Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

O 25 de Abril: entre o valor da “Política”, e o desvalor do “político”.

 

38 anos depois do fim da ditadura que teimava em não ter fim, e 36 anos depois de ter sido lançada a primeira pedra do Estado de Direito Democrático, com a aprovação da CRP de 1976, (independentemente do cunho demasiadamente socialista), fundado no respeito pela liberdade, pela dignidade da pessoa humana, pela pluralidade, pela propriedade privada, pela legalidade, pelo respeito pelos órgãos e instituições democraticamente eleitos, e pela soberania popular, encontramo-nos hoje à beira do desaire, desalentados, desconfiados, e sob um paradigma de um quase fatalismo social, indissociável daquilo que é ser português.

Confesso que tenho dificuldade em aceitar qualquer tipo de fatalismo, pois acredito no Homem que faz escolhas conscientes.

Se para alguns a “Política” é uma ciência (social – com tudo o que isso comporta de pouco científico), para mim é uma arte, a mais nobre de todas elas. A “Política” é a arte de pensar, de contrapor pontos de vista, de reflectir, de debater, de governar.

A “Política” confunde-se ela mesma com o Homem, e com o ser social que necessariamente este é. A “Política” não tem idade, e confunde-se ela mesma com a própria ideia de Humanidade. A “Política” é o prazer dos cultos e eruditos, que fazem dela o seu palco da vida. Mas a “Política” não se coaduna com aqueles que dela se servem exclusivamente em proveito próprio, movidos por propósitos fúteis, e que em nada dignificam a “Política”, antes a desacreditam perante as pessoas. Esses são os parasitas políticos, os micróbios do sistema, a razão do coma da “Política” lusa.

É um cliché afirmar que “os políticos não são todos os iguais”, e não. Mas estas maçãs podres do sistema, acompanhadas de uma retórica contagiante, de uma demagogia, e um populismo de “fazer chorar as pedras da calçada”, estão a corroer o sistema de tal modo, que se torna difícil distinguir o bom do mau. E, como um dia afirmou José Gil, “se não afastarmos agora o nevoeiro que ameaça novamente toldar o nosso olhar, poderá ser demasiado tarde quando nos apercebermos que, sem dar por isso, nos encurralaram num beco, por um período indeterminado”.

A culpa é nossa. A culpa é nossa porque em Democracia a escolha é nossa. Fomos nós que permitimos este estado de coisas. Contudo, há sempre tempo para mudar este paradigma, afinal não há fatalismo que vença a vontade humana.

Durante 38 anos, a “Política” portuguesa conviveu lado a lado com políticos, que numa ânsia e numa obsessão, muito para lá de maquiavélica, tudo fizeram para a manutenção do poder. E nós, não dissemos basta; optámos antes, por (con)viver com este mundo escorregadio de uma imoralidade assustadora.

Para aqueles, que tão bem Gil Vicente definiu, é a “lei do vale tudo”: desde chantagear, desde corromper, desde falsificar votos e alterar resultados eleitorais, desde agredir, desde mentir deliberada e reiteradamente, desde perseguir. Muitos estarão a pensar, “mas em que mundo é que este vive?”. Pois bem, este é o admirável mundo dos partidos políticos. E, como todos sabem, as ementas eleitorais são cozinhadas nos seio destas pequenas máfias, para que, as pessoas em dia de eleições vão lá votar. No seio desta gente pouco esclarecida, onde o conhecimento está condicionado às vontades dos dias, se vai escrevendo a “Política” lusa.

Há quem diga que “o poder corrompe”. Ora, o primeiro passo para combater e contrariar isso é, ter consciência disso, e rejeitar qualquer fatalismo a esse respeito.

Apesar da falta de idoneidade política e moral que caracteriza as Juventudes Partidárias, essas tão conhecidas “escolas de crime”, esses tão conhecidos “partidos políticos dos pequenitos”, ainda há esperança, que aqueles que se venham a dedicar à arte da “Política” num futuro não muito distante, façam melhor.

Eu acredito, que um dia consigamos contrariar a análise certeira e realista, que Jacques Amaury (sociólogo e filósofo francês, Professor na Universidade de Estrasburgo) fez recentemente a propósito da “Política” portuguesa, onde afirmou que, “a política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário”.

Àqueles que me poderão acusar de um qualquer tipo de idealismo, eu relembro Mark Twain, quando afirmou um dia: “Não abandones as tuas ilusões. Sem elas podes continuar a existir, mas deixas de viver.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:35
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

O 25 de Abril de hoje.

(Só para lembrar os mais esquecidos que em Agosto de 1975, o tão conhecido "Verão Quente", estivemos à beira de nos assemelharmos a regimes como o da Coreia do Norte ou de Cuba, onde a liberdade não existia nem existe.)

 

 

 

Já é típico, já não vivemos sem ele, já é clássico (se não mesmo conservador): o simbolismo político à volta das comemorações do 25 de Abril, e dos seus convidados “de Estado”.

Mário Soares, Manuel Alegre, e alguns ilustres da Associação 25 de Abril anunciaram que não vão participar nas comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução que derrubou o Estado Novo.

Os mesmos afirmam que este Governo e esta maioria (com todos os defeitos que tenha, e não são poucos: em crónicas anteriores já fui bastante crítico da política fiscal seguida pelo Governo de PPC, por exemplo), são contra os “valores de Abril”, que estão a seguir uma política contrária aos objectivos daqueles que levaram a Revolução a cabo, que os propósitos que este Governo e esta maioria preconizam, revelam um modelo de sociedade diferente daquela que aqueles defendem. Ora, e para relembrar os mais esquecidos como o Dr. Mário Soares, os três principais propósitos do 25 de Abril foram “D”emocratizar, “D”escolonizar e “D”esenvolver Portugal. Pergunto então: não vivemos numa Democracia? Não descolonizámos? Não estamos mais desenvolvidos do que há 38 anos? As respostas, mesmo para os mais esquecidos, são todas positivas: somos um Estado de Direito Democrático, sem colónias, e bem mais desenvolvido do que em 1974.

