Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Conservadorismo

O leitor incauto perguntar-se-à sobre o que raio é um CRAT. Na busca desesperada para encontrar um termo que defina um movimento conservador, reaccionário, autoritário ou tradicionalista, resolvi por fim baixar os braços, desistir e entregar a um movimento sério e promissor uma temporária sigla pateta - C(onservador) R(eaccionário) A(utoritário) T(radicionalista).

Um movimento conservador baseia-se em 6 premissas:

 

1 - todo o edifício de pensamento conservador assenta na crença num Princípio Criador de todo o Universo, um Mestre Eterno com autoridade suprema sobre as leis materiais da Existência;

2 - a moralidade absoluta. Proveniente da experiência religiosa e social da comunidade, é inquestionavelmente a base da lei pública, e daí a necessidade da existência do Estado, que é o promotor principal do Bem Comum;

3 - o princípio fundamental da acção do Governo é balizado pelo princípio da subsidiaridade, presente na Doutrina Social da Igreja Católica, ou seja, a acção do aparelho burocrático supremo só se deve dar quando os organismos mais pequenos e pessoais (Família, Paróquia, Município, Empresa, Sindicato, Associação, etc.) falharem em providenciar à sociedade uma resposta eficaz que apazigúe a exigência de Paz Pública demandada pelo Bem Comum a toda a sociedade;

4 - o Estado deve preservar e respeitar a originalidade regional dos múltiplos centros de poder tradicionais. Não só se impõe um reforço do princípio da subsidiaridade, como um movimento CRAT propõe toda uma nova perspectiva sobre o problema da soberania e os limites do poder estatal - o poder estatal absoluto criado pela Revolução Francesa e pelo Demo-Liberalismo, reforçados pelos Nacionalismos e pelos Socialismos e agora pelo Mega-Estado Europeu são aqui postos em causa e em cheque. Toda uma nova orgânica presta-se aqui a ser construída;

5 - anti-individualismo. O limite pessoal em prol do bem da comunidade é mais valioso do que o esforço sobre-humano para vencer a todo o custo a competição que a Educação e a Mentalidade Moderna querem implementar nas mentalidades ocidentais. A Massificação e a Uniformidade são características Pós-Modernistas enquanto que a Heterogeneidade e a Unidade são os fundamentos da tradicional riqueza cultural e civilizacional Europeia.

6 - a procura por um equilíbrio sustentável entre a Liberdade pessoal e a liberdade das unidades tradicionais da sociedade. Este equilíbrio deve partir pela atribuição a cada indivíduo do máximo racional de liberdade. Esta Liberdade pauta-se pela felicidade individual e social, e não tem nada a ver com a suposta "liberdade para errar". No Erro não existe Liberdade, pois ele afasta a Dignidade e a Espiritualidade. No entanto, o princípio do máximo de liberdade racional não se prende a uma norma puritana ou a um Estado Totalitário Ultra-Moralista. Tal como afirma São Tomás de Aquino, o ser humano tem como dado inerente à sua existência a Culpa, o Pecado Original, e como tal, apesar de poder ser aperfeiçoado, não terá nunca a possibilidade de se tornar perfeito. Como tal, sendo o pecado parte natural do homem, tem o Estado obrigatoriamente de velar pelo seu bem mas ao mesmo tempo permitir que este possa conviver e aprender com os seus instintos pecadores, uma vez que esta é a sua natureza concedida por Deus. Um Estado que proíba totalmente o pecado é uma negação do Homem e da Redenção.

 

Posta esta exposição, pergunta-se o leitor "Não é pois suficiente a denominação de Conservador para um movimento que pretende ser, antes de tudo, conservador?"

 

Seria, não fosse a própria raiz da palavra inútil à vista da actualidade portuguesa. Já não há nada para conservar em Portugal. A Tradição ou morreu ou vai lutando quase desarmada contra um Estado poderosíssimo e uma Nova (a)Moralidade invencível e destrutiva. Os partidos conservadores portugueses são aqueles que, aceitando os preceitos da Revolução e do Materialismo, apenas pedem que se mantenha algum do status quo antigo, que lhes permita alguma da paz social mínima para manter alguma capacidade produtiva e as diferenças sociais que lhes agradam, não por sentido de dever patriótico mas sim por utilitarismo e vaidade pura. Um Movimento CRAT não é só conservador.

 

Nas Palavras de António Sardinha:

 

«Não somos conservadores - dada a passividade que a palavra ordinariamente traduz. Somos antes renovadores, com a energia e a agressividade de que as renovações se acompanham sempre. O nosso movimento é fundamentalmente um movimento de guerra. Destina-se a conquistar - e nunca a captar. Não nos importa, pois, que na exposição dos pontos de vista que preconizamos se encontrem aspectos que irritem a comodidade inerte dos que em aspirações moram connosco paredes-meias. É este o caso da Nobreza, reputada como um arcaísmo estéril em que só se comprazem vaidades espectaculosas. A culpa foi do Constitucionalismo que reduziu a Nobreza a um puro incidente decorativo, volvendo-a numa fonte de receita pingue para a Fazenda. Foge, cão, que te fazem barão!- chacoteava-se à volta de 1840. Mas para onde, se me fazem visconde?! E nas cadeiras da governança o cache-nez célebre do duque de Avila e Bolama ia esgotando os recursos do Estado em matéria de heráldica.»

 

E é precisamente esta peculiaridade que nos leva ao segundo elemento de um movimento CRAT, em análise no próximo texto: o Tradicionalismo.

publicado por Manuel Pinto de Rezende às 22:30
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Why Santorum doesn't read John Locke

Again: That Church (The Catholic Church) can have no right to be tolerated by the magistrate which is constituted upon such a bottom that all those who enter into it do thereby ipso facto deliver themselves up to the protection and service of another prince. For by this means the magistrate would give way to the settling of a foreign jurisdiction in his own country and suffer his own people to be listed, as it were, for soldiers against his own Government.

John Locke on Religious Tolerance

publicado por Manuel Pinto de Rezende às 22:19
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Rick Santorum, vá ler John Locke.

 

Se há uns anos Sarah Palin defendia as teorias criacionistas em detrimento das evolucionistas, hoje Rick Santorum afirma a sua oposição à laicidade do Estado, isto é, à separação entre o Estado e a Igreja.

Sem dúvida a política norte-americana stricto sensu, tem tanto de cómica como de assustadora. É mesmo maior o lobby do que uma qualquer base ideológica.

Recomendo ao Rick Santorum uma revisão de alguns filósofos dos séculos XVII e XVIII, em particular de John Locke e da sua “Carta sobre a tolerância”. Pode ser que aprenda alguma coisa.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:28
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Marinho Pinto, porque não te calas?!

 

Ontem no programa Justiça Cega da RTP Informação fiquei estupefacto com algumas das declarações do Sr. Marinho Pinto. É uma característica, ou mesmo um dom que o Sr. tem: consegue surpreender-me sempre que fala.

Ontem mostrou indignação pelas medidas normais de segurança por que teve que passar para entrar (enquanto testemunha num processo) num Tribunal do Campus da Justiça em Lisboa. Por medidas normais de segurança entendam-se: controlo de metais, verificação de identificação, etc..

O Sr. ficou escandalizado com tais medidas normais de segurança, criticando-as como desnecessárias, e, pior, afirma que no acesso aos Tribunais no interior do País tal não é necessário, como se tal pudesse ser comparado! Ora, isto revela uma total falta de noção da realidade do País, em particular no que à criminalidade diz respeito, nomeadamente em Lisboa e no Porto.

Pior ainda, Sr. Marinho Pinto, pouco me interessa quanto é que o Sr. gasta em restaurantes quando vai a Lisboa.

Este Sr. é de um provincianismo tal e de uma boçalidade tal, que chega a roçar ao anedótico.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 12:43
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Ainda no rescaldo dos Óscares

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 09:54
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Krugman: ele há para todos os gostos...

