Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

A web de hoje e a web de amanhã

A Internet assusta muita gente? Sim! Pode assustar ainda mais? Pois claro que pode.

 

 

Trabalhamos diariamente com a world wide web. Alguns de nós estamos ligados à rede 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelos nossos smart phones. Muitos já passaram por eventos de caráter social combinados através da web e até aqui não estou particularmente preocupado.

 

A web de primeira geração nasceu em 1990 como um repositório de documentos e hiperligações. Pelo seu formato aberto, cada um de nós era livre (e ainda é) de colocar e descarregar material de interesse ou não. Quando surgiu o boom de utilizadores criaram-se os primeiros motores de pesquisa que nos permitiram aceder à informação de uma forma mais prática e empírica. Até aqui, tudo bem!

 

Em 1998 nasceu a web da colaboração social, a web dos conteúdos editáveis, a web de 2ª geração. A wikipedia foi (e ainda é) um excelente exemplo e um caso de sucesso. Nasceram também os primeiros resquícios de redes sociais que alguns de nós utilizámos. Nada a apontar.

 

Em 2000 aparece a web dos dados ou a web do free (mudei para presente). Juntamente com esta nova rede aparece um novo paradigma comercial. Muitas das grandes empresas, a operar neste regime, disponibilizam grande parte dos seus produtos gratuitamente (aqui refiro-me diretamente à Google, ao Youtube e ao Facebook mas existem mais exemplos). Como não é o paradigma comercial que me traz aqui; adianto-vos que a web dos dados é a ferramenta que permite fazer uma pesquisa e obter resultados diferentes em função do local da pesquisa. É a web que nos permite pré-visualizar páginas através de motores de busca ou visualizar vídeos a partir de uma página na internet. Aqui estou ligeiramente assustado porque deixei de saber fazer, não sei fazer nada em formato html a não ser “ver”. No entanto, cá me aguento.

 

É a web de 4ª geração que me deixa com dor de estômago. Esta é caracterizada pela inteligência artificial, sistema operativo e omnisciência. A inteligência artificial é uma extensão da modificação do resultado da pesquisa em função do local. É, por exemplo, o motor de busca saber o que pretendo em função da data e hora da pesquisa, do local (shopping, escola, empresa, cidade, etc..), velocidade de digitação dos carateres ou força que lhes aplico, tudo isto em perfeita integração com toda a informação e dados sobre mim que inevitavelmente publiquei na web.

 

O espírito crítico permite-me concluir que os algoritmos e bases de dados que suportam a web de 4ª geração vão muito para além da minha compreensão, ou seja, estou irremediavelmente desatualizado. Aqui aparece a primeira dor estômago. Terei e quererei utilizar uma coisa que não vou fazer a mínima ideia como funciona. Por outro lado, dada a complexidade dos algoritmos de integração, apenas poderá existir um grupo restrito de pessoas ou instituições que terão a Big Picture e isto fará com que se tornem extremamente poderosas. Está aqui a segunda dor de estômago. Mais ou menos, uma rede em formato on-line como esta já existente:

 

No entanto, não profetizo a desgraça. Sei que a sociedade pode ganhar muito com a web de 4ª geração mas estas minhas dores de estômago já ninguém as tira.

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 12:17
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 3 de Julho de 2012

Que ando eu a fazer?

 

Antes de vos passar a mensagem que me trouxe hoje aqui devo fazer uma ressalva. Pensei bastante se haveria de escrever este artigo. Pensei porque corro o sério risco de cair no autoelogio. No entanto, acredito que a mensagem que pretendo partilhar convosco é mais importante que a minha cara lavada de pseudo-humildade, por isso, aqui vai:

 

Estou a um mês de terminar o meu doutoramento em Engenharia Civil mas como menino responsável fui enviando uns currículos. Mentira, enviei muitos… Em grosso modo enviei currículos para a totalidade do parque empresarial direta ou indiretamente ligado à construção civil (acreditem que é muita empresa). O desespero foi de tal forma grande que me levou a candidatar a empresas em insolvência (claro que sou um idiota). Juntamente com o doutoramento em Engenharia Civil seguem o mestrado e licenciatura na mesma área, um MBA em gestão de empresas, cursos em diversas instituições como a Universidade de Bauhaus, Universidade de Waterloo e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porque nem só de cursos vive o Homem, acompanham-me nas competências Académicas a experiência na indústria em infraestruturas de transporte, barragens e investigação avaliada e reconhecida por instituições internacionais de prestígio. Como se não bastasse, guardo experiência na gestão de projetos, conceção de produto, inovação tecnológica e Marketing. E a partir de agora acaba o autoelogio…

 

Os currículos que enviei estavam cuidados com cartas de apresentação personalizadas que descreviam o que a empresa poderia ganhar com a minha contratação (como deve ser…). Na mesma carta explicava (dava a entender) que não exigia remuneração adicional, ou seja, aceitava as mesmas condições que um recém-licenciado assumindo que ainda tinha muito que aprender. Sabem qual foi o resultado da minha campanha? ZERO, NADA, um vazio absoluto. Para além das empresas que nem sequer responderam (que foram a maioria):

  • Umas disseram-me que não estavam a contratar (o que me parece legítimo);
  • Outras disseram que não tinha a experiência necessária (justificação que não me agrada mas que aceito);
  • Outras disseram que a minha formação não perfaz os requisitos mínimos traçados pela empresa (justificação que começo a não aceitar de ânimo leve);
  • Outras empresas houve, que me disseram que já era VELHO!!! Sim sim, VELHO! Pessoal, eu tenho 26 anos, como posso ser velho?

 

A justificação foi: “Não queremos órgãos de chefia mais novos que subordinados”. Mas e então…: “a progressão baseada no mérito?” “eu não me importo!”, “que ponham os miúdos a mandar nos velhotes como eu!”. A argumentação de nada me serviu.

 

Não me levem a mal mas tive de desistir de Portugal. Comecei então, desanimadamente, a enviar currículos para empresas lá fora. Passada uma semana, entraram em contacto comigo uma empresa Holandesa e outra Alemã. A Holandesa estava muito entusiasmada porque fui escuteiro e pratiquei desportos de equipa. Já a empresa Alemã perguntou-me quando poderia começar a trabalhar referindo que não podem dispensar alguém que trabalhe tão bem em equipa e que toque guitarra. É caso para perguntar o que ando eu fazer.

 

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 12:12
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
democraciadasfalacias@sapo.pt

.Gente falaciosa

 

.Últimos decretos

. Empreendedorismo jovem

. A web de hoje e a web de ...

. Que ando eu a fazer?

. Para quando o capitalismo...

. Artur Gandra manda pensar

. O queixume.

. Para que a Democracia não...

. The Great Pretender

. Mais uma falácia da democ...

. O verdadeiro Serviço Públ...

.Últimos comentários

Putz! Salariões, hein?Muito mais altos do que na E...
Este artigo é pura ignorância. Dar aulas é uma peq...
Uma coisa que os acordistas não sabem (ou não quer...
Lamento tanta asneira e desconhecimento... o que p...
É pena tanta ignorância e demagogia ... O autor de...
D.Cecília peço desculpa mas não concordo consigo. ...
Olá! Sou brasileiro e, até então, contra ao Acordo...
Estive a reler o artigo que originou esses folheto...
http://www.facebook.com/groups/367844474926/?fref=...
Razão n.º 1 – O novo acordo ortográfico NÃO promov...

.Mais comentados

.Pastas

. todas as tags

.Arquivo

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

.Setembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.Ligações