Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

A crise, e a fuga para os populismos.

 

A semana passada foi rica em acontecimentos muito preocupantes: o peso real da extrema-direita na Holanda, e o aumento do peso eleitoral da extrema-direita em França.

Ora, pensarmos que em 2012, (mais de meio século depois, do fim da 2ª Guerra Mundial), ainda há uns quantos tipos, (daqueles que rezam diariamente pela “alma” do “senhor do bigode”), que fazem cair governos, ou que representam cerca de um quinto da vontade eleitoral dos franceses, é algo preocupante e assustador.

O fantasma adormecido acordou, e a Europa não tem uma resposta de combate a estes fenómenos.

Pior, no próximo dia 6 de Maio, a Grécia vai a votos, e prevê-se que, somados, os partidos populistas ultra-nacionalistas dos extremos políticos, representem 60% da vontade dos gregos. Ora, ninguém acredita naturalmente que os gregos queiram ser governados por loucos histéricos de bigode. Pergunto, porque é que então, por toda a Europa, o papel real da extrema-direita tem crescido desta maneira?

A resposta é simples: os partidos ditos moderados, sejam eles conservadores, socialistas, sociais democratas ou democratas-cristãos, estão de tal forma absorvidos por uma agenda que poucos sabem explicar, que deixam esse papel para os partidos dos extremos.

Estes partidos dão voz,  explorando, e usando os problemas reais das pessoas de forma utilitária e em proveito partidário. E é isto que os partidos moderados europeístas têm que combater: a distância cada vez maior que têm com as pessoas, que têm com o eleitorado.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 18:25
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Uma vergonha.

 

A propósito do “questionário histórico cultural” que a TVI fez durante as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República impõem-se os seguintes comentários, ou melhor, desabafos:

Primeiro, um desinteresse e uma falta de conhecimento da História contemporânea de Portugal. Facto absolutamente assustador e vergonhoso para alguém que é Deputado da Nação;

Segundo, uma facilidade em sortear desculpas pela miserável cultura (ou mesmo falta dela, em todos os aspectos) que têm. Respondem de forma politicamente correcta, circular e para “bom ouvinte” gostar, mas, não saberem quem foi o último “Primeiro Ministro” (na altura Presidente do Conselho de Ministros) antes do 25 de Abril não honra sobretudo o lugar de destaque que ocupam;

Terceiro, os “percursos” daquelas amostras de políticos miniatura, não lhes dão mérito algum para se poderem sentar numa das 230 cadeiras da AR. Ou será que fazer carreira numa “jota” lhes dá esse estatuto?!

Mais, como é que se pode exigir uma educação e um ensino de excelência quando os próprios “representantes” jovens, dizem que o primeiro Primeiro Ministro de Portugal depois do 25 de Abril foi Vasco Lourenço?!

É triste e insultuoso tudo isto.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 03:32
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Sábado, 28 de Abril de 2012

O fim da macacada?

Para que não haja dúvidas, contra mim falo quando mal falo de futebol. Basta visitar o meu profile de facebook para constatar o tempo, a massa cizenta e o pouco bom senso que ainda me resta num desporto que nunca pratiquei exceptuando as "temporadas" na liga amadora da pedreira do N10 e dos torneios de futsal da faculdade. 

O que se está a passar com o Leiria e com a Liga Portuguesa é o culminar de anos e anos de aflições, ameaças de greve, salários em atraso e pagamentos milagrosos. Chegou ao fim o crédito fácil, chegou ao fim o dinheiro fácil, chegou ao fim o tempo do futebol profissional. Durante anos fomos ensinados a respeitar a meticulosa gestão de activos - leia-se pessoas de carne e osso - levada a cabo pelos grandes clubes, pelas transferências milionárias, pelos anúncios da nike e por todo o brilho reluzente das novas e aparatosas chuteiras do Ronaldo que foram preenchendo o imaginário e as ilusões de milhões de fãs sedentos por mais uma contratação, por mais uma tournee  asiática, pela entrada de um outro petromagnata no mundo do futebol. Agora resta-nos limpar os despojos de uma farra de milhares de milhões que continua em forte e despreocupada actividade por outros cantos do planeta.
 

Ao contrário do que reclama o sr. Envagelista, o sr. Figueiredo, recentemente empossado presidente da LPF, não actuou por questões burocráticas, mas porque sabe que assistindo a União de Leiria, este seria o primeiro de uma longa lista onde pontificam nomes de clubes como a Académica, o Setubal, o Guimarães, o Marítimo e por aí adiante a requererem ajuda. A LPF de um momento para o outro, começou a ter sinuosas semelhanças com o FMI, pronto para resgatar os mais pequenos mas incapaz de salvar os maiores.