 

O Nobel da Economia, Krugman, é "um fácil". Tanto agrada aos keynesianos como aos liberais... os primeiros usam-se das suas ideias de mais investimento público, os segundos da baixa salarial como meio de criar maior competitividade. Definitivamente o Krugman consegue algo raro: dançar o tango a três.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:37
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Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

And the Oscar goes to...

 

Algumas notas iniciais:

Num ano em que a academica assumiu a "nostalgia" como tema, e em que a Meryl Streep poderá ficar na história do cinema ao lado da Katherine Hepburn com três óscares, tenho pena que o Woody Allen esteja nomeado com o Midnight in Paris, porque, quanto a mim, o filme é mau; tenho pena que a Glenn Close nem sequer seja uma das favoritas e que, caso a Meryl Streep ganhe, como é esperado, ficarei contente, mas, e ao mesmo tempo com pena, porque, como também já o disse anteriormente, The Iron Lady vale pela interpretação de Meryl Streep e será uma pena se esta ganhar o seu terceiro óscar com o biopic sobre a Margaret Thatcher.

 

 

Melhor Actor Principal

Gary Oldman – a minha escolha.

Jean Dujardin – o provável vencedor.

 

Melhor Actor Secundário

Christopher Plummer – a minha escolha.

Christopher Plummer – o provável vencedor.

 

Melhor Actriz Principal

Meryl Streep/Glenn Close – a minha escolha.

Meryl Streep – a provável vencedora.

 

Melhor Actriz Secundária

Janet McTeer – a minha escolha.

Octavia Spencer – a provável vencedora.

 

Melhor Realizador

Terrence Malick – a minha escolha.

Martin Scorsese – o provável vencedor.

 

Melhor filme em língua estrangeira

“Uma Separação” – a minha escolha.

“Uma Separação” – o provável vencedor.

 

Melhor Filme

“A Árvore da Vida” – a minha escolha.

“O Artista” – o provável vencedor.

 

Melhor Argumento Adaptado

“A Toupeira” – a minha escolha.

“Os Descendentes” – o provável vencedor.

 

Melhor argumento original

“Uma Separação” – a minha escolha.

“O Artista” – o provável vencedor.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 21:52
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Os impostos mais uma vez.

Últimos números:
  • As receitas do IRS e do IRC baixaram face a períodos anteriores (tendo o Governo aumentado os ditos impostos);
  • As receitas da Segurança Social seguiram o mesmo rumo do IRS e do IRC;
  • A despesa da Segurança Social aumentou.

 

Será possível que o Governo ainda não percebeu que tem que baixar os impostos?

A conta é simples, e, por mais estranho que pareça, temos que baixar os impostos para que os lucros destes aumentem. Não é preciso inventar muito.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:51
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“Putinofobia”, sim, e?!

 

Putin até se pode disfarçar de democrata, afinal, dá-se a desculpa já que estamos em tempo de Carnaval; mas, tiques de tiranete com medo não lhe faltam. Agora o problema é com a imprensa estrangeira... Queira ou não, nas eleições do próximo fim de semana o tiranete sairá como um autoritário enfraquecido.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 18:27
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A Europa e o caminho para o “Estado de Sítio”.

 

Esta semana foi rica em acontecimentos ditos, europeus. Destaco dois em particular: por um lado a continuação da odisseia sobre a crise da dívida soberana grega, e, por outro lado, a tomada de posição de Mariano Rajoy em suavizar e renegociar as metas para o deficit espanhol em 2012.

Comecemos pela primeira questão. A Grécia entrou num ponto de não retorno económica, orçamental e socialmente. A dívida grega é assustadora e não será reduzida com mais dinheiro ou mais empréstimos internacionais. Estes bálsamos não retardarão aquilo que para muitos já é o desfecho desta novela. A Grécia já entrou tecnicamente em incumprimento tout court e, obviamente, os credores não tolerarão mais isto. Ora, a solução para o problema grego passa sobretudo pela vontade e concretização dos compromissos assumidos por Atenas. Mas uma concretização de facto! E, em boa verdade, a Grécia e os gregos têm sido irresponsáveis nesta matéria. A solução para o problema grego não passa só pela UE, pela CE, pelo FMI, etc., etc.. Senão vejamos: cobrar impostos na Grécia é anedótico, pois simplesmente não existe! Enquanto a Grécia não perceber que se não fizer por si não sairá do "buraco" em que está, não haverá solução alguma.

Mais, a escalada de violência nas ruas de Atenas está próxima de uma batalha campal entre civis e autoridades. A descrença no ideário europeu tal como existe hoje em dia, e, sobretudo na forma como o eixo Paris-Berlim tem liderado e conduzido esta crise poderá levar a médio prazo a uma situação de catástrofe política com consequências irreparáveis. E, francamente, mais vale deixar cair da Grécia (mesmo que temporariamente) do que deixar cair o projecto de uma Europa livre, democrática, próspera e em paz.

Quanto à segunda questão, ou seja, quanto ao caso espanhol. Bastaram dois meses para que o novo Governo de direita espanhol percebesse que a solução para as suas contas públicas não passava exclusivamente por austeridade atrás de austeridade. E bem. Ora, pergunto, em Portugal será que ninguém da maioria que suporta o actual Governo ainda não percebeu que não será só assim que resolveremos o problema do país? Não nego, muito pelo contrário, subscrevo que os acordos são para ser cumpridos. Mas, cumprir um acordo só porque foi assinado para que no fim o resultado seja totalmente diferente do pretendido é no mínimo masoquista. Já que temos por hábito aproveitar a “boleia” espanhola em muitas matérias, porque não aproveitar esta também e, não pedir mais dinheiro mas pedir mais tempo?

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 17:13
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Na ressaca da votação de ontem na AR: em defesa do AMN.

 

Em crónicas anteriores, certamente já perceberam que sou, por natureza, um crítico permanente e atento às “classes políticas” em geral, e à classe política portuguesa em particular.

Hoje, na ressaca da votação da AR à proposta de lei do BE relativa à adopção por casais homossexuais, escrevo em defesa do deputado do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes, o qual votou a favor da dita proposta de lei. Faço-o sobretudo por uma questão de honestidade intelectual: não quanto à matéria de facto em si (deixarei para outro momento), mas, quanto à coerência do seu voto.

Não têm faltado vozes inquisitórias dentro do CDS-PP quanto ao voto do ADM. Ora, para aqueles que apontam incoerência nas suas posições, eu chamo coragem; para aqueles que o acusam de se sentar na bancada errada, eu chamo acto de liberdade.

Impor disciplina de voto nestas matérias seria uma escandalosa violação da liberdade de consciência, assemelhando-se apenas às ditaduras do voto, típicas das bancadas comunistas.

Mais, todos estes velhos do Restelo, estes militantes e dirigentes de confessionário, estas beatas de primeira fila, são os primeiros a (re)lembrar o acervo ideológico do dito partido. Pergunto portanto: será que alguns destes já leram alguma referência filosófica conservadora, democrata-cristã ou liberal? Certamente que não.

O curioso deste falso seguidismo ideológico, é que parece apenas incomodar aqueles que se dizem a “maioria”, já que, pelo menos, aparentemente o deputado AMN não parece incomodado por ser o único “lá no meio”, ou seja, nunca o ouvi insurgir-se ou sequer criticar aqueles que não aderem às suas posições.

Aqueles que agora “pedem a sua cabeça”, por ter agido de acordo com a sua consciência, esquecem-se que o deputado AMN (como qualquer outro) fora sufragado partidariamente, e, segundo sei, nem uma ponta de crítica houve. Ora, este é certamente um problema de estilo e, sobretudo de entendimento daquilo que é e deve ser a coerência ideológica de um político.

