Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Na ressaca da votação de ontem na AR: em defesa do AMN.

 

Em crónicas anteriores, certamente já perceberam que sou, por natureza, um crítico permanente e atento às “classes políticas” em geral, e à classe política portuguesa em particular.

Hoje, na ressaca da votação da AR à proposta de lei do BE relativa à adopção por casais homossexuais, escrevo em defesa do deputado do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes, o qual votou a favor da dita proposta de lei. Faço-o sobretudo por uma questão de honestidade intelectual: não quanto à matéria de facto em si (deixarei para outro momento), mas, quanto à coerência do seu voto.

Não têm faltado vozes inquisitórias dentro do CDS-PP quanto ao voto do ADM. Ora, para aqueles que apontam incoerência nas suas posições, eu chamo coragem; para aqueles que o acusam de se sentar na bancada errada, eu chamo acto de liberdade.

Impor disciplina de voto nestas matérias seria uma escandalosa violação da liberdade de consciência, assemelhando-se apenas às ditaduras do voto, típicas das bancadas comunistas.

Mais, todos estes velhos do Restelo, estes militantes e dirigentes de confessionário, estas beatas de primeira fila, são os primeiros a (re)lembrar o acervo ideológico do dito partido. Pergunto portanto: será que alguns destes já leram alguma referência filosófica conservadora, democrata-cristã ou liberal? Certamente que não.

O curioso deste falso seguidismo ideológico, é que parece apenas incomodar aqueles que se dizem a “maioria”, já que, pelo menos, aparentemente o deputado AMN não parece incomodado por ser o único “lá no meio”, ou seja, nunca o ouvi insurgir-se ou sequer criticar aqueles que não aderem às suas posições.

Aqueles que agora “pedem a sua cabeça”, por ter agido de acordo com a sua consciência, esquecem-se que o deputado AMN (como qualquer outro) fora sufragado partidariamente, e, segundo sei, nem uma ponta de crítica houve. Ora, este é certamente um problema de estilo e, sobretudo de entendimento daquilo que é e deve ser a coerência ideológica de um político.

Mais, o deputado AMN é o único da bancada parlamentar do CDS-PP, que, dizendo-se liberal, é coerente e consequente com isso. Isto é, outros há na dita bancada, que, dizendo-se ou fingindo-se de liberais, na hora de votar preferem afrontar as suas consciências a afrontar o status quo mais que instalado. Possivelmente, está na hora de nascer um espaço de tipo partidário liberal em Portugal, para que políticos como o Adolfo Mesquita Nunes não sejam queimados vivos pelas “santas inquisições”.

publicado por Gonçalo Dorotea Cevada às 16:24
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4 comentários:
De Pedro a 25 de Fevereiro de 2012 às 20:04
Meu Caro
Infelizmente não sabe do que fala.
Não houve liberdade de voto no cds e se tivesse havido outros deputados votariam a favor ou optariam pela abstenção.
O que houve foi um compromisso do presidente do cds para com AMN assumido antes das eleições quando a candidatura de AMN fo sufragada pelo partido, de que poderia votar dessa forma.

O problema é esse. O compromisso deveria ter sido do conhecimento do partido.
Não podem no cds deputados de 1ª que podem votar como querem e outros que estão sujeitos a disciplina de voto.

Abraço

Pedro


De Gonçalo Dorotea Cevada a 25 de Fevereiro de 2012 às 21:02
Caro "Pedro",

Se assim foi, é pior então: "Impor disciplina de voto nestas matérias seria uma escandalosa violação da liberdade de consciência, assemelhando-se apenas às ditaduras do voto, típicas das bancadas comunistas.".

Abraço,

GDC


De Gonçalo Dorotea Cevada a 25 de Fevereiro de 2012 às 21:14
Caro "Pedro",


E em relação ao deputado João Rebelo?! Deputado esse que se absteve; também houve algum acordo secreto pré-eleitoral com o dr. Paulo Portas?

Abraço,

GDC


De Pedro a 26 de Fevereiro de 2012 às 11:53
Gonçalo
O João Rebelo nestas questões faz sempre uma declaração de voto em que explica que apenas vota com a bancada por disciplina e que tem reservas.
Neste caso concreto seria ridiculo ter de lavrar uma declaração de voto quando um deputado voto a favor. Por uma questão de equidade foi autorizado pela bancada a abster-se não se tornando necessário lavrar uma declaração de voto.
Ou seja o deputado AMN votou a favor porque tinha esse compromisso (privado) do presidente do partido e o João Rebelo foi autorizado a abter-se por uma questão de equidade. Todos os outros votaram de acordo com a posição do partido e não houve liberdade de voto na bancada.


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