Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Quem é quem (incompleto)

Afonso Reis Cabral

 

Ninguém sabe o que lhe deu: aos dez descobriu que, para além de ler, gostava de escrever. A partir daí tem ido sempre em direcção à Literatura. Publicou o primeiro livro de poesia aos quinze anos, Condensação. Primeiro e único, de resto alguns textos em periódicos dispersos. Desde então escreve prosa e estuda, não faz mais nada – nem sequer tem Facebook. Considera-se responsável pela falência grega: concorreu a um prémio europeu de tradução de grego antigo, e o Ministério da Educação da Grécia pagou-lhe uma semana em Atenas, tudo incluído. Licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos na FCSH, Universidade Nova de Lisboa, reincide e frequenta o Mestrado em Estudos Portugueses. Revisor de texto, acha que ser precário é uma aventura. Já tentou fugir do país, não o quiseram lá fora. E para ficar, há que ficar a sério.

 

 

Carlota Manique

 

Nas vésperas de terminar essa longa via sacra que é a licenciatura em Direito, sente que passou mais de quatro anos da sua vida a ouvir que 'não há nada mais prático de que uma boa teoria' e que a tão querida querela doutrinária é uma constante na vida de qualquer jurista. Vê o Direito de uma forma transversal e acredita que a justiça é a base da sociedade.
Após um agradável período de vida erásmica na Alma Mater Studiorum, hoje em dia vê a sua vontade de se tornar legum magistra numa outra universidade do velho continente como uma neurose –rectius, uma elaborada representação mental de um castelinho no ar. Com efeito, acredita que esta será uma influência das práticas reiteradas na antiga RDA, que nos dias de hoje estão cada vez mais em voga nas políticas da zona euro.
Encontra-se mais à direita, mas não confirma nem desmente que tem uma costela de esquerda. Gosta de olhar para o futuro, mas por vezes sente que jamais haverá estadistas como Churchill, que ainda que passem a manhã na banheira e bebam meia garrafa de whisky eram bem mais eficientes do que muitos dos ‘corta fitas’ que dominam a cena política nos nossos dias.
Sabe muito bem o que quer, o que não quer e para onde vai, mas assume que se engana e que frequentemente tem dúvidas.

 

 

Duarte Cameira

 

Enquanto termina a licenciatura no ramo da astrologia/adivinhação conhecido no passado por Economia, leva uma vida tranquila, pautada por bons vinhos, filmes, música e uma obcessão pelo Benfica. Gosta de tudo, menos restauração. Ao fim de três anos na Universidade Católica do Porto, é seguro afirmar que Economia diz-lhe tanto como bordados ou alheiras de Mirandela. Iludido pelo jogo, dinheiro e Warren Buffet, escorregou na banana que é o Ensino secundário em Portugal. Agora, com o chão a aproximar-se, a única esperança é viver em casa dos pais, acordar à hora de almoço e usar roupão até ao jantar. Infelizmente, a ideia de realizar um Mestrado na da Zona Euro revelou-se, por motivos óbvios, um sonho de grandeza só comparável ao regresso da Pantera Negra aos relvados. Por isso, afunda-se cada vez mais no limbo do final de curso, apesar da tentação de começar a trabalhar supere a sensação de estudo “ad eternum” materializado pelo mestrado. Tranquiliza-se com Aristóteles, onde “a dúvida está no âmago da sabedoria” e com o jazz de Miles Davis, mas isso são contas de outro rosário. Politicamente, encontra-se dividido entre o bife com batatas fritas e espetada de lulas com gambas, mas costuma votar laranja, desde que não esteja azeda. A música sempre foi uma paixão, saltitou por vários instrumentos e aprendeu a ler pautas. Quanto a cantar, Bob Dylan só há um, e Quim Barreiros também, mas ninguém é insubstituível. A prática do xadrez emprestou alguma seriedade na viragem da primeira para a segunda infância, apesar do medo cénico ter sido um companheiro de viagem nos vários campeonatos.

 

 

Frederico Marchand (Francesinhus)

 

Cada vez mais velho.

Cada vez mais tripeiro.

Cada vez menos a cantar Fado.

Cada vez mais portista.

Cada vez menos jurista.

Cada vez mais religioso.

Cada vez mais ou menos Católico.

Cada vez mais a viajar pelo mundo.

Cada vez menos social-democrata.

Cada vez mais cinéfilo.

Cada vez menos tolerante para com a burrice, estupidez e incompetência.

Cada vez mais a gostar mais de Portugal.

Cada vez menos falacioso...