Mais, o deputado AMN é o único da bancada parlamentar do CDS-PP, que, dizendo-se liberal, é coerente e consequente com isso. Isto é, outros há na dita bancada, que, dizendo-se ou fingindo-se de liberais, na hora de votar preferem afrontar as suas consciências a afrontar o status quo mais que instalado. Possivelmente, está na hora de nascer um espaço de tipo partidário liberal em Portugal, para que políticos como o Adolfo Mesquita Nunes não sejam queimados vivos pelas “santas inquisições”.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:24
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

"Europe’s Failed Course".

Portugal has met every demand from the European Union and the International Monetary Fund. It has cut wages and pensions, slashed public spending and raised taxes. Those steps have deepened its recession, making it even less able to repay its debts. When it received a bailout last May, Portugal’s ratio of debt to gross domestic product was 107 percent. By next year, it is expected to rise to 118 percent. That ratio will continue to rise so long as the economy shrinks. That is, indeed, the very definition of a vicious circle.

Meanwhile, shrinking demand and fears of a contagious collapse keep pushing more European countries toward the danger zone of unsustainable debt.

Why are Europe’s leaders so determined to deny reality? Chancellor Angela Merkel of Germany and President Nicolas Sarkozy of France, in particular, seem unable to admit that they got this wrong. They are still captivated by the illogical but seductive notion that every country can emulate Germany’s export-driven model without the decades of public investment and artificially low exchange rates that are crucial to Germany’s success.

 

 

Excelente. Vale a pena ler o Editorial de hoje do The New York Times.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:50
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Say no to Mr. Putin.

 

Segundo a última "grande sondagem" antes da Presidenciais Russas a 4 de Março, Putin vencerá à primeira volta com cerca de 66% dos votos. Há três dias uma outra sondagem dava apenas 47% dos votos à Rússia Unida, facto que levaria Putin a uma segunda volta, vencendo aí com 53% dos votos.

De facto, e, também na Rússia, as empresas de sondagens são instrumentos de fácil uso e manipulação pré-eleitoral, sendo os seus resultados ditados ao sabor de quem as financia. Com resultados tão díspares entre sondagens de empresas distintas com apenas 3 dias de diferença, diríamos certamente que por lá, são mais descaradas do que por cá.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:21
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Demagogia macroeconómica

Hoje trago-vos um tema quase esquecido. Lembram-se da polémica do IVA nos ginásios?

 

Há algum tempo atrás, os ginásios beneficiaram de uma redução do imposto sobre valor acrescentado de 21% para 5%. A supracitada polémica surgiu quando os preços não acompanharam a descida do imposto. A concepção do incentivo à prática de desporto e combate à obesidade esbarrou na má vontade e ganância dos administradores de ginásios. Será bem assim? Não!

Infelizmente tratou-se de uma medida governamental puramente demagógica e para agradar a mais uma agência (agrado com luvas, claro!). Desde já peço desculpa aos leitores economistas pela imprecisão técnica mas o presente artigo visa falar a todo o cidadão.

 

Para começar, invoco 2 dos conceitos mais básicos da economia; as curvas da “oferta” e da “procura”. A “curva da procura” diz-nos que quanto mais baixo for o preço de determinado produto maior será a quantidade de produto procurado. A “curva da oferta” indica que quanto mais alto for o preço de determinado produto maior será a quantidade de produto disponível para comércio. Graficamente os dois comportamentos podem ser explicados pela seguinte figura:

 

 

Na intercepção das duas curvas está o ponto de equilíbrio. Para cada produto existe um preço e uma quantidade óptima que satisfaz simultaneamente as exigências da oferta e da procura.

 

A “elasticidade de preço” é uma medida que indica a sensibilidade da procura e da oferta face a alterações no preço de um bem. Graficamente é representada pela inclinação das duas curvas. Quanto mais horizontais forem as curvas maior é a sua elasticidade e vice-versa.

 

No caso dos ginásios, podemos afirmar que as pessoas são muito sensíveis aos seus preços. Se algum ginásio for demasiadamente caro, o comprador comum opta por outro ou, se na região não houver alternativa, não frequenta o ginásio. Temos portanto uma “curva da procura” quase horizontal (muito elástica).

No caso da oferta acontece precisamente o contrário. Se o dinheiro auferido pelo negócio dos ginásios aumenta, tende a existir uma explosão do número de ginásios (temos vindo a assistir a este fenómeno nos últimos 10 anos). Com efeito, a curva da oferta é quase vertical (pouco elástica). A representação gráfica encontra-se na figura seguinte:

 

 

Agora suponhamos uma redução drástica no IVA. A curva da oferta deslocar-se-ia 16 pontos percentuais na vertical tal como indica a figura seguinte (reparem na escala exagerada “redução do IVA”, a redução é 50% do preço praticado):

 

 

Rapidamente o mercado procura um novo equilíbrio (preço P1 e quantidade Q1). Apesar da grande translação da curva da oferta constatem que preço diminui praticamente nada e a quantidade também pouco se altera (apesar da escala exagerada). Quem ficou a ganhar? Descubram na próxima figura.

 

 

A conclusão é óbvia. No negócio dos ginásios, como em alguns outros, reduções ou aumentos de taxas não são repercutidos no consumidor final. Nem tudo são más notícias, desde Janeiro de 2012 que os ginásios pagam IVA à taxa de 23% e não sentimos qualquer diferença.

 

O grave nesta história toda é: (citando um ex-primeiro-ministro) qualquer estudante de economia do primeiro ano saberia disto. Houve um governante que quis “fazer um bonito” pseudo-incentivando o exercício físico e ao mesmo tempo “fazer um jeito” à agencia dos ginásios portugueses. Assistimos impávidos e serenos a mais um prejuízo do estado e do contribuinte em prol dos ginásios – em função do IVA que deixou de ser pago – e o mau-carácter que tomou esta medida (que até tem cara de bom rapaz), fica impune. Não é novidade, acontece com praticamente todos os ministros que tomam medidas que lesam o contribuinte em benefício das agências ou de si próprios. Esse senhor deve-me dinheiro, parte da minha dívida hoje foi contraída por ele, e por isso, quero responsabilizá-lo.

 

Se por acaso o senhor que tomou esta medida não sabia que isto poderia acontecer então que venha admitir a sua ignorância e incompetência pois quero responsabilizá-lo na mesma.

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 11:51
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Downton Abbey

No próximo sábado estreia na SIC esta nova mini-série

A julgar pelas críticas lá fora, estamos perante mais um excelente trabalho proveniente das ilhas britânicas. Espero não voltar a ser desiludido pelas escolhas das televisões privadas, quer quanto à qualidade, quer quanto ao horário de exibição.

publicado por Duarte Cameira às 17:17
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O Relvas, mais uma vez.

 

Não passa pela cabeça de ninguém que um Governo que tem coerência, uma linha orientadora e um dominador comum andasse a saltitar de ano para ano.

 

 

Ontem o Ministro da Propaganda, ou melhor o Sr. Relvas, anunciou que em 2013 também não haverá Carnaval para ninguém. Desculpem mas isto é quase cómico.

Primeiro é cómica a importância que o Governo deu a este assunto. Ora, isto revela sobretudo o fundamentalismo contra os feriados, "pontes", etc., etc., como se esse fosse o problema ou a causa da falta de competitividade deste país. Segundo é cómica a importância que a Comunicação Social dá ao assunto. Ora, isto também revela, no limite, falta de assunto.

Em Portugal temos uma Comunicação Social que quando entrevista o Ministro da Propaganda em vez de discutir casos de "lápis azul", prefere que o Sr. conduza a sua própria entrevista em que anúncia que para o ano também não haverá Carnaval. É simplesmente cómico.

Sr. Relvas, a coerência pela coerência, "custe o que custar", passa a estupidez quando a sua linha se afasta da realidade. Este fundamentalismo político foi para o Sr. Cavaco quando era PM um grande erro político.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:51
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Sobre a Rússia e a sua “democracia”.

 

Falta pouco mais de uma semana para as Presidenciais russas.

Ora, estando nós a falar em eleições, poderíamos apostar num vencedor, mas, há meses que já se sabe que Putin voltará a sentar-se no Kremlin. Não serão portanto os resultados formais (ou, se preferirem, oficiais), uma novidade nem para os russos, e, tão pouco para a comunidade internacional.