Este comportamento do ex-Presidente da República, Mário Soares, demonstra sobretudo duas coisas: por um lado um total desrespeito pela vontade popular, e pela soberania dos eleitores (aquilo por que ele tanto lutou!). Afinal, esta maioria foi sufragada, e eleita universal e livremente por todos os portugueses. Esta vontade maioritária, expressa no boletim de voto pode não ser a mesma de Mário Soares, mas foi a vontade esclarecida daqueles que votaram, e, como o próprio Soares sabe, a Democracia não vale só quando a esquerda ganha. Por outro lado, Mário Soares, (esse grande pai do socialismo português), envergonha o PS quando se demarca do acordo que os socialistas, (pela mão do seu “Grande Líder” José Sócrates), assinaram em Maio passado.

Finalmente, uma última nota sobre os comentários de alguns ilustres sobre o actual desrespeito pela Constituição. Meus senhores, uma Constituição, mais do que qualquer outra lei, não é, nem pode ser estática, inflexível e/ou agarrada a conceitos (ultra)passados. Uma Constituição deve ser antes sim, o reflexo do modelo de sociedade que, a sociedade de hoje pretende e anseia, e não a que sociedade dos anos 70 programou e detalhou ao pormenor. Agarrarmo-nos a este tipo de conceitos formais, é matarmos a própria ideia de Constituição e, sobretudo, perdermos mais uma geração. 25 de Abril e 25 de Novembro sempre, facismo nem quase comunismo, NUNCA MAIS!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 23:06
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Da primeira volta em França.

 

Os resultados da primeira volta das Presidenciais francesas de ontem, revelam três dados que me parecem particularmente relevantes.

Primeiro, e como publicou hoje o Le Monde, “perto de um votante em cada três” escolheu, nesta primeira volta, “um candidato hostil à mundialização ou à União Europeia”. Ora, isto é um reflexo demasiado preocupante, da saturação partidária que as democracias europeias estão a viver: ora socialistas, ora sociais democratas, ora centristas, ora conservadores, etc. Este jogo das cadeiras, ora na oposição, ora no poder, entre os partidos do regime, desgastou-os de tal forma que, para 29% dos votantes de ontem, a solução está na extrema direita e na extrema esquerda.

Segundo, apesar da singela vitória de Hollande, (tendo em conta que o número de eleitores aumentou de 2007 para 2012), a verdade é que os votos totais da esquerda são inferiores aos votos totais da direita, quando comparados com os resultados da há cinco anos. Mais, esta mesma vitória de Hollande não se deve certamente, à vontade dos eleitores franceses em dar a vitória ao socialista, mas sim, em dar a derrota a Sarkosy.

Terceiro, o resultado histórico da Front National deve preocupar-nos a todos enquanto europeus. Marine Le Pen deixou de lado o discurso racista e xenófobo do pai, adoptando um discurso mais populista, anti-Europa, anti-Alemanha, contrário ao projecto de construção europeia, e demasiado nacionalista. Esta foi a fórmula do sucesso. Uma fórmula perigosa que seduziu sobretudo um eleitorado operário e pouco esclarecido. Em boa verdade, o discurso da extrema direita foi igual ao dos comunistas de Jen-Luc Mélenchon.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 22:09
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

O PS: entre a saudade e a deriva.

O Partido Socialista está saudoso de poder, e à deriva na oposição. Desta vez, as notícias vêm de lá longe: de Trás-os-Montes.

Se, formalmente, os parlamentares socialistas estão reunidos em Bragança para discutirem e debaterem o crescimento económico e o emprego; verdadeiramente, o Grupo Parlamentar do PS está reunido (qual missa de sétimo dia) para lembrar o legado do seu “querido líder”, José Sócrates.

Não pensem que estou a ser irónico, porque não é esse o meu propósito; mas, para um espectador atento e sedento de informação como eu, a verdade é que aquilo que se pode retirar destas jornadas parlamentares, são as saudades de Sócrates, os Xutos e Pontapés, e o “escritório de contabilidade” do Primeiro-Ministro. Interessante de facto. Aliás, eu não me lembraria de temas melhores para prolongar um fim de semana no campo, claro, e, como sempre, à custa dos dinheiros públicos e dos contribuintes.

O Partido Socialista está em profunda depressão. Depois de mais de uma década quase ininterruptamente no poder, os socialistas foram derrotados democraticamente e, claro está, já não se lembravam do que é ser (e fazer!) oposição.

António José Seguro é o elo mais fraco entre os actuais protagonistas partidários e, contra isso, prefere responder a comentários de comentadores políticos, do que propor alternativas políticas às propostas do actual Governo, como se espera do maior partido da oposição. Tudo isto claro, a bem da Democracia.

Na verdade, não são nem o Governo, nem o PSD ou o CDS-PP, nem mesmo o memorando de entendimento (que o PS assinou!) os maiores inimigos de Seguro, mas antes Sócrates e a sua “sombra”.

Para a História do Socialismo Português, António José Seguro será visto como um verdadeiro erro de casting, e sobretudo, como o pior Secretário-Geral da História do PS.

As saudades socialistas do poder, confundem-se com as saudades socialistas de José Sócrates, e isso, Seguro não consegue combater.