A União de Leiria, e os pequenos clubes portugueses que para a mesma situação caminham, podem ser facilmente acusados de terem sido geridos por autênticos gangsters locais que se aproveitaram dos seus clubes. Não que a acusação seja de todo falsa, mas porque este não é um fenomeno tipicamente português. Basta olhar, para os clubes de nuestros hermanos e para a sua colossal divida à segurança social espanhola, para tocarem todos os sinais de alerta vermelho.

 

O modelo desmedido que a indústria do futebol utilizou, onde os grandes são cada vez maiores e os pequenos são cada vez mais pequenos, é uma autentica contradição. No final de contas é de um desporto e de competição que estamos a falar for god sake, eu não sei onde é que tinham todos a cabeça mas  os grandes não podem apenas jogar entre si, ou podem?


 

publicado por JFC às 02:14
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

"um político assume-se", por Mário Soares.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 20:16
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Kirchner e Salazar: "orgulhosamente sós".

 

Cristina Kirchner faz-me cada vez mais lembrar Salazar, e a sua vontade num isolacionismo gritante.

Também ela, sob a máxima do “orgulhosamente sós”, vai afundando cada mais a Argentina.

Esta “deriva populista” serve muito à sua sobrevivência política, e muito pouco à Argentina.

Depois do dossier das Malvinas, e do caso Repsol/YTF, só falta mesmo ver a senhora a gritar que “não chorem por ela”.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:52
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O 25 de Abril: entre o valor da “Política”, e o desvalor do “político”.

 

38 anos depois do fim da ditadura que teimava em não ter fim, e 36 anos depois de ter sido lançada a primeira pedra do Estado de Direito Democrático, com a aprovação da CRP de 1976, (independentemente do cunho demasiadamente socialista), fundado no respeito pela liberdade, pela dignidade da pessoa humana, pela pluralidade, pela propriedade privada, pela legalidade, pelo respeito pelos órgãos e instituições democraticamente eleitos, e pela soberania popular, encontramo-nos hoje à beira do desaire, desalentados, desconfiados, e sob um paradigma de um quase fatalismo social, indissociável daquilo que é ser português.

Confesso que tenho dificuldade em aceitar qualquer tipo de fatalismo, pois acredito no Homem que faz escolhas conscientes.

Se para alguns a “Política” é uma ciência (social – com tudo o que isso comporta de pouco científico), para mim é uma arte, a mais nobre de todas elas. A “Política” é a arte de pensar, de contrapor pontos de vista, de reflectir, de debater, de governar.

A “Política” confunde-se ela mesma com o Homem, e com o ser social que necessariamente este é. A “Política” não tem idade, e confunde-se ela mesma com a própria ideia de Humanidade. A “Política” é o prazer dos cultos e eruditos, que fazem dela o seu palco da vida. Mas a “Política” não se coaduna com aqueles que dela se servem exclusivamente em proveito próprio, movidos por propósitos fúteis, e que em nada dignificam a “Política”, antes a desacreditam perante as pessoas. Esses são os parasitas políticos, os micróbios do sistema, a razão do coma da “Política” lusa.

É um cliché afirmar que “os políticos não são todos os iguais”, e não. Mas estas maçãs podres do sistema, acompanhadas de uma retórica contagiante, de uma demagogia, e um populismo de “fazer chorar as pedras da calçada”, estão a corroer o sistema de tal modo, que se torna difícil distinguir o bom do mau. E, como um dia afirmou José Gil, “se não afastarmos agora o nevoeiro que ameaça novamente toldar o nosso olhar, poderá ser demasiado tarde quando nos apercebermos que, sem dar por isso, nos encurralaram num beco, por um período indeterminado”.

A culpa é nossa. A culpa é nossa porque em Democracia a escolha é nossa. Fomos nós que permitimos este estado de coisas. Contudo, há sempre tempo para mudar este paradigma, afinal não há fatalismo que vença a vontade humana.

Durante 38 anos, a “Política” portuguesa conviveu lado a lado com políticos, que numa ânsia e numa obsessão, muito para lá de maquiavélica, tudo fizeram para a manutenção do poder. E nós, não dissemos basta; optámos antes, por (con)viver com este mundo escorregadio de uma imoralidade assustadora.

Para aqueles, que tão bem Gil Vicente definiu, é a “lei do vale tudo”: desde chantagear, desde corromper, desde falsificar votos e alterar resultados eleitorais, desde agredir, desde mentir deliberada e reiteradamente, desde perseguir. Muitos estarão a pensar, “mas em que mundo é que este vive?”. Pois bem, este é o admirável mundo dos partidos políticos. E, como todos sabem, as ementas eleitorais são cozinhadas nos seio destas pequenas máfias, para que, as pessoas em dia de eleições vão lá votar. No seio desta gente pouco esclarecida, onde o conhecimento está condicionado às vontades dos dias, se vai escrevendo a “Política” lusa.

Há quem diga que “o poder corrompe”. Ora, o primeiro passo para combater e contrariar isso é, ter consciência disso, e rejeitar qualquer fatalismo a esse respeito.