Primeiro diz que não fará campanha porque não precisa, já que sairá vencedor no dia 4 de Março. Depois aposta em publicar propaganda ao estilo soviético, e agora, surge em comícios que mais fazem lembrar os tempos da Guerra Fria.

Vladimir Putin, (esse grande ex-KGB), é a personificação da farsa que é a democracia russa. É a assunção do estilo soviético mais que populista, anti-ocidente, pró-bélico, e ultra-nacionalista. Vladimir Putin, é o rosto de um país falhado no que à Democracia diz respeito.

Em Dezembro último, aquando das últimas eleições para a Duma, estava em Moscovo e assisti in loco, aos métodos que Putin usa para calar quem não está consigo. Desde prender jornalistas sem motivo legal aparente, a espancar pessoas que se manifestam pacificamente, ou, a aterrorizar bloggers críticos do Rússia Unida (partido do qual é líder).

Nessa mesma altura, acabei por conhecer uma austríaca da OSCE, que estava em Moscovo como observadora internacional das eleições legislativas e, não fora para meu espanto quando ela me diz que, sem qualquer vergonha ou pudor, havia “contadores de votos” com instruções claras para pôr boletins de voto na urna em nome dos eleitores mortos nos últimos 18 meses. Uma fraude eleitoral e uma vergonha patrocinada por Putin.

Agora o método repete-se. O estilo esse, já é velho na política: populista, apaixonado sem conteúdo algum, demagógico, e quase a “puxar à lágrima”.

Em boa verdade, os russos nunca conheceram outro regime que não o do culto ao czar, ao “grande líder”, ao Presidente; e, por isso, vivem numa alegoria da caverna em relação ao que é a real e verdadeira Democracia. Muitos dizem que não há alternativa a Putin. Não duvido, mas aí a culpa é dos eleitores russos: como é que se pode reclamar por Democracia quando os partidos mais votados, e que representam quase ¾ dos votos das últimas legislativas, sejam o partido de Putin, o Partido Comunista e o Partido Nacionalista?!

Aos olhos de um europeu estes resultados parecem uma anedota mas, e apesar de Putin, arrisco-me a dizer que os russos não escolhem, limitam-se a comer aquilo que lhes servem sem uma verdadeira indignação nacional.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:25
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É hoje, parabéns ao DF e à BSC!

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 15:38
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Carpe Diem Nacional...

Devida as nossas limitações geográficas e a enorme falta de matéria prima, a única coisa que resta neste país a beira mar plantado são os Portugueses (não contabilizando a enorme riqueza histórica). Não trazendo eu nada de novo ao saber dos "falaciosos", o que venho enfatizar neste momento é a ineria ideológica (dos Portugueses) em que temos vivido  no ultimo século.

Ouvi por vozes de outros ainda mais falaciosos por varias vezes as palavras " Plano Estratégico", mas nenhum deles o sentia, uma espécie de relação de conveniência baseada na mentira que mais cedo ou mais tarde acaba por dar para o torto. O que com isto quero dizer , é que não existe uma visão consensual adequada e ajustada a nossa realidade nacional (saia ela de onde sair) que seja  projectada num prazo de 30 anos ou mais, como aconteceu com a Europa no pós guerra(estando agora em fim de ciclo), para um Portugal melhor. Não existe um trabalho comum para um futuro comum, o que acontece na realidade é um Carpe Diem eleitoral, um viver o momento, depois logo se vê, atirando no final a batata quente ao partido da oposição, e á 30 anos que assim é sem tirar nem por. Dou mérito a este governo pelo país que herdou do José Silva (de Sócrates e Eng. não tem nada), mas as medidas de contenção, corte e reestruturação apenas resolvem ou atenuam o imediato.  

 A evidente falta de estratégia e altruísmo politico, uma visão nacional, de um futuro que deveríamos seguir ou trabalhar para, é o que marca (a meu ver) esta agonizante e secular (não é só de agora) atrofia que provoca este entorpecimento a todos os níveis deste país agora conhecido por periférico e subjugado a umas entidades omniscientes, são os novos deuses da era moderna, sem igreja mas com doutrina e inquisidores, que de forma indelével marcam o nosso quotidiano e a que chamamos levianamente de "mercados" .

 

publicado por João Ginja Rebelo às 12:40
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

A saga continua

 

 

O Ministério Público (MP) interpôs nesta quarta-feira um recurso da decisão da juíza Carla Cardador, do Tribunal de Oeiras, de não ordenar a detenção do presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, para cumprimento de pena. (Público)

publicado por Afonso Reis Cabral às 11:04
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Incentivo ao empreendedorismo fachada.

 

Hoje o visado é o concurso de empreendedorismo “Arrisca C” (www.uc.pt/gats/projectos/Arrisca_C). Nobremente, o concurso premeia ideias e planos de negócio de alunos universitários actuais ou que completaram os seus estudos há menos de 3 anos estimulando o empreendedorismo jovem. Em edições anteriores, o concurso era designado como “Arrisca Coimbra” e era promovido pela universidade de Coimbra. Recentemente entraram na promoção do concurso entidades externas a Coimbra passando este a ser designado por Arrisca C (sem nunca explicarem o significado do C).

 

Não escondo o meu recalque por ter participado no concurso. Participei e perdi tempo. Perdi tempo porque o meu projecto não ganhou e perdi tempo porque desaprendi. Tudo isto poderia ser considerado mau perder se não fossem as condições que agora apresento. Antes de começar, peço-vos que assistam a este filme.

 

http://ucv.uc.pt/ucv/media/arrisca-c-2011-um-caminho-de-sucesso/embed_player?w=560&h=315

 

Já devem estar a perguntar onde está a jovialidade dos concorrentes porque, sem dúvida, a pessoa mais jovem presente na sala foi o secretário de estado do empreendedorismo. Minto! Ao minuto 2:50 podem observar alguns dos poucos jovens que concorreram ao Arrisca C, a minha equipa e eu. Jovens entre os 24 e 25 anos que terminaram o curso há exactamente 3 anos (quase não éramos elegíveis). Grande parte das equipas subverteram as regras. Pessoas, não jovens, com os seus projectos maturados, convidaram um estudante para a equipa e automaticamente toda a equipa se tornou elegível para concurso. Com efeito, o Arrisca C premiou vários jovens empreendedores com mais de 40 anos. Eu próprio assisti a briefings de última hora ao membro estudante do grupo.

 

A minha equipa foi seleccionada para os 24 melhores projectos e convidada a promover uma apresentação na universidade de Coimbra. Em primeira instância, desenvolvemos um produto que se propunha a divulgar a cultura portuguesa. Na altura em que fizemos a apresentação (3 meses depois do envio da candidatura) já tínhamos aberto uma empresa e angariado clientes como a Porsche, Bial ou Sogrape. Orgulhosos da conquista, levámos as novidades para a apresentação. Péssima ideia…  Os cerca de 30 membros do júri presentes apenas nos interrogavam pela vertente cultural do projecto. Algo que decidimos abandonar por não ser economicamente rentável. Mostraram um desinteresse absoluto por um projecto com liquidez dando validade à conclusão:

Se és um empreendedor precário disposto a fazer algo pela cultura tens uma boa ideia de negócio, se és um empreendedor de sucesso mas não fazes nada pela cultura então tens uma péssima ideia de negócio.

Enfim, fomos quase insultados por apresentar um projecto que visa ganhar dinheiro num concurso de ideias de negócio.

 

Para rematar, cerca de 94% dos prémios foram entregues a promotores da região centro sendo que nem um único, ao que me foi permitido apurar, foi dirigido ao Porto ou a Lisboa (onde habita cerca de 40% da população nacional) e não foi por falta de candidaturas. Na dúvida sobre o que significa o “C” do Arrisca dou-vos uma pista “Não Norte e não Sul”.