Em política, a avaliação dos governantes depende em primeira mão, da avaliação das oposições. E, as oposições em Portugal praticamente não existem. Portanto, tem este Governo que agradecer (também!) o seu nível de popularidade ao demérito das oposições. Ora, perante isto, encontro dois motivos óbvios: primeiro, a saturação partidária, isto é, há décadas que os partidos políticos são sempre os mesmos, para não falar de que aquilo que defendem e propõem para o país pouco tem mudado, e pouco se tem adaptado à actual conjuntura; segundo, os protagonistas fazem lembrar mais figuras de um qualquer museu de cera do que líderes partidários que são.

Contudo, e não querendo fazer um análise injusta, o Socialismo português está a sofrer as mesmas patologias que um certo Socialismo europeu, nomeadamente o espanhol, o francês e/ou o alemão. Esta deriva tem, quanto a mim, motivos claros e bastante particulares: primeiro, fazer oposição às medidas “contabilísticas” de combate à dívida pública criada pelo próprio Socialismo, é certamente uma tarefa difícil; segundo, o tempo das grandes figuras do Socialismo europeu acabou, e claro, deixar as lideranças dos partidos socialistas e sociais democratas, tout court, às pequenas figuras desses partidos, torna estas oposições muito fracas, e sobretudo, enfraquece a própria qualidade da Democracia europeia. Afinal o Socialismo faz falta, mas na oposição.

Se hoje o Socialismo critica aqueles a quem erradamente apelida de “neo-liberais de casino”, por estarem a reduzir o peso e a dimensão do Estado (Social), a verdade é que a causa da morte do “Estado Social”, foi o próprio Socialismo e a sua falta de rigor “contabilístico”, a sua falta de respeito e de visão no uso dos dinheiro dos contribuintes. Mais, esta arrogância cultural, (desde logo, muito típica da esquerda), que assume que o “Estado Social” (stricto sensu) é a única e melhor opção, e que tudo o que tente reduzir o papel do Estado na vida das pessoas e das empresas é obra de um “anticristo”, é algo que qualquer democrata liberal não pode admitir, nem pode aceitar sem debate.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:25
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Sexta-feira, 2 de Março de 2012

A crise das lideranças europeias, a deterioração da Democracia, e a solução para o Federalismo.

 

A Europa. Este velho continente, berço da Democracia, este espaço multicultural fascinante e tão inspirador para muitos ao longo dos séculos, está hoje de rastos. Velha e lenta, a Europa tem enfrentado as crises (económicas, financeiras, sociais e políticas) do nosso tempo depois das crises. Isto é, a Europa tem agido sempre em resposta e nunca em prevenção. Urge mudar este paradigma. Este é um primeiro problema.

Segundo problema. A Europa é hoje um barco à deriva que se tem permitido ao experimentalismo político-partidário sem excepção, e sem memória. Vive-se uma crise de lideranças europeias sem precedente, e, muito se deve à elasticidade ideológica (nalguns casos até, à ausência ideológica), dos líderes europeus e dos mesmos partidos políticos (os relevantes claro está, aqueles que formam o PPE e o PSE). É certo que, sem o distanciamento histórico e temporal suficientes para uma abordagem justa deste problema, acabamos por ser injustos, mas é o que é possível. E, sobre esta matéria esperemos para ver se a História nos dá ou não razão. Ora, a falta de memória da 2ª Guerra Mundial pode, por um lado, explicar o fosso e a enorme diferença entre aqueles líderes europeus que a tinham, e os actuais que não a têm.

Falemos concretamente da chanceler alemã Angela Merkel. É clara a diferença de liderança entre a Sra. e os anteriores líderes alemães (não contado claro com Gerhard Schroeder, também ele sem memória da Guerra) no que à Europa e à União Europeia diz respeito. Mais, a Sra. tem um contacto com a ideia de uma Europa solidária e unida muito recente. Mais recente até do que aquela que se tem em Portugal por exemplo. Afinal, Angela Merkel teve mais contacto em vida com aquilo que em lugar nenhum do Mundo será uma Democracia (RDA) do que com esta, e, consequentemente com uma ideia comum, e com um projecto comum para a Europa. A Alemanha de Angela Merkel é radicalmente distinta da Alemanha de Helmut Kohl, facto que, no limite até nos poderia parecer estranho já que tanto uma como o outro foram líderes do partido democrata-cristão alemão. E, quando afirmo isto, faço-o em particular no que à actual crise europeia diz respeito. Mais, a crise da liderança alemã da Europa é tão clara e óbvia que mesmo dentro do Governo Alemão há quem contrarie publicamente a Sra. Merkel. A gestão que a Alemanha tem feito do problema grego tem sido tão desastrosa como a situação orçamental grega. E isto é grave e, sobretudo, extremamente perigoso para a Democracia.

A Democracia só sobrevive a uma crise desta natureza se os actores políticos não estiverem feridos de legitimidade. Legitimidade essa que só estará assegurada com uma escolha livre e esclarecida daqueles que elegem aqueles que representam os cidadãos europeus. Ora, por mais eficácia imediatista que se pretenda com a escolha de tecnocratas para liderarem a Grécia e ou a Itália, a verdade é que, (e ainda que constitucionalmente possível/permitido), nenhum deles foi sufragado pelos respectivos eleitores, e isto mata a Democracia.

A História não se transforma, apenas se repete, adaptando-se à concreta conjuntura. Por isso, estes atropelos à Democracia, (mesmos que “bem intencionados”, e por motivos de salvação/sobrevivência económica de um País), matam-na. Pior, estes atropelos à Democracia permitem a emergência de populismos (ultra) nacionalistas de extrema direita e de extrema esquerda, que matarão no nosso tempo a Democracia como a conhecemos. Facto desde logo provado e demonstrado com os resultados eleitorais de diversa natureza de países como a Itália, a França, a Suécia, ou a Hungria. Dados preocupantes e muito perigosos. Exigem-se portanto soluções.

