Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Para quando o capitalismo?

Diz-se que o capitalismo está voltado para a produção de comercializáveis. E a economia de serviços que a Europa adivinhou para Portugal?

 

Diz-se que o capitalismo objetiva o lucro. Qual lucro?

 

Diz-se que o capitalismo se sustenta na propriedade privada dos meios de produção. Sim sim, aqueles que compramos aos EUA, Alemanha, China e alguns países nórdicos.

 

Diz-se que o capitalismo se baseia no constante reinvestimento do capital produzido. Financiamento? Dívida? Dois leigos sinónimos com conotações bem distintas…

 

Diz-se que o capitalismo é fluxo, entradas e saídas. Hum… Dinheiro, pessoas, apenas vemos um sentido.

 

Mais considerações teríamos se mais pacientes fossemos para as ler.

 

 

Por tudo isto, será que alguma vez Portugal foi uma sociedade capitalista? Tenho dúvidas. De alguns países onde tive oportunidade de viver fica-me a sensação que Portugal é de facto um país pouco capitalista. Mais ainda, tenho a impressão de que não sabemos viver de uma forma livre, que não somos mentes tão abertas como deveríamos. Ora, numa altura em que se exortam os elogios de um povo e de uma nação, não devemos descurar o escrutínio dos nossos defeitos crónicos.

 

É fácil encontrar excertos de elogios fortes a Portugal mas também é simples o encontro de críticas devastadoras. Estou a lembrar-me do anúncio da Coca-cola que pinta o nosso país de paraíso como das agências de rating que o envolvem de lixo.

 

Parte do encontro com as nossas boas características passa por perceber os nossos defeitos e neste aspeto temos uma boa ajuda. Quer queiramos quer não, nós e os IGS (que juntos formamos os PIGS) somos arrepiantemente parecidos (sim, com os gregos também). Respeitando as devidas diferenças, todos fomos impérios, todos somos familiares e não lidamos bem com o risco. Gostamos de estabilidade nas nossas vidas e achamos que isso nos é devido, o tal emprego para a vida é um bom exemplo. Os poucos cidadãos do mundo que conheço com resquícios destas características são ex-colónias destes outrora impérios. Como sabemos, nenhum dos PIGS goza de saúde financeira e social. Assim, temos 4 países, em condições geográficas, climatéricas e sociais muito semelhantes, cheios de dificuldades. Este é o ponto positivo! Temos repetição e isto torna o diagnóstico do problema bem mais fácil. O que há em comum entre Portugal, Itália, Grécia e Espanha para que num dia prosperem e no outro não?

 

A resposta não é simples mas encontramos uma tendência. Nem sempre os PIGS foram assim. Na altura em que prosperavam, cada uma das condições do “diz-se que o capitalismo…” estava apurada e hoje em dia, nenhuma daquelas categorias se verifica. O que motivou? Poderia conjeturar qualquer coisa mas a verdade é que não tenho a certeza. No entanto, uma coisa sei; enquanto não formos livres não podemos ser capitalistas e não podemos ser livres enquanto não aceitarmos os riscos dessa liberdade. Por muito tempo sentimo-nos confortáveis com o paternalismo que nós próprios sufragámos e agora teremos de reaprender a ser livres… se tal nos for permitido pois a liberdade assusta quem quer proteção.

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 16:24
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