Europa e o caminho para o “Estado de Sítio”.

 

Esta semana foi rica em acontecimentos ditos, europeus. Destaco dois em particular: por um lado a continuação da odisseia sobre a crise da dívida soberana grega, e, por outro lado, a tomada de posição de Mariano Rajoy em suavizar e renegociar as metas para o deficit espanhol em 2012.

Comecemos pela primeira questão. A Grécia entrou num ponto de não retorno económica, orçamental e socialmente. A dívida grega é assustadora e não será reduzida com mais dinheiro ou mais empréstimos internacionais. Estes bálsamos não retardarão aquilo que para muitos já é o desfecho desta novela. A Grécia já entrou tecnicamente em incumprimento tout court e, obviamente, os credores não tolerarão mais isto. Ora, a solução para o problema grego passa sobretudo pela vontade e concretização dos compromissos assumidos por Atenas. Mas uma concretização de facto! E, em boa verdade, a Grécia e os gregos têm sido irresponsáveis nesta matéria. A solução para o problema grego não passa só pela UE, pela CE, pelo FMI, etc., etc.. Senão vejamos: cobrar impostos na Grécia é anedótico, pois simplesmente não existe! Enquanto a Grécia não perceber que se não fizer por si não sairá do "buraco" em que está, não haverá solução alguma.

Mais, a escalada de violência nas ruas de Atenas está próxima de uma batalha campal entre civis e autoridades. A descrença no ideário europeu tal como existe hoje em dia, e, sobretudo na forma como o eixo Paris-Berlim tem liderado e conduzido esta crise poderá levar a médio prazo a uma situação de catástrofe política com consequências irreparáveis. E, francamente, mais vale deixar cair da Grécia (mesmo que temporariamente) do que deixar cair o projecto de uma Europa livre, democrática, próspera e em paz.

Quanto à segunda questão, ou seja, quanto ao caso espanhol. Bastaram dois meses para que o novo Governo de direita espanhol percebesse que a solução para as suas contas públicas não passava exclusivamente por austeridade atrás de austeridade. E bem. Ora, pergunto, em Portugal será que ninguém da maioria que suporta o actual Governo ainda não percebeu que não será só assim que resolveremos o problema do país? Não nego, muito pelo contrário, subscrevo que os acordos são para ser cumpridos. Mas, cumprir um acordo só porque foi assinado para que no fim o resultado seja totalmente diferente do pretendido é no mínimo masoquista. Já que temos por hábito aproveitar a “boleia” espanhola em muitas matérias, porque não aproveitar esta também e, não pedir mais dinheiro mas pedir mais tempo?

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:13
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

Garzón é um sinónimo vivo de perseguição política.

 

Impõe-se que perguntemos: qual é o medo do sistema? Porque é que quando esteve em causa investigar e julgar os criminosos das ditaduras argentina e chilena não se ouviu uma única palavra de desacordo da Justiça espanhola? Porque é que ninguém da Audiência Nacional (Supremo Tribunal em Espanha) se insurgiu ou sequer pediu a suspensão de funções do juíz Garzón, quando este mandou prender o ditador chileno Augusto Pinochet? Qual é o medo da Manos Limpias (de resto, um nome no mínimo irónico para uma organização de extrema-direita)? A verdade?

As denúncias contra Baltasar Garzón representam uma regressão, uma vez que o direito e a jurisprudência internacional realizaram importantes avanços, nos últimos 50 anos, em relação à luta contra os crimes de guerra e contra a humanidade.

Garzón é um sinónimo vivo de alguém que viveu pela liverdade e sobretudo pela verdade, mas é também um sinónimo vivo de perseguição de pós-franquistas com medo da verdade.

A propósito disto só me consigo lembrar das palavras de Hannah Arendt, uma refugiada judia da Alemanha nazi: "considerada de um ponto de vista político, a verdade tem um carácter despótico. Ela é por isso odiada pelos tiranos, que temem, com razão, a concorrência de uma força coerciva que não podem monopolizar".

Este é sem dúvida um triste episódio (ainda sem desfecho) da Democracia espanhola.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:56
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
democraciadasfalacias@sapo.pt

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