Apesar da falta de idoneidade política e moral que caracteriza as Juventudes Partidárias, essas tão conhecidas “escolas de crime”, esses tão conhecidos “partidos políticos dos pequenitos”, ainda há esperança, que aqueles que se venham a dedicar à arte da “Política” num futuro não muito distante, façam melhor.

Eu acredito, que um dia consigamos contrariar a análise certeira e realista, que Jacques Amaury (sociólogo e filósofo francês, Professor na Universidade de Estrasburgo) fez recentemente a propósito da “Política” portuguesa, onde afirmou que, “a política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário”.

Àqueles que me poderão acusar de um qualquer tipo de idealismo, eu relembro Mark Twain, quando afirmou um dia: “Não abandones as tuas ilusões. Sem elas podes continuar a existir, mas deixas de viver.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:35
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Miguel Portas.

 

Aqui fica a minha homenagem ao homem e ao político que foi Miguel Portas, um homem para quem a liberdade era algo inesgotável, algo que partilho.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:26
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Dark Lord & Dark Lady

publicado por Miguel Guimarães às 00:54
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

O 25 de Abril de hoje.

(Só para lembrar os mais esquecidos que em Agosto de 1975, o tão conhecido "Verão Quente", estivemos à beira de nos assemelharmos a regimes como o da Coreia do Norte ou de Cuba, onde a liberdade não existia nem existe.)

 

 

 

Já é típico, já não vivemos sem ele, já é clássico (se não mesmo conservador): o simbolismo político à volta das comemorações do 25 de Abril, e dos seus convidados “de Estado”.

Mário Soares, Manuel Alegre, e alguns ilustres da Associação 25 de Abril anunciaram que não vão participar nas comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução que derrubou o Estado Novo.

Os mesmos afirmam que este Governo e esta maioria (com todos os defeitos que tenha, e não são poucos: em crónicas anteriores já fui bastante crítico da política fiscal seguida pelo Governo de PPC, por exemplo), são contra os “valores de Abril”, que estão a seguir uma política contrária aos objectivos daqueles que levaram a Revolução a cabo, que os propósitos que este Governo e esta maioria preconizam, revelam um modelo de sociedade diferente daquela que aqueles defendem. Ora, e para relembrar os mais esquecidos como o Dr. Mário Soares, os três principais propósitos do 25 de Abril foram “D”emocratizar, “D”escolonizar e “D”esenvolver Portugal. Pergunto então: não vivemos numa Democracia? Não descolonizámos? Não estamos mais desenvolvidos do que há 38 anos? As respostas, mesmo para os mais esquecidos, são todas positivas: somos um Estado de Direito Democrático, sem colónias, e bem mais desenvolvido do que em 1974.

Este comportamento do ex-Presidente da República, Mário Soares, demonstra sobretudo duas coisas: por um lado um total desrespeito pela vontade popular, e pela soberania dos eleitores (aquilo por que ele tanto lutou!). Afinal, esta maioria foi sufragada, e eleita universal e livremente por todos os portugueses. Esta vontade maioritária, expressa no boletim de voto pode não ser a mesma de Mário Soares, mas foi a vontade esclarecida daqueles que votaram, e, como o próprio Soares sabe, a Democracia não vale só quando a esquerda ganha. Por outro lado, Mário Soares, (esse grande pai do socialismo português), envergonha o PS quando se demarca do acordo que os socialistas, (pela mão do seu “Grande Líder” José Sócrates), assinaram em Maio passado.

Finalmente, uma última nota sobre os comentários de alguns ilustres sobre o actual desrespeito pela Constituição. Meus senhores, uma Constituição, mais do que qualquer outra lei, não é, nem pode ser estática, inflexível e/ou agarrada a conceitos (ultra)passados. Uma Constituição deve ser antes sim, o reflexo do modelo de sociedade que, a sociedade de hoje pretende e anseia, e não a que sociedade dos anos 70 programou e detalhou ao pormenor. Agarrarmo-nos a este tipo de conceitos formais, é matarmos a própria ideia de Constituição e, sobretudo, perdermos mais uma geração. 25 de Abril e 25 de Novembro sempre, facismo nem quase comunismo, NUNCA MAIS!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 23:06
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Da primeira volta em França.

 

Os resultados da primeira volta das Presidenciais francesas de ontem, revelam três dados que me parecem particularmente relevantes.

Primeiro, e como publicou hoje o Le Monde, “perto de um votante em cada três” escolheu, nesta primeira volta, “um candidato hostil à mundialização ou à União Europeia”. Ora, isto é um reflexo demasiado preocupante, da saturação partidária que as democracias europeias estão a viver: ora socialistas, ora sociais democratas, ora centristas, ora conservadores, etc. Este jogo das cadeiras, ora na oposição, ora no poder, entre os partidos do regime, desgastou-os de tal forma que, para 29% dos votantes de ontem, a solução está na extrema direita e na extrema esquerda.