 

 

Gonçalo Dorotea Cevada 

 

Diz-se federalista europeu e liberal, ao ponto da Direita o acusar de um certo socialismo envergonhado. Mas foge de rótulos. Diz-se democrata mas vibra com o Hino Nacional da União Soviética. Diz-se pacífico mas faz por ser um terrorista político. Diz-se católico mas há dias que sonha ser convidado para um encontro da Mozart 49. Diz-se de Direita mas cada vez que viaja além da “cortina de ferro” adora comprar recordações comunistas. Diz-se capitalista porque sempre que vai a Barcelona gasta fortunas no Kibuka (um restaurante japonês em Gràcia). Diz-se um “Homem do Mundo” mas até ter ido estudar no Verão de 2009 para a UCBerkeley o seu inglês metia pena. Diz-se um fã do Anthony Bourdain mas não há nada que lhe cure melhor a típica sede de Domingo do que uma ida ao McDonalds.

Tem como livro de cabeceira A Theory of Justice do Rawls. Tem 23 anos e é finalista de Direito na Universidade do Porto porque sim. Na verdade queria ser filósofo ou realizador de cinema. No fundo, o que quer mesmo é ser ensinado nos livros de História e coleccionar carimbos de todos os países do Mundo. Sempre que pode planeia viagens atrás de viagens, com orçamentos atrás de orçamentos, e compra guias e mais guias. Adorava fazer de Gonçalo Cadilhe durante um ano. Odeia os tipos do Eixo do Mal da SICN, mas não perde um. É viciado em cinema e quando viaja gosta de fazer passar-se for fotógrafo.

 

 

João Francisco Cunha

 

Nasceu numa madrugada de 1988, num tempo em que não se falava em globalização e o Júlio Isidro ainda aparecia na televisão. Viveu, cresceu e aprendeu em Coimbra até aos seus vinte anos quando se mudou para Bolonha e descobriu o que era o mundo. Formou-se em Direito e é estagiário na Miranda, Correia e Amendoeira mas gostava de ter estudado Kant e Platão ou de ter tido coragem para se ter dedicado a algo mais esotérico do que a complicada aprendizagem das Leis.

Federalista europeu convicto, liberal, gosta de acreditar num país que é visto por todos como “lixo” e numa geração dita rasca. Não recusa nem as maravilhas da vida boémia, nem uma visita à Catedral onde diz que se sente em casa.

Não tem filiação partidária, e aprecia uma pessoa que goste de pensar pela sua cabeça e se mantenha “out of the box” e nada lhe dá mais prazer do que uma boa discussão.

Nada mais há para acrescentar sobre este cidadão ainda em formação para além do facto de assumir publicamente que só sabe que nada sabe, mas que ainda assim, vai sempre tentando saber um pouco mais.

  

 

Manuel Pinto de Rezende.

 

Monárquico sem rei, católico com muita lata. Como gosta que a família se preocupe com ele, está a tirar uma licenciatura no curso de História, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Quer recuperar para a Direita, através de uma endoutrinação exaustiva, o pensamento de Bonald, deMaistre, Burke e Gama e Castro, mas prefere ir passear com a namorada aos domingos.

Barroco dos pés à peruca, tem a pretensão de ser um espartano rústico, mantendo como únicos vícios o seu tabaco Ducados e os pastelinhos de nata.

Como já esteve envolvido em "demasiados" projectos académicos, sociais e políticos (mas nunca, por uma questão de pudor sexual, partidários) nunca teve de trabalhar "a sério" um único dia da sua vida, e se isto da História lhe correr bem, conta nunca vir a ter de o fazer. Comummente descrito como um reaccionário soberbo, homofóbico e cristão, conflituoso e controverso, reza a lenda que, quando sozinho e isolado numa cave, consegue ser moderadamente afável. Acredita que o mal veio ao mundo em 1789 e que o último rei português morreu em 1866. Pensa que é demasiado jeitoso para ser de Direita e nunca cometeu um erro de sintaxe na vida.

A popular expressão "A Arte fica; o Rezende petrifica" tem origem num comentário ao seu tradicionalismo radical.

 

 

Miguel Amaral

 

Nasceu em Janeiro de 1986. Formou-se em Engenharia Civil com a especialização em Geotecnia com o Mestrado Integrado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Actualmente é aluno de Doutoramento na mesma instituição e realiza investigação científica na área da alta velocidade há três anos, concomitantemente é aluno de MBA no Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais. Durante o seu percurso académico teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos melhores investigadores e laboratórios mundiais. Entre eles destacam-se os sediados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil; Universidade de Waterloo, Ontário, Canadá e Universidade Politécnica da Catalunha, Espanha.

