Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Eu, republicano e de "ressaca".

 

A proposta do Governo para acabar com os feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro é pura demagogia, é puro populismo.

Serão mais dois dias de trabalho que tirarão Portugal do risco (cerca de 70%) de bancarrota? Não me parece, e, certamente não preciso de ter nenhuma especialidade nas ciências económicas para o concluir. Ora, qual foi a ideia então? "Bom, já que queremos obstinadamente cortar e cortar, vamos acabar com dois feriados... ora, deixa ver, o do 25 de Abril não pode ser, senão vão nos acusar de fascistas; o 1 de Maio idem... portanto cortamos a o dia da implatação da República para agradar aos não republicanos, e o da restauração da independência, para agradar aos não monárquicos". Este foi certamente o "genial" pensamento do Governo. Ora, e, não me cansarei de repetir, isto é pura demagogia!

As referidas datas representam marcos fundamentais na História de Portugal e por isso devem continuar a ser comemorados com a solenidade de um feriado nacional.

Esquecer o 5 de Outubro é não lembrar a raiz laica e republicana do nosso regime. 5 de Outubro é o dia em que Portugal passou a tratar todos por igual, idependentemente da sua "casta", das suas origens, da sua "família". A República é aquilo que somos, e sobretudo é aquilo em que nos tornámos: num regime onde todos e qualqer um sem excepção, podem ser titulares activos de cargos políticos. Ora, não comemorar a República é apagar aquilo que somos e sobretudo aquilo em que acreditamos. Convém lembrar que nem Salazar acabou com o 5 de Outubro, mais, era o dia em que tipicamente a ditadura permitia algum tipo de manifestações das oposições democráticas.

Esquecer o 1 de Dezembro é apagar culturalmente aquilo que somos: um país independente desde o século XVII. Mais, não há nenhum país no Mundo que não comemore o dia da sua independência por mais pobre e na falido que esteja.

Estas propostas do Governo matam qualquer unidade nacional (não nacionalista) que se pretenda em tempos como o corrente. Além de demagógicas e rídiculas não têm qualquer fundamento político, social, cultural, (nem sequer económico).

De resto, duas considerações finais: primeiro, e, apesar de ser um convico não socialista, acredito que o PS é essencial à democracia, por isso pergunto-me, onde está o Partido Socialista "republicano e laico"? Desapareceu?!; segundo, a proposta do CDS-PP é um tanto esquizofrénica, senão vejamos: por um lado, defende o fim do 1 de Dezembro, mas por outro, entende que se devem até aumentar as comemorações da restauração da independência, nomeadamente nas escolas, etc. Afinal perceberam o ponto? Pois, eu também não.

 

 

 

(Ok, confesso, a verdade é que faço anos a 4 de Outubro e gosto do day after para descansar).

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 00:33
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2 comentários:
De Duarte Cameira a 1 de Fevereiro de 2012 às 13:47
Os feriados vão tirar férias...também merecem.
Quando a "crise" acabar eles regressam, tal como as pontes, as tolerâncias, as pontes das tolerâncias e as tolerâncias de ponto. E com isso, voam 2 a 3 semanas por ano.



De Miguel Guimarães a 2 de Fevereiro de 2012 às 15:14
Gonçalo, não discordo de forma nenhuma quanto à importância das datas em questão. Mas não sei o que tem a importância das datas a ver com o facto de serem feriado ou não!! Aposto que 55% da população não faz ideia das razões históricas que servem de base a cada feriado (fora o Natal e o 25 de Abril lol) - o que interessa é poder ficar em casa durante o dia sem fazer nada!! Do meu ponto de vista, a importância desses momentos históricos é para ser ensinada na escola e até se podem fazer na mesma comemorações públicas, para não caírem no esquecimento. Mas não têm necessariamente de ser feriados!! De resto, há variadíssimas datas de enorme importância histórica que nunca foram feriado (O 25 de Novembro é só um exemplo entre muitos).


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“Os bajuladores são honrados e os homens de bem sujeitados. O mesmo arbítrio reina nos decretos do povo e nas ordens dos tiranos. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores da corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo.”, Aristóteles.
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