 

Depois de contar o sucedido a um amigo, ele respondeu-me: “Então querias que eles não dessem prémios para o pessoal do centro”. Foi aí que tive a certeza que a minha participação no concurso foi uma verdadeira perda de tempo. Em Portugal, até as causas mais nobres são desvirtuadas.

 

PS:

 

Escrevo por uma de duas razões:

- Gritar aos ouvidos da organização do concurso Arrisca C;

- Evitar que outros como eu não dêem o seu tempo como mal empregue.

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 20:08
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Uma análise (sociológica) da geração que se diz “à rasca”.

 

Como dizia com frequência Margaret Thatcher, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. Sem dúvida.

Para fazer uma análise crítica da geração que se diz “à rasca” cumpre que façamos a distinção de alguns conceitos iniciais. Uma sociedade em geral, e uma geração em particular têm por lado, características culturais “estruturais”, e, por outro lado, características culturais “conjunturais”.

O caso português não será excepção a esta distinção.

A geração que se diz “à rasca” é a verdadeira geração da informação e da comunicação sem filtros e fronteiras. Claro, com tudo o que isso tem de bom e mau. É a geração “Morangos com Açúcar”, é a geração das redes sociais, é a geração Erasmus, é a geração low cost, é geração que não sabe o que é uma guerra. É a geração que encara a TV como uma porta para fugir à desgraça, é a geração dos “canudos superiores”, é a geração dos smartphones, é a geração do botellon, é a geração que não conhece outro sistema político que não a democracia, é a geração que procura a fama fácil, e das drogas (pseudo) legais (...).

Somos a geração que cresceu alheia ao rigor, à cultura geral, ao conhecimento, ao mérito, à sabedoria. Somos o reflexo de um país pós-Salazar e não soubemos potenciar ao máximo as nossas circunstâncias. Urge a típica pergunta: de quem é a culpa? Pois bem, a culpa é inteiramente nossa e de um “sistema” que nunca ninguém quis contrariar. Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa. Ou pelo menos, não pensa criticamente. Assume o comportamento típico de ouvir e agir, sem reflectir.

Somos uma geração estrutural e culturalmente desenrascada, mas muito pouco preparada para um mundo globalizado. Terá sido por falta de condições? Certamente que não. Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa. Rimo-nos quando há gente que não sabe localizar o continente africano no Globo, ou quando não há ninguém que saiba quem é Manoel de Oliveira ou José Saramago. É tristemente cómico, e, sobretudo, é tragicamente cómico.

Somos uma geração que gosta de pensar que está a mudar o Mundo quando participa em manifestações mas não propomos alternativas, preferimos em vez disso, debater-mos quantos litros de álcool é que vamos beber, ou quem é que dormiu com quem na noite anterior. Não que seja criticável, longe de mim.

Somos uma geração que usa orgulhosamente terroristas ao peito, e que se diz de esquerda, mas não deixamos de consumir os grandes filhos do capital norte-americano em Domingos de ressaca.

Repito, nós somos o reflexo daquilo que pensamos. E, o problema é que grande parte da geração que se diz “à rasca” não pensa coerentemente.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 19:01
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The Iron Lady.

 

Poderia ser um grande filme, mas não tem qualidade e originalidade técnicas suficientes para isso, em particular quando comparado com outros "biópicos". Vale sobretudo pela soberba interpretação Meryl Streep, que nos agarra o tempo inteiro a parte da história da Primeira-Ministra. Não é por isso um “filme da minha vida”, mas retrata a vida de uma das mulheres que mais admiro.

Como o disse Teresa de Sousa, não é um filme sobre a política tout court, não é um filme sobre o capitalismo, o liberalismo ou sequer sobre o tatcherismo; é sobretudo um filme sobre o carácter. Ora, não podia estar mais de acordo.

Margaret Thatcher foi, enquanto mulher na vida pública e na vida política, um exemplo de carácter, de convicção, de vontade de mudar para melhor, de insurreição contra o status quo confortavelmente instalado. M.T. mostrou o que é ter carácter, e como este pode moldar a forma de fazer política.

Thatcher mudou o mundo como o conhecemos: fez parte do fim da Guerra Fria, do declínio (e do fim) do comunismo enquanto modelo de regulação da vida das pessoas. Thatcher viu cedo aquilo que mais ninguém viu. De uma filha de merceeiro para um exemplo de liderança mundial.

A Dama de Ferro, como um dia um general soviético lhe chamou, percebeu cedo que o socialismo era terrível para a economia e para o desenvolvimento económico, combatendo-o desde sempre. Um verdadeiro modelo de como fazer política: premiando o valor, o trabalho e o mérito das ideias, e nunca dos “amiguismos”. Um exemplo ainda nos dias que correm de coragem e rectidão em como nunca nos devemos desviar daquilo que defendemos e acreditamos. Um exemplo para a dita direita não socialista, que, infelizmente no caso português, e, no que à forma de fazer política diz respeito, se distingue muito pouco dos ditos socialistas.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:46
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Estes Impostos são um roubo - Outra perspectiva do mesmo problema.

Não discordo por completo da muito liberal análise macroeconómica do problema português feita pelo Gonçalo mas parece-me, e até porque já pensava escrever sobre ao assunto, que há mais para dizer do que já exposto. Os impostos são, de facto, e muitas vezes, entraves ao crescimento económico. No triste caso luso, então, ninguém tem muitas dúvidas de classificar como dramático a utilização do erário público e do “monstro” que se alojou no aparelho de estado.

Posto isto, onde é que discordo do Gonçalo, perguntarão os leitores que ainda não desistiram deste texto? Simples, nem todos os impostos são um roubo. É importante não esquecer que parte das receitas tributadas e entregue pelos contribuintes aos cofres do estado são devolvidas sob a forma de bens e serviços necessários não só ao bem-estar de cada mas também ao desenvolvimento económico. Existem, por este mundo fora exemplos bem sucedidos de wellfare state. Não podemos obviamente incluir, o pequeno estado lusitano, à beira-mar plantado, como um desses bons exemplos, já que depois de tentar construir um estado-social sob as defuntas fundações de um edifício tipicamente corporativista, teve o desplante de o tornar tipicamente esbanjador e totalmente viciado em crédito.

O estado-social merece as críticas de liberais como o Gonçalo. Merece-as sobretudo porque o modelo social de organização, privilegiou quem não devia ter privilegiado, apoiou o que não devia ter apoiado, mas mais do que tudo não criou o que devia ter criado: espaço e forma para crescer e investir.

Há 85 anos Keynes prenunciou com enorme entusiasmo o “Fim do Laisser-faire”, hoje, e após 30 anos de um modelo económico mitigado entre as teorias de Milton Friedman e os princípios básicos que orientaram o pensamento de Lord Beveridge, o Ocidente está falido. Antes de pensar gastar muito menos, não deveria o Estado pensar em gastar muito melhor?

publicado por JFC às 23:31
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OS IMPOSTOS SÃO UM ROUBO!

 

Se um dia Proudhon afirmou que "a propriedade é um roubo" eu afirmo que os impostos são um roubo.

Tentarei nesta crónica diagnosticar o porquê da actual situação económica e financeira de Portugal e propor uma solução.

Comecemos pelo início. O Estado não tem dinheiro próprio, e o dinheiro que gasta não é seu, mas sim nosso. O Estado tem gasto como se não houvesse amanhã, hipotecando as gerações futuras. O Estado tem hoje um tamanho de níveis e valores pornográficos. O Estado endividou-se de forma assustadora. O Estado só sobrevive de duas formas: ou pedindo dinheiro emprestado ou criando mais e/ou aumentando mais impostos. O Estado endividou-se em nome de pessoas que ainda nem nasceram. Ora, tais factos levam à espiral em que nos encontramos hoje: ao declínio e à ruína.

O mito de que a despesa pública estimula o crescimento económico real é uma ilusão. Mais despesa pública implica mais dinheiro, e, como se sabe, esse dinheiro é nosso. Ora, se as pessoas, em razão da despesa pública ficam com menos dinheiro, significa que ficarão mais pobres.