Segundo, apesar da singela vitória de Hollande, (tendo em conta que o número de eleitores aumentou de 2007 para 2012), a verdade é que os votos totais da esquerda são inferiores aos votos totais da direita, quando comparados com os resultados da há cinco anos. Mais, esta mesma vitória de Hollande não se deve certamente, à vontade dos eleitores franceses em dar a vitória ao socialista, mas sim, em dar a derrota a Sarkosy.

Terceiro, o resultado histórico da Front National deve preocupar-nos a todos enquanto europeus. Marine Le Pen deixou de lado o discurso racista e xenófobo do pai, adoptando um discurso mais populista, anti-Europa, anti-Alemanha, contrário ao projecto de construção europeia, e demasiado nacionalista. Esta foi a fórmula do sucesso. Uma fórmula perigosa que seduziu sobretudo um eleitorado operário e pouco esclarecido. Em boa verdade, o discurso da extrema direita foi igual ao dos comunistas de Jen-Luc Mélenchon.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 22:09
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Um desrespeito ao 25 de Abril?

Foi com bastante humor que li a notícia relativa à falta de comparência da Associação 25 de Abril às comemorações da revolução. Digo isto, muito simplesmente, pois o argumento fundamental que utilizam é: "O poder político que actualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores." Pois bem, no meu ponto de vista, um Governo que foi legítimamente eleito pela população, vem de encontro aos (meus) ideais do 25 de Abril. Um ideal de liberdade, pluralidade e que representa o fim de um regime autoritário. Aliás esquecem-se que nas comemorações do 25 de Abril, não é só o Governo (constituído por dois partidos) que vai estar presente, mas também toda a oposição (constituída por três partidos). Portanto gostaria de saber quais serão, na verdade, os ideias que a Associação 25 de Abril tanto reclama. Talvez o das nacionalizações? O das FP-25?

 

O que está aqui muito bem espelhado é o desrespeito pelo regime democrático e a frustração bem patente de não terem conseguido "construir o caminho para o socialismo" como realmente queriam.

 

Questiono-me o porquê de não terem tido uma posição semelhante com os Governos de Sócrates? Será que esse ciclo político estaria em sintonia com os príncipios da Asociação 25 de Abril? Assim sendo, alegro-me cada vez mais pelo 25 de Novembro  de 1975, pois sair de um regime autoritário para entrar numa ditadura comunista, não obrigado.

publicado por Tiago Costa Pereira às 21:53
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

O Despejo da Es.Col.A da Fontinha

O despejo do projecto Es.Col.A, no bairro da Fontinha, no Porto, está a dar muito que falar. Procurei ler as publicações da associação no seu blog, bem como os comunicados que a CMP foi fazendo sobre o processo, para procurar perceber o que afinal ali se passou (não sou adepto de palas, pelo que não me fio na "versão única" de qualquer dos protagonistas).

 

A leitura que eu faço da situação é a seguinte: em Abril de 2011, um grupo de pessoas decidiu ocupar o espaço de uma escola que se encontrava abandonado há 5 anos, pertencente à Câmara Municipal do Porto. Aí desenvolveu, em conjunto com a população da Fontinha, uma série de actividades de interesse cultural e social. Entretanto a CMP, tomando conhecimento de que um espaço seu havia sido ilegalmente ocupado, ordenou o despejo do Es.Col.A (na altura um grupo informal de pessoas), que entretanto foi suspenso, de forma a que por via do diálogo se procurassem soluções para o problema. Eventualmente o grupo ter-se-á formalizado e criado uma associação e terá sido proposto pela CMP um contrato de cedência do espaço, com uma renda simbólica de 30 euros, que terá sido rejeitado pelo Es.Col.A por, alegadamente, ter uma duração de apenas cerca de três meses. A associação recebeu então uma nova ordem de despejo e, tendo-se recusado a abandonar o espaço, obrigou à intervenção das forças policiais.

 

Como referi, não conheço o processo e não me fio na versão de nenhuma das partes. Acho de estranhar que o contrato proposto pela CMP tivesse uma duração de 3 meses: se, por um lado, isso demonstraria uma grande insensibilidade social por parte do Executivo, não percebo porque se daria ao trabalho de formalizar a cedência do espaço por um período tão pequeno, sem qualquer perspectiva de dar continuidade ao projecto social em questão. Qual seria o interesse da CMP em propôr semelhante contrato?