Se há elementos que a crise económica e financeira da Europa vieram destacar, é que o actual modelo institucional e formal europeu não dura mais tempo, sem importantes e estruturais reformas. O avanço para uma união monetária formalizado no inicio dos anos 90 em Maastricht foi um passo histórico na construção europeia, e isso já todos sabemos. O problema, é que uma união monetária sem uma união orçamental e (macro)económica real, e, sobretudo sem uma união política tout court, não passará de uma política em saco roto. A indefinição política da Europa é gritante, e por isso temos que passar à próxima fase da construção europeia: ao Federalismo.

Um Federalismo de tipo norte-americano bicameral onde, por um lado, estarão representados os Estados paritariamente (similar ao modelo do Senado dos E.U.A., onde cada Estado faz-se representar por cada dois senadores), e, por outro lado, onde estarão representadas as populações dos diversos Estados europeus proporcionalmente à sua dimensão. Uma União política real de tipo federal, não só evitaria futuros problemas como aquele que se vive actualmente, como devolveria à Europa o lugar cimeiro na cena internacional que deve ter. Não pensem que defendo, ou sequer pretendo, qualquer tipo de experimentalismo político, e tão pouco pretendo que se criem os “Estados Unidos da Europa” hoje. Mas há que aproveitar o momento de crise para começar um debate sério e prospectivo sobre o futuro político, em concreto um futuro federal para a Europa.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 22:45
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Na ressaca da votação de ontem na AR: em defesa do AMN.

 

Em crónicas anteriores, certamente já perceberam que sou, por natureza, um crítico permanente e atento às “classes políticas” em geral, e à classe política portuguesa em particular.

Hoje, na ressaca da votação da AR à proposta de lei do BE relativa à adopção por casais homossexuais, escrevo em defesa do deputado do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes, o qual votou a favor da dita proposta de lei. Faço-o sobretudo por uma questão de honestidade intelectual: não quanto à matéria de facto em si (deixarei para outro momento), mas, quanto à coerência do seu voto.

Não têm faltado vozes inquisitórias dentro do CDS-PP quanto ao voto do ADM. Ora, para aqueles que apontam incoerência nas suas posições, eu chamo coragem; para aqueles que o acusam de se sentar na bancada errada, eu chamo acto de liberdade.

Impor disciplina de voto nestas matérias seria uma escandalosa violação da liberdade de consciência, assemelhando-se apenas às ditaduras do voto, típicas das bancadas comunistas.

Mais, todos estes velhos do Restelo, estes militantes e dirigentes de confessionário, estas beatas de primeira fila, são os primeiros a (re)lembrar o acervo ideológico do dito partido. Pergunto portanto: será que alguns destes já leram alguma referência filosófica conservadora, democrata-cristã ou liberal? Certamente que não.

O curioso deste falso seguidismo ideológico, é que parece apenas incomodar aqueles que se dizem a “maioria”, já que, pelo menos, aparentemente o deputado AMN não parece incomodado por ser o único “lá no meio”, ou seja, nunca o ouvi insurgir-se ou sequer criticar aqueles que não aderem às suas posições.

Aqueles que agora “pedem a sua cabeça”, por ter agido de acordo com a sua consciência, esquecem-se que o deputado AMN (como qualquer outro) fora sufragado partidariamente, e, segundo sei, nem uma ponta de crítica houve. Ora, este é certamente um problema de estilo e, sobretudo de entendimento daquilo que é e deve ser a coerência ideológica de um político.

Mais, o deputado AMN é o único da bancada parlamentar do CDS-PP, que, dizendo-se liberal, é coerente e consequente com isso. Isto é, outros há na dita bancada, que, dizendo-se ou fingindo-se de liberais, na hora de votar preferem afrontar as suas consciências a afrontar o status quo mais que instalado. Possivelmente, está na hora de nascer um espaço de tipo partidário liberal em Portugal, para que políticos como o Adolfo Mesquita Nunes não sejam queimados vivos pelas “santas inquisições”.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:24
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Sobre a Rússia e a sua “democracia”.

 

Falta pouco mais de uma semana para as Presidenciais russas.

Ora, estando nós a falar em eleições, poderíamos apostar num vencedor, mas, há meses que já se sabe que Putin voltará a sentar-se no Kremlin. Não serão portanto os resultados formais (ou, se preferirem, oficiais), uma novidade nem para os russos, e, tão pouco para a comunidade internacional.

Primeiro diz que não fará campanha porque não precisa, já que sairá vencedor no dia 4 de Março. Depois aposta em publicar propaganda ao estilo soviético, e agora, surge em comícios que mais fazem lembrar os tempos da Guerra Fria.

Vladimir Putin, (esse grande ex-KGB), é a personificação da farsa que é a democracia russa. É a assunção do estilo soviético mais que populista, anti-ocidente, pró-bélico, e ultra-nacionalista. Vladimir Putin, é o rosto de um país falhado no que à Democracia diz respeito.

Em Dezembro último, aquando das últimas eleições para a Duma, estava em Moscovo e assisti in loco, aos métodos que Putin usa para calar quem não está consigo. Desde prender jornalistas sem motivo legal aparente, a espancar pessoas que se manifestam pacificamente, ou, a aterrorizar bloggers críticos do Rússia Unida (partido do qual é líder).

Nessa mesma altura, acabei por conhecer uma austríaca da OSCE, que estava em Moscovo como observadora internacional das eleições legislativas e, não fora para meu espanto quando ela me diz que, sem qualquer vergonha ou pudor, havia “contadores de votos” com instruções claras para pôr boletins de voto na urna em nome dos eleitores mortos nos últimos 18 meses. Uma fraude eleitoral e uma vergonha patrocinada por Putin.

