Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Incentivo ao empreendedorismo fachada.

 

Hoje o visado é o concurso de empreendedorismo “Arrisca C” (www.uc.pt/gats/projectos/Arrisca_C). Nobremente, o concurso premeia ideias e planos de negócio de alunos universitários actuais ou que completaram os seus estudos há menos de 3 anos estimulando o empreendedorismo jovem. Em edições anteriores, o concurso era designado como “Arrisca Coimbra” e era promovido pela universidade de Coimbra. Recentemente entraram na promoção do concurso entidades externas a Coimbra passando este a ser designado por Arrisca C (sem nunca explicarem o significado do C).

 

Não escondo o meu recalque por ter participado no concurso. Participei e perdi tempo. Perdi tempo porque o meu projecto não ganhou e perdi tempo porque desaprendi. Tudo isto poderia ser considerado mau perder se não fossem as condições que agora apresento. Antes de começar, peço-vos que assistam a este filme.

 

http://ucv.uc.pt/ucv/media/arrisca-c-2011-um-caminho-de-sucesso/embed_player?w=560&h=315

 

Já devem estar a perguntar onde está a jovialidade dos concorrentes porque, sem dúvida, a pessoa mais jovem presente na sala foi o secretário de estado do empreendedorismo. Minto! Ao minuto 2:50 podem observar alguns dos poucos jovens que concorreram ao Arrisca C, a minha equipa e eu. Jovens entre os 24 e 25 anos que terminaram o curso há exactamente 3 anos (quase não éramos elegíveis). Grande parte das equipas subverteram as regras. Pessoas, não jovens, com os seus projectos maturados, convidaram um estudante para a equipa e automaticamente toda a equipa se tornou elegível para concurso. Com efeito, o Arrisca C premiou vários jovens empreendedores com mais de 40 anos. Eu próprio assisti a briefings de última hora ao membro estudante do grupo.

 

A minha equipa foi seleccionada para os 24 melhores projectos e convidada a promover uma apresentação na universidade de Coimbra. Em primeira instância, desenvolvemos um produto que se propunha a divulgar a cultura portuguesa. Na altura em que fizemos a apresentação (3 meses depois do envio da candidatura) já tínhamos aberto uma empresa e angariado clientes como a Porsche, Bial ou Sogrape. Orgulhosos da conquista, levámos as novidades para a apresentação. Péssima ideia…  Os cerca de 30 membros do júri presentes apenas nos interrogavam pela vertente cultural do projecto. Algo que decidimos abandonar por não ser economicamente rentável. Mostraram um desinteresse absoluto por um projecto com liquidez dando validade à conclusão:

Se és um empreendedor precário disposto a fazer algo pela cultura tens uma boa ideia de negócio, se és um empreendedor de sucesso mas não fazes nada pela cultura então tens uma péssima ideia de negócio.

Enfim, fomos quase insultados por apresentar um projecto que visa ganhar dinheiro num concurso de ideias de negócio.

 

Para rematar, cerca de 94% dos prémios foram entregues a promotores da região centro sendo que nem um único, ao que me foi permitido apurar, foi dirigido ao Porto ou a Lisboa (onde habita cerca de 40% da população nacional) e não foi por falta de candidaturas. Na dúvida sobre o que significa o “C” do Arrisca dou-vos uma pista “Não Norte e não Sul”.

 

Depois de contar o sucedido a um amigo, ele respondeu-me: “Então querias que eles não dessem prémios para o pessoal do centro”. Foi aí que tive a certeza que a minha participação no concurso foi uma verdadeira perda de tempo. Em Portugal, até as causas mais nobres são desvirtuadas.

 

PS:

 

Escrevo por uma de duas razões:

- Gritar aos ouvidos da organização do concurso Arrisca C;

- Evitar que outros como eu não dêem o seu tempo como mal empregue.

publicado por Miguel Ferreira do Amaral às 20:08
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2 comentários:
De Nuno a 4 de Julho de 2012 às 10:32
Olá Miguel
Um empreendedor sofre!

Estas iniciativas são boas para ganhar práctica na elaboração de planos de negócios e para ganhar destreza e autoconfiança em apresentações.

Votos de sucesso
Nuno


De Miguel Ferreira do Amaral a 5 de Julho de 2012 às 12:21
Olá Nuno,

Obrigado pela mensagem. É sempre bom ler um comentário fresco e agradável como o seu.
Empreender por um futuro melhor!

Um abraço,


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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
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