 

No entanto, independentemente da atitude da CMP, existe aqui, na minha modesta opinião, uma grande confusão conceptual. Um espaço público não é um espaço "de todos", no sentido em que qualquer um pode utilizá-lo a seu bel prazer, seja a destruí-lo, a melhorá-lo, a utilizá-lo para ensinar crianças a ler ou para o tráfico de droga. Um espaço público é propriedade do Estado, sendo este responsável pela sua gestão numa lógica de interesse público. Ninguém terá, assim, legitimidade para simplesmente tomar como seu um espaço público, seja com boas ou más intenções, seja o mesmo bem ou mal gerido pela entidade estatal a que pertence. Assim o Es.Col.A está, bem ou mal, numa situação perfeitamente ilegal. As regras são para se cumprir e argumentos com tiques anárquicos comos os que li no blog da associação não colam. Daí que o despejo em si não me choque minimamente. Já a destruição de todo o material que se encontrava no edifício foi uma atitude desnecessária e vergonhosa por parte de quem procedeu ao despejo, tendo sobretudo em conta os fins para os quais aquele material, apesar de tudo, era utilizado.

 

Assim, só me ocorre concluir o seguinte: aos senhores da CMP não ficava mal esclarecer, de uma vez por todas e de forma clara, se alguma vez tiveram verdadeiramente a pretensão de apoiar o projecto social em causa e que medidas tomou nesse sentido. Porque, a menos que o executivo tenha planos para o edifício em causa, que se encontrava abandonado, não faz qualquer sentido cortar as pernas a um projecto que, ao que parece, prestava um serviço de verdadeiro interesse público à população local. E a destruição do material que era usado com o propósito referido, e que não deve ter sido fácil de arranjar, foi absolutamente lamentável. Aos senhores do Es.Col.A ficava bem deixar de lado os chavões do costume, agora apimentados por uns pózinhos pró-anárquicos: não é por berrar mais alto e ao som de tambores que se tem mais ou menos razão. Mais vale apostar realmente no diálogo e na diplomacia para resolver uma situação deste tipo, uma vez que a ocupação de propriedade do Estado, por muito nobres que sejam as razões que a isso levem, não deixa de ser ilegal. E sim, vivemos num mundo civilizado que vê na figura do contrato uma forma de acautelar os interesses das partes que nele tomem parte. Dizer que "O Es.Col.A não precisa de contratos" e que se trata de "um espaço ocupado, por gentes da terra, moradores do bairro operário da Fontinha e pessoas que procuram sonhar mais do que seguir ordens" não me parece ser a forma mais inteligente de procurar manter em funcionamento este projecto social.

publicado por Miguel Guimarães às 15:58
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Marinho Pinto, uma vez mais.

 

Marinho Pinto continua a vender entrevistas atrás de entrevistas, numa tentativa ensurdecedora de se manter nas manchetes dos jornais.

O discurso deste senhor faz-me sempre lembrar aquele ancestral ditado chinês que diz: “só recorre aos gritos quem não consegue triunfar pela razão”. De facto, Marinho Pinto é aquele típico utilitarista que nunca leu Bentham: usa-se do lugar de destaque público que ocupa para fins fúteis, vaidosos, e políticos. Marinho Pinto, assuma-se de vez como candidato presidencial e deixe de usar a Ordem dos Advogados, e os estudantes de Direito como bodes expiatórios para as suas motivações políticas. Ora, é esta a busílis da questão: o que é que move Marinho Pinto? Os supostos corruptos que nunca foram julgados? As supostas Faculdades de Direito que alegadamente vendem os cursos? Claro que não! Aquilo que move este senhor é a sua fome de poder e de protagonismo, e a vontade descontrolada em ir viver para Belém.

Contudo, vale a pena ainda voltar aos repetitivos argumentos daquele que se diz Bastonário da OA.

Na última entrevista que Marinho Pinto deu à RR, voltou a afirmar que a qualidade do ensino do Direito é péssima e que isso é da inteira responsabilidade das Faculdades de Direito, e do Estado que se demitiu de as regular. Pergunto: qual é a legitimidade (jurídica) para Marinho Pinto avaliar quem sabe ou não de Direito? Terá o Estado delegado essa competência, em plano de igualdade com as Universidades? Porque é que a OA avalia supostos conhecimentos que não ministrou nos cursos de Estágio? Como é que é possível que alguns correctores de exames da OA se tenham recusado a corrigir os ditos exames por não os saberem resolver?

Marinho Pinto, retenha isto: o mercado, como em qualquer profissão liberal, decide que sabe ou não de Direito, não o senhor!

Num ponto da discussão Marinho Pinto até tem alguma razão: as Faculdades de Direito estão pedagogicamente obsoletas e pouco adaptadas às novas realidades, e às novas exigências das profissões jurídicas, como a de Advogado, por exemplo. No entanto, a mudança que este senhor propõe é a de um retrocesso aos anos em que o dito cujo tirou o curso, e que, segundo consta, não era muito disciplinado.