Agora o método repete-se. O estilo esse, já é velho na política: populista, apaixonado sem conteúdo algum, demagógico, e quase a “puxar à lágrima”.

Em boa verdade, os russos nunca conheceram outro regime que não o do culto ao czar, ao “grande líder”, ao Presidente; e, por isso, vivem numa alegoria da caverna em relação ao que é a real e verdadeira Democracia. Muitos dizem que não há alternativa a Putin. Não duvido, mas aí a culpa é dos eleitores russos: como é que se pode reclamar por Democracia quando os partidos mais votados, e que representam quase ¾ dos votos das últimas legislativas, sejam o partido de Putin, o Partido Comunista e o Partido Nacionalista?!

Aos olhos de um europeu estes resultados parecem uma anedota mas, e apesar de Putin, arrisco-me a dizer que os russos não escolhem, limitam-se a comer aquilo que lhes servem sem uma verdadeira indignação nacional.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:25
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Eu, republicano e de "ressaca".

 

A proposta do Governo para acabar com os feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro é pura demagogia, é puro populismo.

Serão mais dois dias de trabalho que tirarão Portugal do risco (cerca de 70%) de bancarrota? Não me parece, e, certamente não preciso de ter nenhuma especialidade nas ciências económicas para o concluir. Ora, qual foi a ideia então? "Bom, já que queremos obstinadamente cortar e cortar, vamos acabar com dois feriados... ora, deixa ver, o do 25 de Abril não pode ser, senão vão nos acusar de fascistas; o 1 de Maio idem... portanto cortamos a o dia da implatação da República para agradar aos não republicanos, e o da restauração da independência, para agradar aos não monárquicos". Este foi certamente o "genial" pensamento do Governo. Ora, e, não me cansarei de repetir, isto é pura demagogia!

As referidas datas representam marcos fundamentais na História de Portugal e por isso devem continuar a ser comemorados com a solenidade de um feriado nacional.

Esquecer o 5 de Outubro é não lembrar a raiz laica e republicana do nosso regime. 5 de Outubro é o dia em que Portugal passou a tratar todos por igual, idependentemente da sua "casta", das suas origens, da sua "família". A República é aquilo que somos, e sobretudo é aquilo em que nos tornámos: num regime onde todos e qualqer um sem excepção, podem ser titulares activos de cargos políticos. Ora, não comemorar a República é apagar aquilo que somos e sobretudo aquilo em que acreditamos. Convém lembrar que nem Salazar acabou com o 5 de Outubro, mais, era o dia em que tipicamente a ditadura permitia algum tipo de manifestações das oposições democráticas.

Esquecer o 1 de Dezembro é apagar culturalmente aquilo que somos: um país independente desde o século XVII. Mais, não há nenhum país no Mundo que não comemore o dia da sua independência por mais pobre e na falido que esteja.

Estas propostas do Governo matam qualquer unidade nacional (não nacionalista) que se pretenda em tempos como o corrente. Além de demagógicas e rídiculas não têm qualquer fundamento político, social, cultural, (nem sequer económico).

De resto, duas considerações finais: primeiro, e, apesar de ser um convico não socialista, acredito que o PS é essencial à democracia, por isso pergunto-me, onde está o Partido Socialista "republicano e laico"? Desapareceu?!; segundo, a proposta do CDS-PP é um tanto esquizofrénica, senão vejamos: por um lado, defende o fim do 1 de Dezembro, mas por outro, entende que se devem até aumentar as comemorações da restauração da independência, nomeadamente nas escolas, etc. Afinal perceberam o ponto? Pois, eu também não.

 

 

 

(Ok, confesso, a verdade é que faço anos a 4 de Outubro e gosto do day after para descansar).

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:33
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Ídolos

esta notícia não tem nada, mas absolutamente nada, a ver com este excerto.

 

Left to themselves or led by their tribunes the masses never established anything. They have their face turned backwards; no tradition is formed among them; no orderly spirit, no idea which acquires the force of law. Of politics they understand nothing except the element of intrigue; of the art of governing, nothing except prodigality and force; of justice, nothing but mere indictment; of liberty, nothing but the ability to set up idols which are smashed the next morning. The advent of democracy starts an era of retrogression which will ensure the death of the nation and the State . . . .
ProudhonDu principe de federation
publicado por Manuel Pinto de Rezende às 02:37
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

Garzón é um sinónimo vivo de perseguição política.

 

Impõe-se que perguntemos: qual é o medo do sistema? Porque é que quando esteve em causa investigar e julgar os criminosos das ditaduras argentina e chilena não se ouviu uma única palavra de desacordo da Justiça espanhola? Porque é que ninguém da Audiência Nacional (Supremo Tribunal em Espanha) se insurgiu ou sequer pediu a suspensão de funções do juíz Garzón, quando este mandou prender o ditador chileno Augusto Pinochet? Qual é o medo da Manos Limpias (de resto, um nome no mínimo irónico para uma organização de extrema-direita)? A verdade?

As denúncias contra Baltasar Garzón representam uma regressão, uma vez que o direito e a jurisprudência internacional realizaram importantes avanços, nos últimos 50 anos, em relação à luta contra os crimes de guerra e contra a humanidade.

Garzón é um sinónimo vivo de alguém que viveu pela liverdade e sobretudo pela verdade, mas é também um sinónimo vivo de perseguição de pós-franquistas com medo da verdade.

A propósito disto só me consigo lembrar das palavras de Hannah Arendt, uma refugiada judia da Alemanha nazi: "considerada de um ponto de vista político, a verdade tem um carácter despótico. Ela é por isso odiada pelos tiranos, que temem, com razão, a concorrência de uma força coerciva que não podem monopolizar".