O Estado Robin Hood é uma falácia completa. Servindo apenas para justificar os níveis absurdamente elevados de impostos.

Os Governos assumiram que podiam gastar e gastar mais dinheiro, sem na verdade o terem. Os Governos assumiram que podiam pedir dinheiro emprestado em nome de pessoas que ainda nem nasceram para manter os nossos estilos de vida contemporâneos. Ora, além de profundamente inaceitável, não estaremos já no campo da imoralidade?

Claro que sim. Mais, a imoralidade de tudo isto é tão escandalosa, que concluímos que as dívidas contraídas em nome de pessoas que ainda nem nasceram só acontece porque estas “pessoas futuras” não votam. Sob o mito de que as gerações futuras viverão num mundo melhor, o Estado está a atolá-los em dívidas de proporções incalculáveis, e a condená-los a uma vida de escravidão moderna.

De resto, e, além da imoralidade óbvia em tudo isto, os valores da dívida nacional são também extremamente perigosos do ponto de vista da coesão nacional e, sobretudo, da segurança interna. Os acontecimentos dos últimos dias na Grécia são precisamente resultado desta irresponsabilidade colectiva.

Não devemos nunca esquecer que foi a política do crédito ao desbarato que originou a actual crise financeira. E porquê? Porque (foi e) é uma política que premeia os empréstimos e castiga as poupanças.

Por outro lado, a solução para ganhar eleições é sempre a mesma: prometer o “paraíso”. Ora, e, metaforicamente falando, mesmo para construir o “paraíso” é preciso dinheiro, e, de onde é que vem o dinheiro? Do bolso dos contribuintes.

Outro grande problema nacional é o elevadíssimo número de funcionários públicos. Não nos esqueçamos que estes não criam riqueza alguma, só a consomem. É o sector privado que cria riqueza para que o Estado se venha alimentar tributando-o. Temos portanto a seguinte relação: do lado do sector privado encontramos os “produtores de impostos”, e, do lado do sector público encontramos os “consumidores de impostos”. Conclusão fácil de retirar: há demasiados “papões” do dinheiro das pessoas que não entram às 9h (atrasados) e saem as 17h (em ponto!).

O Estado “amigo do contribuinte” que, um dos partidos do actual Governo tanto repetiu na campanha eleitoral não existe. No fundo, é aquilo a que em ciência política se chama de “fraude eleitoral”.

Infelizmente, em Portugal, da esquerda à direita, não há partidos políticos com coragem para dizer tudo isto. Certamente o medo de ficarem associados com o “neo-liberalismo” dos Chicago Boys torna a classe política portuguesa como um laboratório de experiências socialistas, socialistas mitigadas ou sociais democratas. Os ditos “liberais amigos do contribuinte” do PSD e do CDS-PP, são-no apenas do discurso de púlpito, pois, uma vez no poder distinguem-se pouco das “rosas da esquerda”. Ora, quando oiço um comentador ou a oposição acusar este Governo de “neo-liberal”, pergunto-me sempre, será que esta gente sabe do que é está a falar?! Confundir aumento de impostos e a austeridade com o liberalismo é tão errático, absurdo e sobretudo inculto, como associar a Democracia a Rosseau.

Tirar dinheiro do sector privado onde é gerada a riqueza, para engordar e alimentar o sector público que a consome, é uma ideia catastrófica. O Estado não pode continuar a tirar dinheiro às pessoas tributando a riqueza que produzem, só e apenas para sustentar o número absurdo de funcionários públicos. Basta! Quanto maior for o sector público e o peso do Estado na vida da pessoas e na Economia, menor será o crescimento real da economia. Ora, esta mentira de que a despesa pública estimulará o crescimento económico está ao nível da ideia de que o comunismo traz felicidade às pessoas. São puras mentiras, que foram provadas nos últimos cem anos.

A ideia é simples: para manter o actual número de funcionários públicos, o Estado precisa de cobrar mais impostos, e, mais impostos significam menos lucros. Ora, e vontade para mudar este paradigma? O problema reside precisamente neste ponto: há demasiados grupos de interesses que se alimentam do sector público e que nunca sobreviveriam no sector privado; há todo um sistema que vive e sobrevive disto, há toda uma entourage político-partidária que só consegue pôr "pão na mesa" alimentando-se do sector público (basta lembrarmos o caso do vereador do CDS-PP da CMPorto que quando actuou no sector privado faliu!).

Não se iludam, os níveis de corrupção e tráfico de influências são os que são, porque há um sector público estupidamente grande, pouco eficaz e demasiado incompetente. Senão vejamos: se formos uma empresa privada e empregarmos um grande número de pessoas que passam o dia a preencher papéis, e que existem no sector público sem razão aparente, ficamos sem negócio, pois, outra empresa conseguirá produzir o memo produto mais barato, por não perder tempo com burocracias e formulários disto e daquilo.

Muitos estarão a pensar o pior da minha falta de sensibilidade social, em particular com os mais pobres, mas, tal relação de causa efeito não passa de pura demagogia.

Em vez de diminuir a pobreza, o Estado só consegue aumentá-la ainda mais, quando paga, a pessoas capazes de trabalhar, para ficarem em casa sem fazerem absolutamente nada, a não ser consumir dinheiro dos contribuintes que trabalham. É uma loucura pagar a adultos saudáveis para estarem desocupados a tempo inteiro.

Urgem mudanças rápidas, estruturais e, sobretudo de mentalidade na forma como qualquer pessoa se deve relacionar com o Estado e vice-versa.

Na linha de A Riqueza das Nações, o melhor que o Estado tem a fazer, é fazer o menos possível. Os impostos são um roubo e um enorme obstáculo ao crescimento. Ora, se existirem impostos mais baixos (a rondar os 15% como em Hong Kong), haverá um incentivo maior para que as pessoas façam mais dinheiro, para que a economia seja mais próspera.

Ao tributarmos as pessoas estamos a castrar o sucesso. Quanto mais altos são os impostos maior será a punição do sucesso.

Mais, para perceberem que não falo sem fundamentos, vejamos o caso dos países Bálticos. Nos anos 90 introduziram as chamadas Low Flat Taxes e viram o seu crescimento disparar para os 12% ao ano.

Se baixarmos os impostos, tornamo-nos mais atractivos do ponto de vista do investimento económico, sendo mais fácil produzir, sendo mais fácil criar emprego. Em Hong Kong não há IVA, impostos sobre mais valias, ou impostos sucessórios, e, os resultados são tão óbvios de que é este o caminho do sucesso e da prosperidade que, Hong Kong é o símbolo da prosperidade, da pobreza zero, da liberdade e da iniciativa privadas.

A conta é simples, e, por mais estranho que pareça, se baixarmos os impostos, os lucros destes aumentarão. Se reduzirmos a carga fiscal dos níveis mais elevados, teremos mais crescimento económico e maiores receitas desses mesmos impostos. Se dermos mais liberdade ao mercado, veremos o crescimento aumentar, o investimos aumentar, o emprego aumentar...

A lição a tirar é que, quanto maior for o Estado, menor será o nível e a taxa de crescimento económico nacional. O tempo dos grandes Estados morreu. A prosperidade económica não tem grande segredo; só precisamos de sabedoria e de coragem para fazer o que é preciso. Os resultados não tardariam e, em menos de um ano teríamos resultados muito positivos.