Uma última inquietação: €1500 por estagiário, pelo curso ministrado pela OA?! E vai aumentar porque “não dá conta das despesas”?! Porque é que não mostra (realmente!) quanto é que o curso custa por estagiário?! Não estarão os estagiários a ser usados como um meio de financiamento para continuar a alimentar as loucuras deste senhor?!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 15:23
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

A responsabilidade de Juan Carlos.

 

A diferença essencial entre as figuras públicas e as figuras não públicas é que as segundas podem fazer tudo, e as primeiras não. Mais, há figuras públicas que não podendo fazer tudo, podem fazer mais do que outras figuras públicas. É nestas últimas que se enquadra o Rei Juan Carlos de Espanha.

A última polémica que envolve o monarca, tem que ver, como é sabido, com a sua última caçada ao Botswana, durante a qual partiu a bacia. Até aqui nada parece hostilizar muito as massas. Contudo, Juan Carlos é Presidente Honorário do World Wilde Fund for Nature, em português, Fundo Mundial da Natureza. E é aqui que tudo se complica, já que nem é um caso de viagens de lazer pagas pelos contribuintes espanhóis como avançou o El Mundo (a factura, essa, foi paga por Mohamed Eyad Kayali).

Ora, não será no mínimo estranho o Presidente do WWFFN, uma associação de defesa da Natureza, ir caçar elefantes para África?! Pelo menos exótico é, não há dúvida.

Exposto que está o caso, Juan Carlos encerra esta polémica com um “Lo siento mucho.”

Ora, Juan Carlos ou actua como um adolescente irresponsável que acha que basta um pedido de desculpas para encerrar a polémica, ou então, não tem de todo noção da posição que ocupa, o que para alguém com a sua idade só poderá revelar demência mental.

Na República um caso destes levaria no mínimo à demissão do seu titular, na Monarquia é mais um faits divers que se limita a preencher páginas da Hola. Resta uma última questão: será que Juan Carlos prefere que digam God save the King, or the elephants?

 

 

Nota de rodapé: não é de todo a protecção dos animais (afinal, eu sou um verdadeiro aficionado) o que está aqui em causa, mas a incoerência de El Rey.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:39
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Breivik: o louco, ou não!

 

Há dois dias fiquei intrigado com a saudação que o “monstro de Oslo” fez ao entrar no Tribunal norueguês que o está a julgar.

Está aquele órgão do Estado de Direito a discutir a sanidade ou a falta dela, daquele que matou por convicção dezenas de inocentes, à luz de algumas ideias que a Europa preferiu enterrar, e que formalmente adormeceram com os julgamentos de Nuremberga.

Breivik orquestrou, premeditou, e executou a chacina do último Verão. Sem dó nem piedade. Mais, não mostrou qualquer tipo de arrependimento, o que quanto a mim, deverá ser uma agravante da sua futura pena.

É curiosa a forma como a Europa tratou de Breivik: como um possível louco. Contrariamente se estivéssemos a julgar os terroristas do 11 de Setembro nunca pensaríamos na sua possível inimputabilidade. E porquê? Porque assumimos a priori que a sua ordem de valores é fundamentalista e distinta da nossa, e, sobretudo, que o principio da dignidade humana não tem par na sua ordem de valores. Mais, para a Europa é difícil compreender como é que “um dos seus” se coloca no mesmo plano que um qualquer terrorista da Al-Qaeda.

Arrogantemente afirmo que sim, que Breivik é um louco, um fanático e um fundamentalista, mas, por ser tudo isto não deixa de ser imputável só porque nós não conseguimos entender e compreender a barbárie por si praticada, admitindo o possível “coitadinho” que há em si.

De facto, não me espanta a forma como as autoridades norueguesas têm entendido e tratado deste assunto. É desde logo muito típica dos países nórdicos, aquela visão da culpa na formação da personalidade, no que ao Direito Penal diz respeito. Ora, e como afirma a melhor doutrina, esta visão da culpa na formação da personalidade poderá levar ao Direito Penal médico, onde através da medicina e da ciência, o Estado transformará e modificará aquilo que há de “defeituoso” e de “impuro” na personalidade do concreto indivíduo.

Breivik matou, à luz das mesmas convicções que aqueles terroristas sem nome, mataram a 11 de Setembro: contra o multiculturalismo, contra a Democracia, contra a globalização, contra a diversidade racial e cultural, contra tudo aquilo que as sociedades ocidentais representam hoje. Por isso, a forma como o devemos encarar deve ser a mesma como se de um não europeu se tratasse. A vítima não é Breivik mas todos aqueles que este matou; muito menos Breivik é vítima de si próprio, trata-se antes de um culposo e perigoso terrorista fundamentalista que matou por convicção, e por isso, deve ser condenado como adulto imputável que é.

 

(Nota final: é espantoso que no máximo em Julho sairá a sentença que condenará Breivik, ou seja, mais ou menos um ano depois da prática daquele acto terrorista. Se Breivik fosse julgado em Portugal, em quantos anos de julgamento apostariam?!)