Este é sem dúvida um triste episódio (ainda sem desfecho) da Democracia espanhola.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:56
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012

INSOLVENTE E FALIDO.

 

"Manuel Gonçalves pediu ontem a suspensão de mandato de vereador do Ambiente na Câmara Municipal do Porto, depois de o CM ter noticiado que se encontrava em situação de falência pessoal, mas mantém-se à frente da Águas do Porto. A informação de que o autarca saía da câmara municipal foi prestada aos meios de comunicação social já depois das 20h00." Correiro da Manhã.

 

 

Isto é uma vergonha para a Democracia, é uma vergonha para a Câmara Municipal do Porto, e é uma vergonha para o CDS-PP, já que este este sr., além do fraudulento cargo que ocupava na CMPorto é Secretário-geral adjundo do CDS-PP.

Em Fevereiro de 2008 este sr. é declarado insolvente em Dirário da República, isto é, ficou falido! Ora, a lei é clara, e impede que todos os insolventes e falidos se candidatem a órgãos autárquicos. Esta fraude à lei tem como consequência que todos os actos praticados por este sr. são nulos, ou seja, não valem absolutamente nada.

Este sr. praticou um acto ilegal e tem que ser julgado nas instâncias próprias (ou seja, nos Tribunais!) por isto. Este sr. não tinha, nem tem, capacidade eleitoral passiva e, ao aceitar ser candidato nestas condições praticou um crime.

Posto isto, há que apurar responsabilidades.

Assim, têm que haver consequências judiciais de tudo isto, e consequências de ordem interna partidária. Sim, porque o Secretário-geral adjundo do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros praticou um crime.

É triste o papel que o CDS-PP fez quanto a tudo isto, porque sem dúvida põe em causa a solida coligação partidária e de confiança com o PSD de Rui Rio.

 

"mas mantém-se à frente da Águas do Porto"???!!! Isto é uma vigarice!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 13:59
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

"Especialistas" em democracia

‎"Do rol das 1.682 pessoas já nomeados pelo Executivo para cargos no Estado, apenas 720 são novas escolhas, garante o governo. Mas destes, apurou O DIABO, três dezenas são jovens inexperientes com menos de 30 anos, muitos deles oriundos das "Juventudes" do PSD e do CDS/PP. (...) Ao todo, são 14 "especialistas" nomeados pelo Governo que têm idades compreendidas entre os 24 e os 25 anos."

 

a ler, urgentemente, n'O DIABO desta semana.

publicado por Manuel Pinto de Rezende às 11:43
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Da Democracia em Portugal: uma reflexão sobre os 230 "Tiriricas" que se dizem deputados (são poucas, mas há certamente excepções).

 

 

O Jornal de Negócios (re)lançou o tema, está a receber contributos e, assim, (re)abriu o debate sobre o número de deputados que compõem o actual Parlamento português.

Como é sabido a actual AR é composta por 230 deputados, número este que, quando relacionado com o número de habitantes (a rondar os 10 milhões), significa que existe um deputado por cada 43,478 habitantes.

Como é sabido também, e nos termos do actual quadro constitucional português qualquer redução que se venha a fazer, ou mesmo que se pretenda fazer não poderá ser tal, que seja inferior a 180 deputados, já que a Constituição não o permite. Ou seja, caso se pretendesse que o número de deputados fosse inferior a 180 teria que ser precedida por uma revisão constitucional.

Expostos os factos passemos ao comentário e à análise do tema.

Começo por criticar o ponto em que a discussão está a ser tomada. Na verdade, esta devia ser a discussão sobre a necessária e urgente alteração à Lei Eleitoral, ao sistema eleitoral e político, no sentido da melhoria qualitativa da Democracia, e não sobre aspectos adjectivos e de quantidade sobre o número de deputados. Dados (sobre a relação número de habitantes/número de deputados) de outros Estados da União Europeia revelam tudo menos aspectos qualitativos sobre o estado da Democracia nesses mesmos países, se não vejamos: a Suécia e a Grécia (países que em regra não associamos a qualquer nível), têm mais ou menos o mesmo número de habitantes que Portugal e, mesmo assim, têm mais deputados do que no nosso país.

Ora, a discussão sobre esta matéria não deve ter a sua tónica no número e tão pouco, deve ser tida por razões de “redução de despesa pública”. O problema do actual e de muitos dos últimos Parlamentos não tem de todo que ver com o seu número, mas sim com a fraca qualidade de quem tem feito parte dele. Não é de agora que os cofres do Estado estão vazios, mas é de agora que a qualidade política dos actores em cena é demasiado fraca.

Por isto, defendo uma reforma do sistema eleitoral português. Quantos portugueses sabem que deputados elegeram? Quantos (ex-)deputados (além do Fernando Nobre) não o foram por meia dúzia de dias? Quantos candidatos e cabeças de lista dos partidos não o são só até às eleições para atrair o voto por uma “cara conhecida”?

Ora, a actual composição da AR tem deputados que exercem funções mas não foram eleitos, ou seja, não foram universalmente sufragados, tout court. Posto isto, perguntamo-nos, então porquê, e como é que lá estão? A resposta é simples: caíram nas graças dos partidos. Porque sim, são os partidos que escolhem que “sopa” é que os eleitores vão ter que comer. É esta a triste realidade da Democracia portuguesa.

Assim, e porque há alguma Direita que às vezes se diz conservadora outras vezes se diz liberal, e que tenta conciliar duas motivações ideológicas tão distintas (historicamente, sociologicamente, filosoficamente, etc.), que no final não é uma coisa, nem outra. Mas, se há ponto comum nesta dita Direita que nunca leu Tocqueville ou Popper é que segue o cliché de “gostar do modelo inglês” para tudo! Faço portanto um desafio (à dita Direita): que seja alterado o actual sistema eleitoral português para o modelo eleitoral inglês.