Não é a Troika, não é o FMI, não é o BCE ou a UE, é a falta de vontade e coragem políticas que nos levaram para este buraco. É o medo do “bicho papão” do mercado e do capitalismo que tem de acabar. É este socialismo mitigado que há mais de 30 anos governa Portugal que tem de acabar. Custará, mas teremos que recuar até Adam Smith para recomeçar tudo de novo.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 15:28
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Diplomacia do tanque

A Alemanha não sabe, nem nunca soube, o que é a diplomacia. Numa altura em que as ruas de Atenas estão ao rubro, dizer que a «Grécia só deu o primeiro passo» é atirar gasolina para cima do fogo. Mais valia ficarem calados.

publicado por Afonso Reis Cabral às 12:52
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O meio terreiro do Povo

 

Os 300 milhões, desculpem os 30 mil de manifestantes deste fim de semana. A comunicação social noticiou que eram 300 mil no Terreiro do Paço. Convém comparar com as imagens da missa com o Papa Bento XVI onde estavam 100 mil pessoas. 

Pastas:
publicado por Tomás Gonçalves Da Costa às 00:12
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

They are coming.

Nos intervalos dos longos debates sobre a crise da divida publica, a crise das instituições, a crise do estado-social, a crise da moeda única ou da crise da união europeia, Portugal tem se preocupado em discutir fait-divers. Ou é a questão da maçonaria (problema delicado que oportunamente retomarei) ou é versão angolana da asfixia democrática ou simplesmente se discute o fim do carnaval, tudo vai servindo de pretexto para esconder a fria e dolorosa verdade: o Ocidente está em declínio.


Desde a uma dependência energética colossal, passando por uma letargia intelectual, critica e criativa geral e terminando num sistema politico fechado e pouco meritocrata, o Ocidente enfrenta ao mesmo tempo uma concorrência feroz e injusta. O mercado é um palco que se rege pela lei do capital. O capital é cego e pouco dado a preocupações ambientais ou de conceitos como o wellfare Samuelsiano. O que interessa é produzir mais, melhor e mais barato. A Europa está falida, o capital está cada vez mais longe de Londres ou de Paris.

 

Primeiro foram os angolanos a adquirir parte do BCP, depois os chineses arrebataram a EDP, pouco a pouco, piece by piece, as economias emergentes vão conquistando o seu espaço no velho continente. Por Washington diz-se que o investimento chinês em bens não financeiros corresponde apenas a 0,2% do total que já foi investido. Pequim não tem intenções de salvar a Europa. Pequim quer comprar a Europa. As regras do jogo fomos nós que as impusemos, agora é ver se sabemos jogar com elas. 

publicado por JFC às 00:55
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Curiosidades

Descobrem-se coisas curiosas ao folhear o Dicionário de Pseudónimos e Iniciais de Escritores (Lisboa: Biblioteca Nacional, 1999). Pseudónimos como Miguel Torga – ou seja, Adolfo Correia da Rocha – são consensuais, mas questiono-me sobre que tipo de devaneio terá passado pela cabeça destes senhores:

 

Um Maçon Católico, Apostólico, Romano, da Loja do Silêncio ao Vale dos Beneditinos (Mariano José Cabral)

 

Um filho da extinta diocese (Vitorino da Silva Araújo)

 

Trindade da Purificação (Carlos Tavares Santos)

 

José Qualquer (José Maria dos Reis Pereira)

 

Frei Mínimo (Artur Bivar)

 

Fulano, Sicrano e Beltrano (Ernesto Rodrigues)

publicado por Afonso Reis Cabral às 23:07
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Modernices

Pastas:
publicado por Afonso Reis Cabral às 21:51
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As gorduras do ensino superior

 

Hoje é dia "cascar" numa realidade que conheço bem. Ainda há dinheiro muito mal gasto no ensino superior. Conto-vos a história da Universidade do Porto que, com toda a certeza, não é um caso isolado no que toca a fundos mal perdidos. Antes de levantar todas as grandes e pequenas questões devo frisar, em defesa da honra dos docentes, que a maior parte das peripécias devem-se à obrigação de auto-financiamento actual das universidades e às fraquezas do ser humano.

Há anos que ouvimos falar de gorduras no estado e que é preciso cortar na despesa. No entanto, somos assombrados por constantes aumentos de impostos e o défice não tem como diminuir. Deixo algumas revelações para que se saiba onde cortar quando a crise chegar verdadeiramente ao ensino superior.

 

Para começar apresento-vos a tabela de vencimentos média dos professores universitários com exclusividade segundo a Portaria 1553-C/2008 de 31/12 (salvo prováveis actualizações). Na tabela são também listadas o número de horas de aulas semanais a que os professores universitários estão obrigados.

Categoria

Vencimento mensal (€)

Número de horas semanais

Vencimento por hora de aula aproximado (€)

Catedrático

5012,79

6

210

Associado c/ agregação

4296,68

8

140

Associado

3928,40

10

100

Auxiliar

3601,03

12

80

* A abdicação da exclusividade implica uma redução salarial de 30% nos valores indicados (não se preocupem, ninguém abdica da exclusividade se não for para ganhar mais do que o valor de tabela).

* Às horas de aulas apresentadas adiciona-se ainda uma tarde de atendimento aos alunos (não se preocupem, só está presente no horário de atendimento quem quiser pois não existe instrumento que desincentive os professores a não permanecer no local de trabalho durante o período de atendimento).

 

É legítimo assumir que a categoria de um professor transmite a sua qualidade. Assim sendo, não é compreensível que quanto maior a capacidade de transmissão de conhecimento de um professor menor é o número de aulas que este lecciona.

Por outro lado, não se compreende o número reduzidíssimo de horas de trabalho dos professores universitários. Bem sei que preparar aulas na universidade leva o seu tempo mas também sei que o tempo utilizado na preparação de uma aula no início da actividade como professor é substancialmente menor do que no final. Quero com isto dizer que a preparação de uma aula por parte de um professor catedrático é muito mais rápida do que a de um professor auxiliar. Desculpem-me a franqueza mas considero que uma pessoa que apenas está obrigada a trabalhar 6 horas semanais a receber 5012,79€ por mês é toda ela uma gordura gigante. Se um professor catedrático pudesse leccionar 22 horas (e ainda sobra meia semana para investigação científica) à semelhança do que acontece com os professores do ensino básico e secundário seriam poupados perto 15000€ todos os meses por cada professor catedrático existente no nosso país.

 

Porém outras gorduras há! A exclusividade diz respeito ao não exercício de outra profissão para além de docente. Existe um número considerável de professores que têm as suas empresas (muitas delas criadas a partir da faculdade). Como são administradores, não retiram um vencimento dessas empresas realizando parte apenas da distribuição de dividendos. No entanto, sem perder um papel activo na gestão da empresa e os 30% de redução face à não exclusividade. A aparente exclusividade é por si só também uma grande gordura. O Exemplo mais caricato que há memória acontece também na Universidade do Porto. Um professor, administrador de uma grande empresa nacional (mas com exclusividade), cada vez que a sua profissão fantasma o impede de vir leccionar envia um dos seus funcionários para colmatar a sua ausência.

 

Há uns dias, um grande amigo, bolseiro de investigação, contou-me uma história hilariante. O responsável pela sua investigação (professor) comprou um iphone 4 com o dinheiro do seu projecto mas a factura veio com o nome do projecto errado. Azar dos azares, um outro responsável de investigação realizou exactamente a mesma compra na mesma loja e as facturas vieram trocadas. Esse meu amigo pago pelo projecto em questão, adquiriu temporariamente novas valências profissionais. Ficou incumbido de encontrar o outro professor que também tinha comprado um iphone 4 para proceder à troca de facturas para então ficar tudo resolvido. Através de dinheiro de projectos de investigação compra-se quase tudo para o uso pessoal, inclusive férias de luxo pagas no estrangeiro.

A questão que aqui se coloca é a seguinte: uma vez que as faculdades estão obrigadas a auto-financiar-se através destes projectos é legítimo que os promotores possam efectuar este tipo de compras para usufruto pessoal? A resposta é não, isso seria apenas mais uma gordura a somar às já enumeradas. O dinheiro é para ser gasto em investigação (pois tratam-se de projectos de investigação e desenvolvimento). Em caso de excedente, os fundos deverão ser canalizados para suprir alguns dos cortes que temos todos vindo a ser alvo.