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 13:09
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

O paradigma da Esquerda.

A Esquerda tem duas características muito típicas: a primeira, é que é arrogante do ponto de vista cultural e político em não admitir mais nada se não o seu próprio ponto de vista; a segunda é que assume factos e coisas como verdades colectivas sem comprovação material.

Um exemplo disto, tem sido a recorrente e permanente crítica, que a Esquerda tem feito ao rumo que a Europa, enquanto espaço de valores, de modelo de sociedade, de perspectivas e objectivos (tendencialmente) comuns tem seguido. Em particular no que aos líderes europeus diz respeito, e às suas políticas de redução da despesa e divida públicas.

Ouve-se com frequência por aí, que há uma minoria europeia que quer impor o seu modelo democrático, político e social a uma maioria aparentemente enganada e defraudada. Urge a pergunta, mas algum dos líderes europeus chegou ao poder por um golpe de Estado?! Por um golpe militar?! Ou através de um outro qualquer processo de aquisição ilegítima e ilegal do poder?! Claro que não! Os líderes europeus foram eleitos democraticamente (ainda que na Grécia e em Itália não tenha sido estritamente assim), isto é, foram sufragados com as suas propostas e as suas ideias pelos respectivos eleitores. Convém não fantasiar sobre os resultados das eleições.

De repente parece que estes iluminados confundem a União Europeia com a Guiné-Bissau.

Pastas: ,
publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 23:25
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O PS: entre a saudade e a deriva.

O Partido Socialista está saudoso de poder, e à deriva na oposição. Desta vez, as notícias vêm de lá longe: de Trás-os-Montes.

Se, formalmente, os parlamentares socialistas estão reunidos em Bragança para discutirem e debaterem o crescimento económico e o emprego; verdadeiramente, o Grupo Parlamentar do PS está reunido (qual missa de sétimo dia) para lembrar o legado do seu “querido líder”, José Sócrates.

Não pensem que estou a ser irónico, porque não é esse o meu propósito; mas, para um espectador atento e sedento de informação como eu, a verdade é que aquilo que se pode retirar destas jornadas parlamentares, são as saudades de Sócrates, os Xutos e Pontapés, e o “escritório de contabilidade” do Primeiro-Ministro. Interessante de facto. Aliás, eu não me lembraria de temas melhores para prolongar um fim de semana no campo, claro, e, como sempre, à custa dos dinheiros públicos e dos contribuintes.

O Partido Socialista está em profunda depressão. Depois de mais de uma década quase ininterruptamente no poder, os socialistas foram derrotados democraticamente e, claro está, já não se lembravam do que é ser (e fazer!) oposição.

António José Seguro é o elo mais fraco entre os actuais protagonistas partidários e, contra isso, prefere responder a comentários de comentadores políticos, do que propor alternativas políticas às propostas do actual Governo, como se espera do maior partido da oposição. Tudo isto claro, a bem da Democracia.

Na verdade, não são nem o Governo, nem o PSD ou o CDS-PP, nem mesmo o memorando de entendimento (que o PS assinou!) os maiores inimigos de Seguro, mas antes Sócrates e a sua “sombra”.

Para a História do Socialismo Português, António José Seguro será visto como um verdadeiro erro de casting, e sobretudo, como o pior Secretário-Geral da História do PS.

As saudades socialistas do poder, confundem-se com as saudades socialistas de José Sócrates, e isso, Seguro não consegue combater.

Em política, a avaliação dos governantes depende em primeira mão, da avaliação das oposições. E, as oposições em Portugal praticamente não existem. Portanto, tem este Governo que agradecer (também!) o seu nível de popularidade ao demérito das oposições. Ora, perante isto, encontro dois motivos óbvios: primeiro, a saturação partidária, isto é, há décadas que os partidos políticos são sempre os mesmos, para não falar de que aquilo que defendem e propõem para o país pouco tem mudado, e pouco se tem adaptado à actual conjuntura; segundo, os protagonistas fazem lembrar mais figuras de um qualquer museu de cera do que líderes partidários que são.

Contudo, e não querendo fazer um análise injusta, o Socialismo português está a sofrer as mesmas patologias que um certo Socialismo europeu, nomeadamente o espanhol, o francês e/ou o alemão. Esta deriva tem, quanto a mim, motivos claros e bastante particulares: primeiro, fazer oposição às medidas “contabilísticas” de combate à dívida pública criada pelo próprio Socialismo, é certamente uma tarefa difícil; segundo, o tempo das grandes figuras do Socialismo europeu acabou, e claro, deixar as lideranças dos partidos socialistas e sociais democratas, tout court, às pequenas figuras desses partidos, torna estas oposições muito fracas, e sobretudo, enfraquece a própria qualidade da Democracia europeia. Afinal o Socialismo faz falta, mas na oposição.