Porquê? Para o reforço (substancial!) da legitimidade política daqueles que nos representam e claro, para que o eleitorado não esteja dependente do sobe e desce do cacique, e do “amiguismo” partidário.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 23:28
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Um Problema da Modernidade: Androfobia

Ser um Homem é ser diferente. A priori, ser um Homem engloba, entre outras coisas, não ser uma Mulher. O mesmo se passa para as senhoras - ser uma Mulher engloba, entre outras coisas, não ser um Homem. Pode parecer simples, mas nem todas as pessoas hoje em dia estão aptas para ver a diferença. Não há nada de igualitário ou democrático na virilidade. De facto, a virilidade é absolutamente anti-democrática - quando a definimos como o conjunto de qualidades que regem uma sociedade moral, sustentada no vigor, na coragem, na honra e na honestidade, vemos que não há espaço suficiente (pode tirar um ou dois fins-de-semana, no máximo), no homem viril, para a actividade masturbatória conhecida actualmente como angariação de votos. A democracia é, além de analfabetizante, (assinar com uma cruz as nossas preferências políticas é quase tão humilhante como um exame rectal) uma perversão do elemento feminino social. O concerto generelizado e compromissório é coisa que se aceita na gentil e descomplexada natureza das mulheres, aquela fábrica moral com que se mantém a paz nas sociedades e a harmonia nas famílias. Tomado em exagero, como no caso da sociedade democrática, desvirtua tanto o papel masculino como o feminino. O sufrágio universal tem apenas um efeito possível sobre os valores de bravura e virilidade que criaram a nossa civilização cristã e europeia - murcham-na. E de facto, não há paneleirice económica ou "causa social" que valha ao empreendedorismo do membro viril. O Homem.

 

(não fique o leitor mal impressionado, sou um democrata convicto, activo lutador contra a abstenção: nas últimas eleições votei em todos os partidos na lista de voto)

 

Então, se a própria política está contra aquilo que significa ser um Homem - sim, porque não basta nascer-se Homem, é preciso Ser um Homem - que dizer da Sociedade? É igualmente Androfóbica. A sociedade viril tem por fundações a relação pai-filho. Todo o jovem mancebo estremece quando pensa que vai ter de ouvir um ralhete do pai. Muitas vezes, o didático ralhete converte-se, num ataque de pia iluminação sacra, num bom par de estalos. O pior para a educação do mancebo é que a punição venha às prestações - o famoso "fizeste asneiras, meu menino, ficas de castigo no teu quarto". O jovem garboso não quer ficar no seu dormitório, onde não pode andar ao soco sujo com os colegas, ou dar beliscões nas perninhas das amigas - coisas que faz numa inocência quase cristã. Ele sabe que vai sofrer pela sua maldade, e vai sofrer a pronto - como um Homem. No entanto, a ética bancária de alguma burguesia - e mais uma vez, disfarçada de conselhos de psicólogos modernaços, a principal inimiga da virilidade, a paneleirice- parece ter convertido a Família, recinto mágico onde se endoutrina o Homem, numa sucursal do BES.

 

Sejamos justos com as crianças, e connosco - temos um quarto das habilidades técnicas que têm os nossos pais. Muitos de nós não sabem mudar uma lâmpada, fazer uma instalação eléctrica, desmontar uma árvore de Natal. A perda das habilidades técnicas, que são salutares ao espírito, devem-se à perda de contacto físico entre Pai e Filho. Separados na Galheta, afastados na Bricolage. Mas nem todas as famílias são o mesmo caso, nem o mal se prende apenas à acção maricas de alguns dos nossos pais modernos. A Televisão, a vida urbana, as delícias da vida dita "civilizada", têm um efeito terrível na produção de virilidade. Há dias um amigo queixava-se que o pai, de desconfiar dos jeitos citadinos dele, nem se sentia confortável para lhe ensinar a podar. E quem pode culpar os progenitores de se sentirem assim? Vejamos a postura de muita mancebia que por aí anda: costas curvadas, ombros descaídos, cabelo desgrunhado e figura desleixada propositada!!! (o que é, vejamos, o máximo de anti-virilidade possível) composição óssea a lembrar Auschwitz, sempre ao colo da namoradita ou a circular numa entourage de outros sodomitas iguais a ele. Os piores androfóbicos, senhores, somos nós. Se não reagirmos contra os abusos da nossa geração, seremos os últimos de uma orgulhosa raça de gente bem-humorada.

 

A Causa pela Virilidade: temos aliados políticos?

 

Não. O actual governo, apesar de se dizer de Direita ("direitinha") é contrário à virilidade. Ser viril é reagir de forma positiva às consequências dos seus actos. Este governo nunca terá coragem política para enfrentar cobardias sociais, como o aborto ou a discriminalização das drogas, ou o casamento homossexual, porque este governo é, para todos os efeitos, efeminizado.

O ataque ao tabaco é a típica coisa abichanada que um governo "direitinha" teria a ideia atrevida de apoiar. Já não falo da prometida proibição de venda de tabaco a retalho (não fora a democracia a castrar este outrora orgulhoso povo, e bastaria essa lei herética aos hábitos da comunidade para justificar um assalto ao parlamento, seguido de empalamento geral dos deputados - especialmente os da "direitinha", possivelmente mais acostumados à ideia do empalamento). Falo daquele promo publicitário em que aparecem criancinhas a falarem dos seus hábitos tabágicos com voz de gente crescida. A ideia, à primeira vista, é alertar para o facto de os putos, estando por perto, consomem fumo.

 

E o verdadeiro propósito? O verdadeiro propósito é androfóbico. O que a classe hermafrodita de pessoas que controlam a moral (ou imoral) pública quer é retroceder o Homem ao estado em que ele está mais facilmente susceptível - os seus anos de Rapaz.