Ao longo da sua carreira como estudante, realizou inúmeros projectos e acções de formação. Converteu-se especialista em modelação e validação de modelos pela Universidade de Bauhaus, Alemanha, trabalhou como Engenheiro consultor nas Barragens de Padroselos e Alto Tâmega e formou-se como líder e gestor de equipas pela FEUP. Desenvolveu também trabalho voluntário ao serviço do Banco Alimentar contra a Fome, Sociedade de São Vicente de Paulo e na luta contra o abandono escolar prematuro.

Actualmente, é detentor de uma empresa de Marketing Estratégico designada por ACAdivulgue e acumula a actividade empresarial com a de docente convidado no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Paralelamente, trabalha em análise de mercados bolsistas através da via empírica e desenvolve modelos de avaliação de desempenho de pessoas especializando-se em nichos da gestão de recursos humanos.

 

 

Miguel Guimarães

 

O incêndio do Chiado foi um prenúncio do seu nascimento, que aconteceria no dia seguinte. Portuense de gema e Portista ferrenho, abandonou o ninho com 18 anos em direcção a Lisboa, onde vive desde então.

Licenciado em Direito, foi condenado a frequentar, de seguida, um mestrado em Ciências Jurídicas Forenses (whatever that may be...), dada a brilhante adaptação do mundo jurídico português ao Processo de Bolonha.

Filiou-se com apenas 16 anos na Juventude Popular e teve um percurso interessante no associativismo estudantil, iniciando-se nessas lides no seu 11º ano e reformando-se no último ano do curso - ano este em que se apercebeu que, se calhar, deveria empenhar-se em coisas mais úteis!

Muitas vezes descrito como uma pessoa calma, ponderada e razoavelmente inteligente, gosta de deixar a sua marca onde vai passando e tem o dom de, facilmente, agregar em torno de si indivíduos inconformados com o statu quo. É convictamente de Direita, ingerindo conservadorismo e liberalismo, em quantidades moderadas. Escreve, orgulhosamente, todas as consoantes mudas, hífens e acentuações que lhe ensinaram antes da pátria de Pessoa ser invadida pelas suas antigas colónias - e continará a fazê-lo até que lhe apontem uma arma à cabeça.

 

 

Tiago Costa Pereira

 

Nasceu numa bela tarde de Maio no coração do Porto, orgulha-se desse facto e de gostar de tudo o que a cidade tem para oferecer, recordando a tudo e todos que foi o Porto que deu o nome a Portugal.

Deu por si, ainda pequeno, numa escola onde se falava mais Francês que Português, facto esse que fez despertar bem cedo a sua faceta irreverente e de desobediência, atraindo colegas para o seu jogo preferido: "Quem é o primeiro a ser expulso da aula?".

Com os anos e os castigos que o acompanharam, decidiu interessar-se por História e por Ciências, tendo longos debates com os professores sobre questões que iam desde a "Origem da vida" a "O que realmente aconteceu em Duinkerke?".

Sendo uma vítima da genética mendeliana, como todos os seres humanos, decidiu tirar o curso de Medicina, estando agora no quarto ano em Santiago de Compostela.

Politicamente decidiu virar à Direita, pois a estrada da Esquerda era de terra batida, filiando-se na Juventude Popular, onde participou activamente, com e sem cargos, enquanto o deixaram. A nível associativo, também não desiludiu, deixando sempre uma marca por onde passava. Sempre se considerou "O Homem do Presidente", mas, em Julho deste ano, deixou esse rótulo para liderar um novo projecto na Associação Nacional de Estudantes de Medicina no Estrangeiro - ANEME.

 

 

Tomás Gonçalves da Costa

 

Tem procurado, a muito custo, formar-se nessa ciência oculta que é o Direito mas o seu sonho é dedicar-se à lavoura e ser dono de uma porquinha. É teimoso da parte do Pai, com origens no Baixo Minho e pragmático da parte da Mãe que se diz tripeira.

Quer acabar os seus dias no Porto, cidade onde nasceu e cresceu. Vai, pelo menos uma vez ao ano, a Fátima, aos Touros e ao Fado. Não gosta de rótulos.

Vota CDS e milita na sua juventude partidária onde já perdeu muitas eleições.

Era eurocéptico até ter feito Erasmus em Estrasburgo. Diz quem o conhece que voltou de lá diferente.

Considera-se um idealista que não aceita que o possível seja igual ao ideal.

Pastas:
publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:47
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