Se hoje o Socialismo critica aqueles a quem erradamente apelida de “neo-liberais de casino”, por estarem a reduzir o peso e a dimensão do Estado (Social), a verdade é que a causa da morte do “Estado Social”, foi o próprio Socialismo e a sua falta de rigor “contabilístico”, a sua falta de respeito e de visão no uso dos dinheiro dos contribuintes. Mais, esta arrogância cultural, (desde logo, muito típica da esquerda), que assume que o “Estado Social” (stricto sensu) é a única e melhor opção, e que tudo o que tente reduzir o papel do Estado na vida das pessoas e das empresas é obra de um “anticristo”, é algo que qualquer democrata liberal não pode admitir, nem pode aceitar sem debate.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:25
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Dos Exames da Ordem dos Advogados

 

A opinião pública é facilmente manipulável. Para detectar a demagogia e o populismo é preciso estar bem por dentro das matérias e, convenhamos, todos somos de alguma forma afectados pelo discurso fácil. 

 

Marinho Pinto é um grande jornalista. Sabe o que afirmar e como o dizer para aparecer na manchete do dia seguinte. É abrutalhado e mal educado: diz tudo o que tem a dizer sem se preocupar com as consequências. A frontalidade fica-lhe bem, pena ser só de fachada! Já a falta de educação... não há fachada que a desculpe.

 

Fico espantado com a facilidade com que o discurso dele passa para as pessoas e a como que lhe dão razão. Esclarecendo: estudo Direito. O meu curso não é de três anos, mas sim de quatro. Ninguém nos oferece nada, nem notas, nem canudos. A culpa não é dos alunos. Quanto muito é dos professores. A maioria deles são da geração de Marinho Pinto. Com certeza alguns foram colegas dele em Coimbra. Mas é mais fácil culpar os alunos. E fazer exames que advogados com mais de vinte anos de prática se recusam a corrigir porque não o saberiam resolver.

 

Mais, este exame em que quase 60% dos advogados estagiários chumbaram não é feito logo após a sua saída da Faculdade, estamos a falar de advogados estagiários com mais de 2 anos de prática, com um Patrono, e após aulas administradas pela Ordem. Neste exame não está a ser posta à prova os conhecimentos adquiridos na licenciatura mas sim os do estágio. Marinho Pinto tanto poderia dizer que a culpa é da Universidade como da escola primária!

 

Marinho Pinto ainda não se apercebeu das consequência futuras da sua campanha difamatória. Os advogados, juízes e magistrados do futuro somos nós. A doutrina será escrita por Professores que estão agora a fazer o curso. A jurisprudência por juízes que entraram agora na Faculdade. Daqui a vinte anos o Dr. Marinho Pinto vai ser, certamente, acusado de difamação. Vai ser julgado pelos juízes que criticou e defendido por algum advogado saído desses cursos em que oferecem canudos... A Justiça portuguesa é descredibilizada todos os dias. Marinho Pinto está a dar a estocada final. Não critica as falhas de hoje, inventa as falhas de amanhã. E como temos um país de velhos do Restelo o futuro da Justiça já está ferido de morte. Agradeçam ao Bastonário da Ordem dos Advogados.

publicado por Tomás Gonçalves Da Costa às 15:49
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012

Afinal, qual é a realidade que queremos?

É, sem dúvida, cómico que ainda hoje se prolongue a notícia relativa à carga policial durante a greve geral. Mas é muito mais cómico que estejamos a chegar a um ponto, no qual os provocadores são absolvidos e os policias são alvos de processos. Aproveito que assim o seja, pois é da maneira que toco neste assunto para vos relatar uma situação que eu próprio presenciei, aquando da greve geral em Espanha.

 

Na minha opinião (que eu pensei ser partilhada pela totalidade das pessoas, mas pelos vistos não é) existe o direito à greve como também existe o direito ao trabalho, ou digamos à não-greve. Mas, quando vi um grupo de manifestantes em Santiago de Compostela, a descer uma rua e a obrigarem o dono de um café a fechá-lo, pois segundo eles próprios "Hoy es folga xeral, hay que pechar" (enquanto batiam com os paus das bandeiras no toldo do café) e, como se não bastasse, obrigarem os clientes do café a levantarem-se e a abandonarem o local, uma vez que "Na folga no se consome", apercebi-me que estava errado.

 

Afinal, qual é a realidade que queremos? Uma em que os Policias podem ser provocados, desrespeitados e com a sua vida posta em causa? Uma em que os manifestantes só têm direitos, nos quais podem sempre ultrapassar a liberdade do próximo? Constantemente se fala da falta de segurança, de crimes cada vez mais violentos e exige-se mais policiamento, no final de contas, a culpa é sempre da Polícia e o agente da lei tem um campo de acção igual ao de um cívil.

publicado por Tiago Costa Pereira às 17:23
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
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