São os hermafroditas os principais inimigos da sociedade viril. Trataram de pegar numa sociedade de Homens e Mulheres, e tranformaram-na numa Sociedade Comercial. Já não existe diferença oficial entre o macho e a fêmea na sociedade humana ocidental - ambos são caixas registadoras que copulam. Uma caixa registadora não educa filhos. A relação pai e filho foi a que mais sofreu com a desvirilização democrática da sociedade. Que será que um Homem pode falar com um projecto de Homem? Sobre partidos políticos? Nem pensar, se houver pudor cristão. Sobre o activismo na Amnistia Internacional, ou num movimento LGBT? Eles ainda não são a maioria de nós, e para falar em mariquices mais vale estar calado à mesa.

 

Três coisas restam a um pai que chegue cansado do trabalho, e a um filho que aguarde ansiosamente a vinda do seu mentor e amigo: Fátima (Deus e a Religião), Futebol (ou qualquer outro desporto que os una) e Fado (ou o Rancho, ou a Confraria, etc.). Exactamente o tipo de coisas consideradas pela paneleirice que nos governa desde 1974 como mesquinhices de Estado Novo. Sejam de Estado Novo ou Estado Velho, ao ritmo a que desaparecem, aí sim veremos a falta que nos fazia, num jantar cansado entre um pai e um filho, uma típica conversa de Homem.

publicado por Manuel Pinto de Rezende às 13:34
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O Talentoso Sr. Sócrates

 

Confesso que sempre fui um tipo muito dado a dúvidas e questões. Sempre me interroguei sobre o porquê de algumas coisas e nunca entendi o desfecho de outras. Ao que parece, nunca fui nem muito astuto nem muito resoluto e muito menos atento ao que se passava à minha volta o que levava que as minhas interrogações normalmente esbarrassem em contra-interrogações que deitavam por terra as minhas próprias inquirições. Acertei, porém, na mouche quando olhei para José Socrates e perguntei: “no fundo quem é este gajo?”. Ao que parece aquele gajo era um ex-ministro, sem passado profissional relevante, sem um percurso académico brilhante e com uma carreira política que o deixaria em boa posição para assumir um cargo no conselho de administração de uma qualquer companhia que estivesse a negociar um contrato milionário com o Estado, mas nada, nem mesmo a sua passagem enquanto ministro do Ambiente deixaria antever que estaríamos perante o primeiro-ministro de Portugal.

 

Posto isto, sinto a necessidade de realçar que apesar de considerar que o Sr. Sócrates irá permanecer na história como o pior Primeiro-Ministro que a Democracia conheceu, eu não o censuro. Afinal de contas, o Sr. Sócrates foi o Primeiro-Ministro que o sistema permitiu, e só actuou como sempre foi ensinado e de acordo com o que o partido e o sistema dele esperava. O Sr. Sócrates é tanto o produto letal de uma Democracia podre, pródiga na criação de  animais políticos, como o Sr. Messi  ou o Sr. Iniesta são produtos de La Masia, a encantadora caixa de talentos da cidade Condal.

 

Esta é a sina de Portugal e da Europa. O ataque dos clones começou há algum tempo atrás. A dimensão e a densidade politica foram caindo em desuso em detrimento de valores opacos e de muitos milhões de euros que inebriaram as populações. É preciso Democratizar Portugal. Lá nisso o Sr. Passos até tinha razão...

 


p.s. O tema não é novo nem original, mas nada como começar neste blogue com uma autentica falácia. Afinal, é disso mesmo que isto se trata. 

publicado por JFC às 00:02
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

O Propósito.

Tudo tem o seu propósito, a sua razão de ser, o seu porquê, o seu motivo, e claro, a sua função. Não precisamos sequer de pensar muito para saber que, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo veio ao Mundo para salvar os Homens; o Sócrates foi para Paris para finalmente ter um “canudo” passando simultaneamente a imagem de um político no exílio; o Basílio Horta virou à esquerda porque já não tinha lugar no táxi; o grupo Jerónimo Martins deslocalizou-se para a Holanda porque o Ministro de Estado e das Finanças passou a ser cliente do Continente; a Zita Seabra virou à direita porque percebeu que era a escrever livros que ganhava dinheiro; enfim, exemplos não faltam para comprovar que tudo tem o seu propósito. No fundo, e como há um século disse Louis Sullivan a propósito da arquitectura: a forma segue a função. Ora, a forma como agimos e sobretudo como criamos algo novo segue sempre um propósito, uma função.

Neste sentido, entendemos que havia espaço e dinâmica para o surgimento de mais um blog. Por isso, o propósito de tudo isto é criar um espaço de ideias onde socialistas, sociais democratas, liberais, absolutistas, conservadores e não rotulados têm o seu assento. O processo de formação desta câmara de comuns não conheceu o sobe e desce do cacique mais partidário do que político, e portanto formou-se em torno do mérito das convicções dos seus autores e não de qualquer outro tipo de circunstância.

A ideia foi simples: juntar pessoas (umas mais jovens do que outras) de diferentes pontos do País e com diferentes moradas (dentro e fora de Portugal); de diferentes credos, de diferentes convicções, de diferentes profissões, e de diferentes sensibilidades políticas.

Propomo-nos a pensar e a discutir a actualidade. Da política (nacional e internacional) à economia; do desporto aos fait divers do costume.

Se, como alguns dizem, a partidocracia está a arruinar a democracia, cabe-nos também a nós contrariar esse sentido. Assumimo-nos como o quinto poder: o poder dos comentários. Seremos o deputado 231º. É este o nosso propósito.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 01:11
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
democraciadasfalacias@sapo.pt

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