 

Já o paradigma das licenças sabáticas é outra piada. Contam-se pelos dedos os professores que não aproveitam este tipo de gorduras para promoverem os seus projectos pessoais. E sabem quem paga tudo isto? Em cada 6 anos de trabalho, 1 é para investigação exclusiva. Porém, não existem mecanismos de controlo de tempo realmente utilizado para a finalidade da sabática. Não os culpem, eu próprio aproveitaria 1 ano de sabática para investir em mim, na minha família, nos meus amigos.  Investigaria? Claro que sim! Mas com calma… até porque a partir de um determinado nível cientifico, a investigação deixa de ser directamente avaliável.

Também não nos devemos esquecer que caso apareça uma boa oportunidade de negócio, um professor pode sempre pedir uma licença sem vencimento e voltar no final de 1 ano, caso alguma coisa alguma coisa não corra bem. Não fariam o mesmo? Tanta gordura…

 

Não quero com isto dizer que todos são maus, antes pelo contrário, conheço bons exemplos de professores que nas horas em que não estão a “dar” aulas aproveitam para desenvolver investigação científica e apoiar os alunos nas suas mais diversas dúvidas. No entanto, tal prática não pode ser só trabalho voluntário. Quanto às restantes gorduras: é preciso cortar pela base. Oh não, mais uma greve!

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 18:12
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Tolerância no Carnaval?

Obviamente que não. O anúncio peca por tardio, mas de resto é do mais puro bom senso. Um país em estado de emergência, perto de um abismo quem sabe semelhante ao grego, não pode parar por uma tolerância de ponto, quanto mais não seja para dar o exemplo. Já arregaçámos as mangas, agora é preciso mostrar que as temos bem arregaçadas. O resto são pieguices de parte a parte. Não há pachorra.

 

PS - Conhecem a fábula do velho, do rapaz e do burro? Pois bem, caso Passos tivesse dado tolerância de ponto, a reprovação viria dos mesmos que agora o censuram, só que ao contrário: «O quê?! Tolerância de ponto na nossa situação?»

Pastas:
publicado por Afonso Reis Cabral às 10:28
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Os Bem Comportadinhos

Espero que sim, ou vemo-nos em 2013 na fila para a sopa

publicado por Duarte Cameira às 19:52
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

Isto está bonito

Mais vale assobiar como se não fosse nada connosco:

O presidente do EurogrupoJean-Claude Juncker, ameaçou a Grécia com o fim das ajudas da União Europeia e não descartou a possibilidade de insolvência do país. (Expresso)

publicado por Afonso Reis Cabral às 21:00
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

When i thought i was out they pull me back in

 

A fabulosa capacidade portuguesa de ignorar a Democracia

 

 

p.s. Acredito que esta noticia não passe de mera especulação. De todas as formas é estranho como cada sector da vida social e partidária deste país não consiga abandonar os seus chavões nem quando o precípicio está aí ao virar da esquina.

publicado por JFC às 22:41
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Greve à greve!

 

Confesso que não percebo o exagero de greves que grassam no sector dos transportes. A greve dos transportes públicos de hoje vai custar 150 milhões euros. É a terceira em três meses.

 

Estas empresas públicas acumularam uma dívida de 20 mil milhões de euros e ninguém ouviu os sindicatos a protestar pela má gestão das empresas de transportes públicas... Decidem agora protestar com o inevitável: reestruturações, despedimentos e privatizações.

publicado por Tomás Gonçalves Da Costa às 01:07
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Onde é que posso tirar a senha para burro de carga?!

 

"Motorista do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares ganha um vencimento mensal de 2448,22 euros.", Expresso.

 

Além dos boys, agora também os burros de carga são pagos a peso de ouro. A contar com o "peso político" do Relvas, é possível que até seja mal pago...

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 20:41
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De Espanha, nem bom vento... Será?

Por lá

 

Reforma da Lei Espanhola. Aborto em Espanha só em caso de violação, má formação do feto ou risco de vida para a mãe

 

Por cá

 

»»» menina/senhoreca engravida

»»» menina/senhoreca vai a uma instituição estatal soluccionar o problema

»»» menina/senhoreca não é alvo de apoio psicológico

»»» menina/senhoreca toma o primeiro comprimido

»»» menina/senhoreca toma o segundo comprimido uns dias depois

»»» menina/senhoreca vai-se embora toda lampeira

»»» instituição estatal diz "obrigado, volte sempre" a menina/senhoreca...

 

E VIVA ESPAÑA!!!

publicado por Francesinhus às 17:29
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Assim já nos sabemos proteger do frio. Ufa!

A GGS suplantou la Palice: 

«Os problemas de saúde mais comuns directamente associados ao frio são o enregelamento e a hipotermia.» (iOnline)

 

E não satisfeita ainda produziu este vídeo:

 

Pastas: , ,
publicado por Afonso Reis Cabral às 17:21
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Eu, republicano e de "ressaca".

 

A proposta do Governo para acabar com os feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro é pura demagogia, é puro populismo.

Serão mais dois dias de trabalho que tirarão Portugal do risco (cerca de 70%) de bancarrota? Não me parece, e, certamente não preciso de ter nenhuma especialidade nas ciências económicas para o concluir. Ora, qual foi a ideia então? "Bom, já que queremos obstinadamente cortar e cortar, vamos acabar com dois feriados... ora, deixa ver, o do 25 de Abril não pode ser, senão vão nos acusar de fascistas; o 1 de Maio idem... portanto cortamos a o dia da implatação da República para agradar aos não republicanos, e o da restauração da independência, para agradar aos não monárquicos". Este foi certamente o "genial" pensamento do Governo. Ora, e, não me cansarei de repetir, isto é pura demagogia!

As referidas datas representam marcos fundamentais na História de Portugal e por isso devem continuar a ser comemorados com a solenidade de um feriado nacional.

Esquecer o 5 de Outubro é não lembrar a raiz laica e republicana do nosso regime. 5 de Outubro é o dia em que Portugal passou a tratar todos por igual, idependentemente da sua "casta", das suas origens, da sua "família". A República é aquilo que somos, e sobretudo é aquilo em que nos tornámos: num regime onde todos e qualqer um sem excepção, podem ser titulares activos de cargos políticos. Ora, não comemorar a República é apagar aquilo que somos e sobretudo aquilo em que acreditamos. Convém lembrar que nem Salazar acabou com o 5 de Outubro, mais, era o dia em que tipicamente a ditadura permitia algum tipo de manifestações das oposições democráticas.

Esquecer o 1 de Dezembro é apagar culturalmente aquilo que somos: um país independente desde o século XVII. Mais, não há nenhum país no Mundo que não comemore o dia da sua independência por mais pobre e na falido que esteja.

Estas propostas do Governo matam qualquer unidade nacional (não nacionalista) que se pretenda em tempos como o corrente. Além de demagógicas e rídiculas não têm qualquer fundamento político, social, cultural, (nem sequer económico).

De resto, duas considerações finais: primeiro, e, apesar de ser um convico não socialista, acredito que o PS é essencial à democracia, por isso pergunto-me, onde está o Partido Socialista "republicano e laico"? Desapareceu?!; segundo, a proposta do CDS-PP é um tanto esquizofrénica, senão vejamos: por um lado, defende o fim do 1 de Dezembro, mas por outro, entende que se devem até aumentar as comemorações da restauração da independência, nomeadamente nas escolas, etc. Afinal perceberam o ponto? Pois, eu também não.

 

 

 

(Ok, confesso, a verdade é que faço anos a 4 de Outubro e gosto do day after para descansar).

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:33
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"Abertura do ano judicial", contem-me outra pff.

 

Ninguém reparou que até o "ar" do excelso Marinho Pinto mudou?! Está oficialmente aberta a pré, da pré, e mais uma vez, pré-campanha eleitoral para as Presidenciais de 2016. O Carnaval está para o Brasil como as eleições (de tudo e mais alguma coisa) estão para Portugal...

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:14
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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
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